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Capa do romance Meu Salário, Sua Humilhação

Meu Salário, Sua Humilhação

Miguel dedicou oito anos à Dança de Fogo, suportando humilhações e um salário de miséria sob o comando de Juliana Costa. Ao descobrir que um estagiário ganhava dez vezes mais que ele, sua dignidade foi estilhaçada. Rebaixado e usado como bode expiatório após salvar a empresa da falência causada por incompetentes, ele decide que basta. Entre o desprezo da chefe e o colapso da agência, Miguel pede demissão, pronto para virar o jogo contra quem o subestimou.
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Capítulo 2

Miguel Silva olhou para o número no canto do monitor do computador. Oito anos. Oito anos completos naquela agência, a Dança de Fogo. Oito anos de dedicação, de noites viradas, de projetos que salvaram a pele da empresa inúmeras vezes. E por tudo isso, seu salário continuava o mesmo, congelado no tempo, uma piada de R$ 3.000 por mês. Um valor que mal pagava suas contas em São Paulo. Ele sentia a injustiça corroer seu estômago todos os dias, mas continuava ali, esperando por um reconhecimento que nunca chegava.

A porta do escritório de sua chefe, Juliana Costa, se abriu com um rangido.

"Miguel, na minha sala. Agora."

A voz dela era fria como sempre. Miguel respirou fundo. Era a nonagésima nona vez que ele tentaria. Ele se levantou e caminhou até a sala dela, sentindo os olhares curiosos dos colegas. Ele sabia o que eles estavam pensando. Lá vai o Miguel de novo, ser humilhado mais uma vez.

Juliana estava sentada atrás de sua mesa de vidro, imponente. Ela nem o convidou a sentar.

"Juliana, eu gostaria de conversar sobre meu salário novamente."

Ela soltou uma risada curta e debochada.

"De novo essa história, Miguel? Você não se cansa?"

Ela se levantou, contornou a mesa e parou na frente dele. Ela era mais baixa, mas sua atitude a fazia parecer um gigante.

"Eu já te disse que a empresa não tem condições. Você deveria ser grato por ter um emprego."

Então, ela fez o gesto que ele mais odiava. Levantou o dedo indicador e deu um peteleco em sua testa.

"Coloque isso na sua cabeça. Você não vai conseguir um aumento."

Miguel cerrou os punhos, sentindo o sangue subir ao rosto. A humilhação era pública, a porta da sala estava entreaberta. Ele engoliu em seco, a raiva e a impotência formando um nó em sua garganta. Ele pensava em todos os sacrifícios, nos fins de semana perdidos, nas férias adiadas. Tudo para quê? Para ser tratado como uma criança, como um idiota. Ele podia ouvir os sussurros do lado de fora, a voz de Lívia Ramos, a assistente bajuladora de Juliana, provavelmente se deliciando com a cena. Apenas Sofia Mendes, sua colega de baia, lhe lançou um olhar de solidariedade, um misto de pena e raiva compartilhada.

Ele voltou para sua mesa, derrotado. Tentou se concentrar no trabalho, mas as palavras de Juliana ecoavam em sua mente. Naquela noite, já em casa, exausto, seu celular tocou. Era Juliana.

"Miguel, preciso de você. O cliente do Grupo Esplendor está furioso com uma proposta, o prazo é para amanhã de manhã. Preciso que você refaça tudo. Agora."

"Juliana, são onze da noite."

"E daí? Você não quer que a gente perca nosso maior cliente, quer? A responsabilidade é sua, você era o designer principal nesse projeto."

Era uma mentira. Ele mal tinha tocado no projeto, que fora liderado por outro time. Mas Juliana era mestre na chantagem emocional. Sem escolha, ele ligou o computador novamente e passou a madrugada trabalhando, movido a café e frustração.

Na manhã seguinte, ele chegou na agência com olheiras profundas, mas com o projeto impecável em mãos. Entregou para Juliana, esperando, talvez, um mínimo de reconhecimento. Ela folheou os slides rapidamente, a expressão azeda.

"Humm... essa fonte aqui está um pouco conservadora demais. Você não tem mais criatividade, Miguel?"

Ele ficou sem palavras. Depois de uma noite inteira salvando o pescoço dela, era isso que ele recebia.

"Sabe qual é o seu problema, Miguel? Você não tem ambição. Oito anos aqui e continua o mesmo designerzinho medíocre. Se dependesse de gente como você, a empresa já teria falido."

Ela jogou a apresentação na mesa dele e voltou para sua sala, batendo a porta. Miguel ficou parado, o insulto pairando no ar como fumaça tóxica. A esperança que ele ainda nutria, por menor que fosse, morreu naquele instante.

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