Capa do romance Favela na veia - Os gêmeos

Favela na veia - Os gêmeos

8.9 / 10.0
Victor e Hugo compartilham tudo, desde roupas até conquistas, mas a conexão entre os gêmeos é testada ao conhecerem Angel. Aos 16 anos, a jovem esconde carência sob uma rebeldia usada para confrontar a mãe narcisista. Ao se envolver com os irmãos, a escolha de Angel desperta inveja e fúria, desencadeando traumas profundos e rupturas definitivas. Entre o amor e o ódio, essa trama intensa promete tirar o sono com suas consequências irreparáveis.

Favela na veia - Os gêmeos Capítulo 1

- Pula! Pula logo!

Flávia minha melhor amiga sussurra me incentivando a pular da janela do meu quarto.

- Calma, se não eu vou me sujar!

Sussurro de volta.

Respiro fundo, conto até três, fecho os olhos e pulo, mas sou amparada por viny um ficante de Flávia.

- É isso aí!

Flávia comemora, mas logo segura minha mão e me puxa pra dentro do carro de viny.

Minha casa tem seguranças, mas eles são meus amigos, então eles sabem mais ou menos a hora que fujo e por coincidência é a mesma hora da troca deles de local, se é que me entendem...

Entramos no carro e seguimos para uma balada muito top que tem na Lapa e hoje é dia de funk, coisa que eu e Flávia amamos.

Não é nada difícil entrar na balada, já que viny é primo do administrador do teatro Odisseia.

- Mais uma vez vou pedir, não saiam de perto de mim, por favor! Hoje é dia de funk e lá costuma ir pessoas perigosas nesse dia, pessoal das comunidades.

Viny implora, mas no fundo ele sabe que se der na telha, nós vamos dar um perdido nele.

- Pode deixar, vamos ficar grudadinhas em você!

Digo e Flávia cai na gargalhada.

- Por que eu tenho a sensação de que vocês não vão me obedecer?

Viny diz desviando o olhar do trânsito por alguns segundos em nossa direção, mas balança a cabeça negando e bufa.

...

- Vocês são menores então não dêem pt! Querem ir para o camarote?

Já estávamos na balada e estava um luxo de cheia, o som estava alto e geral já estava em uma das pistas se acabando.

Olhamos para o alto e nos demos conta que aqui embaixo estava bem melhor.

- Não, vamos ficar aqui mesmo.

Digo já puxando Flávia para a pista.

Estava tocando " vivendo no auge" de L7nnon e MC maneirinho.

"...De Lacoste, tô no auge

No Barata, nóis tá forte

Menos arma, menos morte

Nossa falha, nosso porte..."

A gente rebolava, ria... Viny estava atrás de Flávia e o clima estava esquentando entre os dois, eu fico rindo e quando eles começam a se pegar ali mesmo no meio da pista eu dou as costas a eles, vou segurar vela é o caralho

Eu estou com uma garrafa de cerveja na mão e depois de uma boa golada, volto a dançar, mas sem querer meus olhos passeiam pelo vip e param em um gatinho... Moreno, boné branco, blusa branca, a parte de baixo não dá pra vê, mais que ele era gato, ah era!

Sorrio mordendo os lábios e levanto minha garrafa o cumprimentando, mas logo sou puxada por Flávia.

- Preciso ir ao banheiro!

Ela está eufórica.

Acabo deixando minha paquera da noite de lado e sigo até o banheiro com Flávia.

- Amiga, acho que hoje vai rolar!

Ela está nervosa.

A verdade é que apesar da nossa rebeldia, eu era virgem, Flávia não era mais, mas era como se fosse, já que a primeira vez dela foi a muito tempo, não que  isso fosse importante para gente, não mesmo, mas ainda não tinha pintado o cara que valesse a pena ter nossa primeira vez.

- Como assim, hoje?!

Flávia estava no reservado fazendo seu xixi e eu grudada na porta tentando entender.

- Ele me chamou para o apartamento dele depois que sairmos daqui...

- E você vai?

- Eu não sei, por que está me perguntando? Acha que não devo ir?

Ela está nervosa.

- Ei, não joga essa responsabilidade em cima de mim, não... Você só precisa ter certeza que está preparada para isso!

- EU NÃO SEI!

