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Capa do romance Meu Verdadeiro Norte Após a Enganação Deles

Meu Verdadeiro Norte Após a Enganação Deles

Após financiar os estudos de Eric por quatro anos, viajei para São Paulo para pedi-lo em casamento. No entanto, flagrei-o pedindo a mão da minha melhor amiga, Jéssica. No hospital, descobri que viviam juntos há dois anos com meu dinheiro. Humilhada pela sogra, que me via apenas como um caixa eletrônico, percebi que sustentei a traição deles. Agora, armada com provas de toda a farsa, decidi abandonar a ingenuidade para destruir o futuro perfeito do casal.
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Capítulo 3

A viagem para casa foi um borrão, um pesadelo sufocante de ar turbulento e uma mente ainda mais turbulenta. O sono, quando finalmente me pegou, foi um algoz cruel. Imagens do Eric e da Jéssica, entrelaçados e rindo, passavam por trás das minhas pálpebras. O cachorro deles, aquele que eu financiei sem saber, brincava ao redor deles. Eu os via compartilhando refeições, compartilhando segredos, compartilhando suas vidas – vidas das quais eu deveria fazer parte. Cada detalhe íntimo que eu testemunhei se repetia em um loop infinito, cada quadro mais doloroso que o anterior.

Acordei com um sobressalto, meu corpo rígido, um suor frio colando meu cabelo na testa. Meu travesseiro estava encharcado, não apenas de suor, mas de lágrimas amargas e silenciosas. Meus amigos, que esperavam meu retorno, correram para o meu lado, seus rostos marcados pela preocupação.

"Clara! Você finalmente acordou!" disse a Ana, alívio inundando sua voz. "Você está bem? Você estava gritando enquanto dormia."

"O que aconteceu?" perguntou o Léo, a testa franzida. "O pedido de casamento deu certo? Estamos morrendo de vontade de ver fotos, vídeos!"

Uma dor aguda atravessou minha cabeça, uma pulsação surda atrás dos meus olhos. As perguntas casuais, a antecipação ansiosa por notícias do meu "noivado", pareciam uma ferida fresca. Eu mantive meu plano em segredo, querendo surpreender a todos com a notícia alegre. Agora, a surpresa era para mim, e foi um soco no estômago que me deixou sem fôlego.

"O pedido..." comecei, minha voz rouca, e então parei. Como eu poderia contar a eles? Como eu poderia articular a devastação pura do que eu tinha testemunhado? Que meu amor, minha lealdade, todo o meu futuro tinham sido uma mentira cuidadosamente construída?

Forcei um sorriso frágil, uma máscara para esconder a ferida aberta em minha alma. "Não saiu como planejado", consegui dizer, as palavras com gosto de cinzas. "O Eric e eu... nós conversamos. Decidimos dar um tempo." Era uma mentira, uma tentativa patética de salvar as aparências, de poupá-los do horror da verdade.

Meus amigos, sentindo minha angústia, trocaram olhares preocupados, mas não insistiram. "Ah, querida", disse a Ana, me puxando para um abraço gentil. "Seja o que for, estamos aqui para você." Eles ficaram por um tempo, oferecendo conforto, depois saíram lentamente, me dando o espaço que eu tão desesperadamente desejava.

Eu não conseguia contar a eles. Ainda não. A vergonha, a humilhação, a magnitude pura da traição era pesada demais para compartilhar. Parecia um segredo venenoso, queimando um buraco no meu peito. Minha cabeça latejava, uma batida de tambor implacável de dor.

Arrastei-me para fora da cama, um zumbi alimentado pela raiva e uma necessidade desesperada de ar. Enquanto eu estava na varanda, escova de dentes na mão, olhando para o familiar horizonte do Rio, meu telefone tocou. Eric.

A foto na tela o mostrava segurando minha caneca de café favorita, aquela que eu deixei no apartamento dele meses atrás. Seus olhos, geralmente tão quentes e amorosos, agora pareciam conter um vazio arrepiante. Um arrepio percorreu minha espinha. Como ele ousa? Como ele ousa aparecer na minha vida, depois do que eu vi, depois do que eu ouvi?

Ele estava ligando, sua voz tingida de falsa preocupação. "Clarinha? Você está bem? Seus amigos me disseram que você desmaiou. O que aconteceu? Fala comigo."

Ele estava de volta à sua persona cuidadosamente elaborada, o namorado dedicado, o parceiro preocupado. Ele tinha acabado de estar com a Jéssica, sussurrando palavras doces, planejando o futuro deles, e agora ele estava aqui, agindo como se nada tivesse acontecido. Era doentio.

