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Capa do romance Meu Verdadeiro Norte Após a Enganação Deles

Meu Verdadeiro Norte Após a Enganação Deles

Após financiar os estudos de Eric por quatro anos, viajei para São Paulo para pedi-lo em casamento. No entanto, flagrei-o pedindo a mão da minha melhor amiga, Jéssica. No hospital, descobri que viviam juntos há dois anos com meu dinheiro. Humilhada pela sogra, que me via apenas como um caixa eletrônico, percebi que sustentei a traição deles. Agora, armada com provas de toda a farsa, decidi abandonar a ingenuidade para destruir o futuro perfeito do casal.
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Capítulo 2

O cheiro estéril da enfermaria do campus grudava em mim enquanto eu saía, desorientada. As palavras bem-intencionadas da enfermeira ecoavam em meus ouvidos, cada frase um novo corte, rasgando o fino véu da minha negação.

"O Eric ficou tão preocupado com ela quando ela adoeceu no ano passado." A lembrança da voz fraca do Eric, sua suposta preocupação com seu cachorro, sua doença, agora se transformava em uma mentira grotesca. Ele não estava doente; a Jéssica estava. E ele não estava preocupado com o cachorro dele; era o cachorro deles. O cachorro que ele pegou um ano atrás, aquele que ele alegou ser um vira-lata que ele resgatou, aquele para o qual eu enviei dinheiro para as contas do veterinário e ração.

"Eles são inseparáveis", a enfermeira acrescentara, "sempre juntos na aula, na biblioteca, até moraram juntos nos últimos dois anos, não foi?" Os detalhes, ditos casualmente, pintavam um quadro horripilante de uma vida da qual eu não sabia nada. Minha garganta se apertou, um soluço seco preso no peito. Ele estava morando com ela há dois anos. Dois anos.

Cada palavra da enfermeira era uma nova facada. Isso me trouxe uma lembrança arrepiante: um ano atrás, o Eric me ligou em pânico, alegando que teve uma intoxicação alimentar e precisava que eu transferisse dinheiro para suas despesas médicas. Ele parecia tão miserável, tão fraco. Eu enviei o dinheiro sem hesitar, meu coração doendo por ele. Agora, eu entendia. Não era a doença dele; era a dela. Ele usou meu dinheiro para cuidar dela, tudo isso enquanto mantinha a farsa comigo.

A imagem do celular do Eric em minha mente, onde ele afirmava falar comigo todas as noites, onde me tranquilizava sobre seu amor, agora parecia uma ilusão doentia. Ele nunca esteve sozinho. Ele estava com ela. Cada palavra terna, cada promessa sussurrada, tinha sido uma performance.

Justo quando o vazio ameaçava me consumir, meu celular vibrou. Uma mensagem. Do Eric. Meu coração deu um salto, uma mistura de pavor e uma esperança desesperada e tola.

Sua mensagem de voz tocou, a voz grossa de sono e com um leve tom arrastado. "Oi, Clarinha", ele murmurou, "Desculpa não ter atendido suas ligações ontem à noite. Bebi um pouco demais na festa de formatura. Sabe, comemorando. Senti sua falta pra caramba, meu bem. Mal posso esperar para ver seu rostinho lindo em breve."

Ele continuou, sua voz se tornando mais terna, mais manipuladora. "Já comprei sua passagem para o próximo mês. Você merece um descanso. Vamos para aquela pousadinha que você adora em Petrópolis. Só você e eu. Vou te compensar, eu prometo. Você é a única para mim, sempre."

Uma risada fria e amarga escapou dos meus lábios. Ele já tinha arranjado meu próximo voo. Ele já estava planejando nossa próxima escapada falsa, como sempre fazia, tecendo uma teia de mentiras para me manter no escuro, para manter meu dinheiro fluindo.

Antes que eu pudesse processar sua mensagem, outra apareceu. Da Jéssica. "Oi, querida! Tão preocupada com você. O Eric acabou de me dizer que você desmaiou. Espero que esteja bem. Ele está tão chateado por não ter conseguido chegar até você. Ele estava tão bêbado ontem à noite, coitadinho. Ele te ama muito, Clara. Nunca duvide disso. Ele já está falando sobre a viagem de vocês no próximo mês."