Ela fala quase que gritando, mas olha para os lados se certificando que ninguém tenha ouvido seu desespero.

- Se você não sabe, como vou saber por você?

- Mas se fosse você na minha situação, você iria?

- Eu não sei... Talvez sim, se eu sentisse que era o cara certo, ah sei lá Flávia!

Flávia ficou pensativa, mas não disse se iria ou não pra casa dele.

Saímos do banheiro e seguimos em direção ao bar onde viny estava.

Pedimos três tequilas com sal e limão... Chupamos o limão, lambemos o sal e viramos de uma vez a tequila, os três juntos...

Eu e Flávia começamos a tossir, mas logo paramos em uma crise de gargalhada.

Voltamos pra pista e no meio da música "senta braba" de MC WM sinto alguém atrás de mim, não estava me tocando, mas eu sentia sua presença e seu cheiro bom.

Me viro para ver quem era e dou de cara com o boy do vip...

Ele não disse nada, eu também não... Só ficamos naquela dança sexy e não desgrudamos nossos olhos um do outro.

Ao final da música, enfim ele se aproxima mais e fala no meu ouvido, quase grudando a boca nele.

- Posso te beijar?

Nossa, assim, tão direto? Gostei!

- Talvez eu esteja acompanhada!

Me faço de difícil, claro!

- Tenho certeza que flavinha e o rolo dela não vão ligar, eles estão... Digamos que ocupados demais.

Arqueiro a sobrancelha para ele, como assim Flavia conhece um deus grego desse e nunca me apresentou?

- E se eu tiver acompanhada com um carinha?

Eu sei que esse jogo é meio infantil, mas eu sou infantil, fazer o que?

Ele rir...

- Eu sei que não tem ninguém.

Agora ele segura minha cintura e uma calor me consome.

- E... Como você sabe?

Gaguejo.

- Observei você desde que chegou...

- Então estou de frente para um stalker?

- Digamos que você esteja de frente para um apreciador.

Agora foi eu quem sorriu.

Ele não esperou minha resposta e já me puxou para mais perto dele e em poucos minutos estávamos nos beijando.

Porra de homem que beija bem,  cheiroso...

Eu deslizo minha mão pelo seu corpo, e consigo sentir cada pedacinho do seu tronco... Musculoso, ele tem gominhos...

Ele também analisa meu corpo, desliza sua mão pela minhas costas até o início da minha bunda, mas para ali.

- Que tal um lugar mais tranquilo?

Ele propõe.

- Não posso sair da balada.

Digo ainda grudada a ele.

- Não vamos!

Ele responde já me puxando pela mão.

Subimos as escadas da área vip de mãos dadas e depois de passar perto de uns caras estranhos que o cumprimenta, entramos em uma área que tem vários quartos.

Então é aqui que o pessoal transa?

Penso lembrando que Flávia já havia me falado sobre esse lugar, viny já havia contado pra ela.

Nem dá tempo de pensar muito, logo ele já estar agarrado a mim novamente.

Meu corpo é grudado na parede e logo sou impulsionada e minhas pernas estão envolvidas em sua cintura.

Eu estou com um vestido curto, preto brilhoso, uma calcinha preta que já estragou de tão molhada que estou.

Ele beija meu pescoço, morde meus lábios, esfrega com força sua ereção em mim e quando estamos perdendo o ar de tanto tesão, ele coloca a mão nas laterais da minha calcinha, mas aí eu recuo...

Claro que eu não ia perder minha virgindade, com alguém que eu nem sei o nome e muito menos em um quarto de balada que centenas de pessoas já transaram, nem sei se trocaram esses lençóis.

- Pera aí...

Digo descendo de seu colo.

Ajeito o cabelo, respiro fundo tentando acalmar minha respiração.

- Que foi... Não tá gostando?

Ele agora beija meu pescoço, chego a revirar os olhos de tanto tesão, mas volto raciocinar novamente.

- Preciso... Ir ao... Banheiro primeiro.

Falo com dificuldade.

- Claro... É a porta ao lado da porta que entramos.

Ajeito meu vestido e sigo até o banheiro.

Fico me olhando no espelho por um tempo e porra estou péssima...descabelada, boca vermelha de tanto beijo e pescoço mais vermelho ainda.

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