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Capa do romance Meu Vagabundo

Meu Vagabundo

Polyana, uma jovem privilegiada de 16 anos da Zona Sul carioca, vê seu destino mudar ao ser salva de um perigo por Lucas. O rapaz de 20 anos, marcado por dificuldades, acabou de ingressar no tráfico em busca de uma vida melhor. Apesar das diferenças, uma paixão avassaladora nasce entre eles. Contudo, após encontros intensos e uma gravidez inesperada que os une para sempre, Polyana escolhe partir em segredo, deixando seu herói do crime para trás.
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Capítulo 2

Poly

Acordei, com vontade de dormir de novo. Escutar a voz do meu ex namorado o Gustavo me dá enjôos. Ele é um metidinho filhinho de papai que faz faculdade e se acha o mais culto de todos. Não sei como aguentei isso por longos seis meses.

Abri a minha janela e vi que a praia já estava cheia, o quiosque que tem na frente do meu prédio estava rodeado de gente.

Fingi ainda estar dormindo e fiquei no meu quarto até não ouvir mais a voz do Gustavo, quando sai do meu quarto, para minha surpresa ele ainda estava lá, e almoçando.

— Boa tarde! — Disse com cara de nojo para ele perceber que eu não estava nada confortável cm ele ali.

— Boa tarde querida .. Como você está? — O fato de ele ainda me tratar como se tivéssemos algum relacionamento me deixava cada vez mais enojada.

— Não me chame de querida. A propósito estou ótima. — Meu pai saiu da sala e foi para o quarto dele sem falar nada.

Achava ele que se eu tivesse um conversa com Gustavo tudo se resolveria e a gente ia noivar, casar, ter filhos e ser felizes para sempre. Mal sabe ele que se um dia eu tivesse que voltar para Gustavo, eu fugiria de casa.

— Olha não faz assim, eu sei que você ainda gosta de mim. — Me sentei em uma cadeira para pegar minha comida.

— Aaaaaah gosto, gosto muito. — Ironizei revirando os olhos, ele veio para trás de mim me abraçando.

— Há há. Sabia. — Beijo minha bochecha e eu o empurrei com desgosto.

— Paciência Deus. É só isso que eu te peço, paciência.

Gustavo ficou o dia inteiro na minha casa graças ao meu pai. Mais eu não volto com ele nem obrigada. Gustavo, só tinha cara de bom moço, mas não passava de um preconceituoso interesseiro. Não que eu fosse apaixonada por ele, mas ele me traiu diversas vezes.

Eu sabia que ele também não gostava de mim, mas ele queria continuar com essa baboseira por negócios, por dinheiro. Tem mais de um mês que estamos separados e ele não desiste. Vai na minha casa quase todos os dias, e isso só me deixa com mais raiva dele.

Era 00:00 e quando ele finalmente se tocou que era hora dele se mandar. Meu pai mandou eu ir levar ele até a portaria. E eu tive que levar mesmo com desgosto.

Chegamos lá e ele me abraçou de lado me dando um beijo na cabeça.

— Saí Gustavo, que saco. — Empurrei seu braço.

— Deixa de ser marrenta garota. — Tentou me puxar novamente.

— Você é ridículo. Acha mesmo que vindo aqui na minha casa sempre, me dando seus presentinhos, e babando o ovo do meu pai, eu vou aceitar voltar com você? Se enxerga Gustavo. Sou nova mais não sou boba. Não vou me casa nunca com você.

— Mas é claro que vai. Nascemos um para o outro esse é o seu destino.

— Meu destino é enfiar a mão na sua cara e não vai demorar para mim cumprir isso. Vai embora, e de preferência, encontre outra trouxa para cair na sua lábia.

— Eu vou embora, mais não pense que eu vou desistir de você. — revirei os olhos e o vi partir.

Não queria subir para o apartamento, tava com muita raiva do meu pai, por ele insistir em algo que não me deixa feliz, insistir em algo que não me faz bem.

Atravessei a rua e fui para praia, me sentei em um banquinho em frente ao quiosque. Ainda tinha um menino lá trabalhando, ele estava fechando o quiosque pra ir embora provavelmente já que não tinha mais ninguém na praia.

Ouvi uns ruídos de conversa e risadas altas que me assustaram, olhei para o lado de onde vinha um grupo de garotos, que conversavam e todos me olhavam.

Fiquei muito amedrontado, e comecei a tremer, suar. Me levantei do banquinho quando vi que o grupo estava vindo mais rapidamente em minha direção. Foi rápido, logo senti uma mão segurar meu braço, e me puxar para o lado oposto do grupo.

— Para me solta.— Não sei o que aconteceu com minha voz, já que ela saiu baixa e fraca. — Eu vou gritar me solta.

— Cala boca porra! Vem, eu vou te levar pra casa. — Falou ignorante me empurrando.

— Me solta. — O cara quer me sequestrar é isso?

— Eu não quero te assaltar não doida.— Me parou e segurou nos meus dois braços me olhando fundo dos olhos. Ele é bem mais alto que eu, e mesmo com a camisa era possível ver alguma tatuagens. — Trabalho aqui no quiosque, sou honesto. Presta a atenção. Vem logo, onde você mora? — Apesar da abordagem, eu não estava com medo dele me matar a qualquer momento, então decidi contar.

— Moro aqui nesse prédio — Surpreendentemente ele não queria nada comigo.

— Boa noite. Vê se não dá mais mole da próxima vez jaé. — Falou depois de me colocar para dentro, e fechar o portão.

— Boa noite! — Quando ia agradecer ele já tinha virado as costas e ido embora.

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