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Capa do romance Meu vizinho de 40 anos

Meu vizinho de 40 anos

Emma se vê em um dilema constrangedor ao cumprir uma tarefa para sua mãe. Ao dar as boas-vindas ao novo vizinho, ela é confrontada por um rosto do passado. O homem, agora com quarenta anos, não economiza no sarcasmo ao reencontrá-la. Ele a provoca cruelmente, relembrando o desejo que ela sentia por ele nos tempos de faculdade. Entre o choque e a humilhação, Emma precisa encarar que seu antigo alvo de obsessão agora vive bem ao seu lado.
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Capítulo 1

Emma Stone

Hoje eu começo mais um período na faculdade, nem acredito que já se passaram dois anos desde que entrei na universidade. Consegui entrar em uma das universidades mais renomadas do país. Quando eu tinha vinte anos, agora com vinte e dois, eu vou cursar a minha matéria favorita, direito penal.

Me disseram que o professor dessa matéria é horrível, ele não costuma passar as pessoas com tanta facilidade. Disseram ainda que ele tem uma das maiores advocacias do país, além de ser o professor mais renomado da universidade. Estudar em Harvard não é fácil.

Passei tanto tempo me arrumando que esqueci completamente a hora, estou muito atrasada e logo na matéria nova. Desci do meu quarto correndo, não consegui nem dar bom dia para a minha mãe. Peguei um pedaço de pão, enfiei na boca e fui para fora, entrei no meu carro e dirigi feito uma louca.

No entanto, o trânsito atrapalhou minha chegada na faculdade, fiquei preocupada por estar atrasada no primeiro dia de aula da nova matéria. 

Assim que cheguei na faculdade, corri em passos largos até minha sala e abri a porta com força, fazendo todos que estavam prestando atenção na aula olharem diretamente para mim. 

O professor é um homem alto e forte, com cabelo preto e alguns fios brancos, rosto quadrado. Ele me olhou com fúria. Eu podia ver chamas saindo de seus olhos e vindo para cima de mim. 

- Não gosto que se atrasem para a minha aula - ele disse.

- Desculpa... - fui interrompida.

- Quieta, garota. Sente-se - ele voltou a explicar a matéria.

Eu estava completamente envergonhada, entrei com o rosto vermelho e me sentei ao lado da minha melhor amiga, Vivian Smith.

- Quem é esse professor? - Sussurrei em seu ouvido.

- Jack Daniel, o dono da Advocacia mais renomada da cidade e uma das maiores do país - ela mordeu os lábios enquanto fitava o professor.

- O que ele tem de bom, tem de idiota. Não achei que a minha aula tão esperada fosse a primeira do dia - falei com raiva. 

- Ignorante do caralho - Acabei pensando alto demais.

- Quem disse isso? - Jack perguntou.

A turma inteira apontou para mim, menos a minha amiga, que abaixou a cabeça e fingiu que eu não existia.

- Depois da aula, teremos uma conversa - ele disse em um tom de raiva.

Estava muito irritada com o jeito como ele me tratou, mas também sabia que estava errada por ter chegado atrasada. Não podia negar, porém, que sua aula era ótima. Ele tem ótima oratória. Quando a aula terminou, minha amiga pegou a bolsa dela sem me esperar e fugiu.

Eu queria enfiar a minha cabeça em um buraco para nunca mais sair, tentei ainda fugir de fininho, talvez ele tenha esquecido a idiotice que eu falei durante a sua aula. Quando estava prestes a sair pela porta, ele me chamou, eu suspirei, me virei lentamente, o olhando.

- Sim, senhor - falei em um tom de deboche.

- Não tolero esses comportamentos infantis na minha aula - ele se aproximou de mim.

Consegui ver de perto seus olhos negros que contaminavam a minha alma. Se eu passar tempo demais o olhando tão de perto, sinto que vou desmanchar, desviei o olhar para não ficar observando o seu rosto, não posso negar a sua beleza. 

Senti um pouco de medo quando percebi que ele era bem mais que eu, me senti tão pequena ao seu lado, mesmo assim o enfrentei.

- E eu não tolero ser tratada com tanta ignorância por você, quem você acha que é para me tratar assim? - Perguntei, levantando o cenho. - Me expôs ao ridículo na frente de todo mundo. Foi humilhante! 

Ele deu uma risada debochada e passou a mão pelos fios do seu cabelo preto liso, jogado para trás muito bem penteado.

- Garotinha, você me xingou no seu primeiro dia de aula comigo - ele parou de frente para sua mesa. 

- Chegue na hora certa e não passará por tal humilhação.

- Eu poderia negar e dizer que não era para você, mas eu estaria mentindo porque eu realmente te xinguei - falei sem medo.

- Já que você é tão audaciosa e gosta de enfrentar a autoridade em sala de aula, traga amanhã mesmo um trabalho que será apresentado diante de toda a turma - Ele revirou alguns papéis que estavam na mesa.

- Amanhã? - Me virei rindo. - Você só pode estar brincando.

Que homem idiota, insuportável do caralho, já peguei ódio dele e o que eu puder fazer para infernizar a sua vida eu farei.

- Traga amanhã ou pode se considerar reprovada na minha aula, agora saia da minha sala - ele me expulsou. - O tema será sobre investigação criminal - ele avisou antes que eu saísse.

Eu saí com os punhos cerrados, desejo a porra do inferno para esse demônio de merda. Como irei em menos de um dia preparar um trabalho.

Estava revoltada, vi Vivian no corredor e olhei com raiva, como ela pode ter me abandonado com aquele monstro sozinha? Ela veio atrás de mim como uma cachorrinha arrependida.

- Você é uma péssima amiga - falei com raiva enquanto andava.

- Aquele homem dá medo, entenda meu lado - ela me seguiu. - Sabe que te amo e que você é minha melhor amiga.

Eu e Vivian nos conhecemos desde pequena, estudamos juntas desde o fundamental e acabamos na mesma universidade. Ela sempre foi medrosa e eu sempre a protegia das garotas malvadas e dos meninos que implicavam com a gente.

- Eu te perdoo - coloquei meu braço em cima do seu ombro. - Acredita que aquele professor idiota me mandou entregar um trabalho até amanhã? 

- Você está fodida - ela riu.

E ela não está errada, realmente estou fodida e não sei nada sobre investigação criminal, mas não vou dar esse gostinho a ele, vou chegar em casa hoje e passar, nem que seja a noite inteira, fazendo a merda desse trabalho.

Voltei para casa no meu Ford, um carro simples e popular. Estou horrorizada com a atitude do idiota do professor, estou morrendo de fome e ainda tenho que pensar na forma de como irei apresentar o trabalho que ele pediu.

- Você chegou, querida, fiz um bolo, coma - ela apontou para o bolo.

Minha mãe, Janny Stone, é a melhor pessoa do mundo. Queria ser calma e paciente como ela, mas não sou, puxei o temperamento e a boca faladeira do meu pai, Abel Stone. Fui até a cozinha, peguei um pedaço de bolo e um copo cheio de café e enfiei na boca.

- Nossa, mãe, está uma delícia - falei com a boca cheia.

- Fecha a boca, menina - minha mãe reclamou.

- Mamãe, quando ele volta? - Perguntei cabisbaixa.

- Não sei, querida.

Meu pai viaja muito e tem meses que não volta para casa. Desde pequena, tenho que lidar com a ausência dele. Quando ele estava em casa há uns meses atrás, ele disse que eu precisava me casar, disse que já estou na idade e que ele tentaria arranjar alguém para mim, mas eu me nego a ficar com quem eu não gosto.

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