Meu celular quase escorregou da minha mão. O timing era perfeito demais. A mensagem do Eric, depois a da Jéssica, cuidadosamente elaboradas para explicar sua ausência, para reforçar a ilusão de sua devoção. Eles eram uma equipe, uma máquina de engano bem lubrificada. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, eu teria acreditado neles. Eu teria acreditado em cada mentira.

Uma onda de náusea me atingiu, pior do que qualquer enjoo de movimento. O mundo girou. Caí de joelhos, agarrando meu estômago, as lágrimas finalmente se libertando em uma torrente de agonia. A traição era tão profunda, tão absoluta, que parecia que minha própria alma estava sendo dilacerada.

"Como eles puderam?", solucei, as palavras engasgadas e cruas. "Como eles puderam fazer isso comigo?"

Então, um vislumbre de movimento. Um som fraco. Um murmúrio baixo de vozes, seguido por um latido suave e brincalhão. Enxuguei os olhos, minha visão embaçada, e olhei para cima.

Do outro lado do gramado bem cuidado, perto de um pequeno lago isolado, estavam o Eric e a Jéssica.

Eles estavam rindo, as mãos entrelaçadas, um retrato da perfeita felicidade doméstica. O Eric segurava um pequeno cachorro branco e fofo, da mesma raça que ele alegou ser "dele" no ano passado. A Jéssica estava fazendo carinho no animal, acariciando sua cabeça.

"Meu pestinha", disse a Jéssica, sua voz carregada pela brisa suave. "Você está ficando tão grande. Parece que foi ontem que te trouxemos para casa."

O Eric se inclinou, beijando sua têmpora. "Ele só precisava de um lar amoroso, como o que demos a ele. E agora, ele terá uma mamãe e um papai que o amam."

Ele a encarou, seus olhos cheios de uma adoração que revirou meu estômago. "Não acredito que quase tivemos que doá-lo se você tivesse ido para aquela outra universidade. Graças a Deus você ficou."

A Jéssica suspirou dramaticamente, encostando-se nele. "Foi difícil, amor. Pensar em te deixar, deixar nossa pequena família. Mas foi tudo por você, pelo nosso futuro. Eu sei que sua mãe quer que você se case com a Clara, e sei que ela tem o dinheiro para te ajudar na faculdade de direito. Mas... nós dois sabemos a quem seu coração pertence."

"Sempre a você, meu amor", sussurrou o Eric, sua voz embargada de emoção. "Sempre a você. Não importa o que eu tenha que fazer fora daqui, você é a minha única."

Minha respiração falhou. Minha piada de "caixa eletrônico" — não era uma piada. Era uma verdade brutal e desumanizante. A mãe dele, pressionando-o a se casar comigo pelo meu dinheiro. E a Jéssica, a mulher que ele realmente amava, a mulher por quem ele estava disposto a me enganar.

"Só espero que a Clara não cause muitos problemas", disse a Jéssica, sua voz tingida de uma falsa preocupação que me deu arrepios. "Eu sei que ela é sua benfeitora, mas... quando nos casarmos, você não vai mais precisar dela, certo?"

O Eric a puxou para mais perto, sua mão acariciando sua bochecha. "Não se preocupe, meu amor. Tudo vai dar certo. Eu te pedi em casamento hoje, não pedi? Isso significa alguma coisa."

O sorriso da Jéssica era triunfante. "Significa tudo, Eric. Significa que você é meu."

Eles se beijaram então, um abraço longo e apaixonado, completamente alheios à minha presença, à mulher cuja vida eles estavam sistematicamente desmantelando. Minhas unhas cravaram em minhas palmas, desenhando marcas em forma de crescente na minha pele. O pirulito, ainda agarrado na minha mão, era agora uma bagunça pegajosa e esmagada.

Meu rosto queimava de vergonha e uma raiva crescente. Lágrimas rolaram pelas minhas bochechas, mas não eram mais lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de fúria pura e inalterada. A doçura enjoativa do doce esmagado na minha mão de repente pareceu repulsiva. Joguei-o no chão, observando-o se espatifar contra o caminho imaculado.

Eu não ficaria aqui mais um segundo. Virei as costas para a exibição doentia deles, meus passos decididos, meu coração endurecendo a cada batida. Eu voltaria para o Rio. Não quebrada, não derrotada, mas com um novo fogo nos olhos. Eu tinha vindo cheia de esperança e um sonho tolo de para sempre. Eu estava partindo com a determinação de queimar o mundo deles, assim como eles queimaram o meu.

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