Meus amigos, ouvindo a voz do Eric, aplaudiram de dentro. "Vai lá, Clara! Ele parece preocupado até a morte!"

Desci as escadas mecanicamente, meus pés descalços batendo no piso frio com um baque surdo. O Eric correu em minha direção, as sobrancelhas franzidas. "Clara! Por que você não está usando sapatos, meu bem? Você vai pegar um resfriado." Ele me pegou no colo sem esforço, me levando para o sofá macio, seu toque agora parecendo totalmente repulsivo.

"Você é tão descuidada às vezes", ele repreendeu gentilmente, sua voz tingida de falsa afeição. "Mas não se preocupe, quando estivermos morando juntos, vou me certificar de que você nunca mais esqueça seus sapatos."

Suas palavras, destinadas a serem reconfortantes, eram uma piada cruel. Morando juntos? A ironia era um gosto amargo na minha boca. Ele estava morando com a Jéssica. Ele estava há anos.

Ele notou meu silêncio, minha postura rígida. "O que há de errado, meu bem? Você está brava comigo? É porque eu não atendi suas ligações ontem à noite? Eu te disse, eu estava comemorando e bebi demais. Sinto muito, Clara. Sinto muito mesmo." Ele acariciou meu cabelo, seu toque enviando arrepios de nojo pela minha espinha. "Eu até te trouxe sua cheesecake favorita daquela confeitaria, e essas rosas lindas." Ele gesticulou para uma caixa na mesa de centro.

Meu controle se quebrou. A cheesecake, as rosas, o falso remorso — era tudo demais. Peguei a caixa de cheesecake e a atirei nele, a sobremesa cremosa se espalhando por sua camisa branca impecável. Então peguei as rosas, seus espinhos picando minha pele, e as atirei também, as pétalas se espalhando como meus sonhos despedaçados.

"Você acha que eu sou uma idiota, Eric?!" As palavras rasgaram minha garganta, cruas e angustiadas. "Você acha que eu sou uma idiota cega e estúpida?!" Minha voz estava tremendo, meu corpo tremendo com uma raiva que eu não sabia que possuía.

Ele ficou ali, atordoado, cheesecake escorrendo de seu rosto, pétalas de rosa grudadas em seu cabelo. Meu olhar, no entanto, estava fixo em sua mão esquerda. Brilhando em seu dedo anelar estava uma aliança simples de prata. Um anel de compromisso. O mesmo que eu tinha visto no dedo da Jéssica naquelas fotos no celular secreto dele. A promessa deles.

Uma percepção fria e dura se instalou em meu estômago. Ele não estava apenas me enrolando por dinheiro. Ele estava ativamente mantendo uma vida dupla, usando um símbolo de seu compromisso com a Jéssica, mesmo enquanto fingia devoção a mim.

O Eric lentamente limpou a cheesecake do rosto, um sorriso ensaiado retornando. "Clara, o que deu em você? Você está se sentindo mal? É estresse do trabalho? Me diga, meu amor. Estou aqui para você. Vamos superar qualquer coisa, juntos." Ele deu um passo em minha direção, sua mão se estendendo. "Podemos fazer aquela viagem no próximo mês, ir para um lugar tranquilo, só nós. Vou buscar mais dos seus lanches favoritos, ok? Eu até comprei umas roupas novas para a Jéssica, ela estava querendo há séculos, você sabe como é difícil fazer ela comprar coisas para si mesma."

Aquele nome. Parecia uma faca girando na ferida. Roupas novas para a Jéssica, compradas com meu dinheiro, enquanto ele me prometia um futuro que não existia. Ele se virou, presumivelmente para se limpar, ou para buscar mais itens de 'conforto'.

Eu me movi antes que pudesse pensar, minha mão disparando e conectando com sua bochecha com um tapa retumbante. O som estalou no silêncio da sala, nítido e decisivo.

"Você é um sem-vergonha, Eric Vasconcelos", cuspi, minha voz mal um sussurro. "Além de nojento."

O mundo girou. A raiva, a dor, a humilhação — era tudo avassalador. Minha visão embaçou, meus joelhos cederam. Senti-me caindo, caindo em um abismo sem fundo. O Eric, assustado com o tapa, instintivamente estendeu a mão, me pegando pouco antes de eu atingir o chão. Mas seu toque, antes um conforto, agora parecia uma violação.

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