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Capa do romance Meu Rei Lobisomem

Meu Rei Lobisomem

Amanda, uma telepata de 18 anos de idade que podia ler a mente dos outros sempre que ela quisesse, o que foi mais uma maldição do que um presente para ela. Seus pais morreram em um acidente de carro há um ano, e assim, a primeira coisa que ela fez depois de completar o ensino médio foi mudar seu local de residência, mudando-se para uma pequena cidade chamada Caninos Perolados com sua tia. No entanto, havia algo estranho nesse lugar. O que foi mais estranho era que ela sentia uma atração inegável por um homem chamado Edgar. Ele a olhava profundamente como se conhecesse seus segredos mais profundos, mostrando-lhe seu maior cuidado. Até que, uma noite, ele veio e se inclinou para ela antes de sussurrar sedutoramente em seus ouvidos, "Olá, senhora. Vamos nos apaixonar um pelo outro."
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Capítulo 2

PONTO DE VISTA DA AMANDA:

Hoje foi o meu primeiro dia de universidade. Acordei cedo, tomei um banho e me vesti, escolhi um top curto que combinava com a jaqueta jeans lavada, um jeans de cintura alta e botas. Prendi o cabelo com um rabo de cavalo alto; estava pronta para a minha primeira aventura fora de casa, pronta para começar a minha nova vida.

Para ser honesta, estava muito nervosa. Não queria ler o pensamento das pessoas, que sempre foi a minha maior preocupação.

Sim, vocês acertaram, posso ler pensamentos. Às vezes, com uma boa concentração, consigo ler o pensamento das pessoas, com quase noventa e nove por cento de acerto.

É muito cansativo e na verdade, absolutamente irritante.

Pois sempre sinto que estou invadindo a privacidade de alguém e não gosto dessa ideia.

Com 16 anos de idade, não tinha amigos, pela simples razão de que sempre encontrava algum defeito na atitude das pessoas e no pensamento delas, quando os lia.

Por causa disso, tento controlar esse dom, ou maldição, ao máximo que posso. Agora só leio os pensamentos de alguém quando quero.

Porém antes não tinha nenhum controle sobre isso e na maioria das vezes, voltava para casa gritando de dor e agoniada por causa da minha cabeça latejando, com uma pressão insuportável.

Dei um belo suspiro antes de trancar a porta, e enfim, respirar o ar fresco.

A universidade não ficava muito longe da casa de Bárbara, apenas uns dez quilômetros. Assim que, decidi ir caminhando.

Caminhar sempre me ajudou a clarear a mente, e olhando para a floresta e este lugar naturalmente lindo, estava me sentindo mais à vontade.

Conectei os meus fones de ouvido, estava ajustando as minhas músicas favoritas, quando vi um borrão passando na minha frente. Parecia a silhueta de um animal gigante.

Pausei a música, e olhei para a minha esquerda, estava nervosa, mas não vi mais nada suspeito ou qualquer sinal de um grande animal daquele lado.

'Foi apenas imaginação', disse para mim mesma.

Talvez, porque este lugar se chama Caninos Perolados e Bárbara costumava contar histórias sobre por que esta cidade tinha recebido esse nome, e agora, estou imaginando coisas.

Lobos que vivem com humanos como amigos? Sério? Por favor, não me faça perder tempo com besteira!

Olhando para o relógio, que era um presente da minha mãe, percebi que só tinha meia hora para chegar na universidade, portanto, achei melhor fazer o resto do caminho correndo.

No entanto, a imagem daquela figura borrada não parava atormentar a minha cabeça.

Ao chegar à universidade, fiquei surpresa com o tamanho do prédio. Não sei por que uma universidade tão grande e com boa reputação não é popular e ainda por cima, fica em uma cidade isolada como esta.

Bárbara disse que existe um processo rigoroso para aceitar alunos, e os critérios dessa seleção são um mistério para todo mundo.

E aproveito agora para deixar uma coisa clara, não sou um tipo de pessoa estudiosa, embora meu QI seja sempre estado considerado mais alto do que a média, o que torna mais fácil para mim conseguir boas notas.

"Ei! Amanda, certo?"

Me virei para ver quem estava me chamando e dei de cara com Marcelo caminhando com os seus amigos na minha direção.

"Sim. Você é o Marcelo, correto?"

"Sim! Isso mesmo. Da outra vez, você saiu tão apressada. Vou apresentar os meus amigos para você. Esta é Felipa, este é Luca, este é Mateus, esta é Iara e esta é Carol. E os dois caras que estão correndo, vindo na nossa direção, são Gael e Davi." Ele disse o nome de todos os seus amigos para mim.

Apenas olhei com um sorriso tímido para todos eles, antes de falar o meu nome.

"Sou Amanda, Amanda Costa."

Dito isso, me virei e ia continuar caminhando até a minha sala de aula, quando senti uma mão pesada sobre o meu ombro.

'Vamos falar sobre espaço pessoal?' Pensei, revirando os olhos.

"Agora, você mora na nossa cidade e temos uma regra que diz que ninguém deve ser deixado sozinho. Se você é um tipo de geek, que gosta de viver em uma bolha, você está no lugar errado, querida. Por isso, é que temos o orgulho de incluí-la no nosso grupo." Gael disse para mim.

Olhei para os demais, que estavam apenas sorrindo, e balançando a cabeça para ele. Na verdade, foi muito gentil da parte deles, me incluir no grupo, considerando que eles não sabiam nada sobre mim e nem sequer tinha perguntado.

"Ha, ha, ha... Ele está certo. Ouvimos falar de você. Recentemente, você se mudou para cá, para prosseguir os seus estudos, porque queria estudar em um lugar mais tranquilo. No entanto, não gostamos que ninguém que more na nossa cidade fique sozinho e na sombra, e faremos o possível para tirá-la da sua concha. Porque acreditamos que somos uma família." Marcelo disse olhando nos meus olhos, como se conhecesse os meus segredos mais sombrios e profundos.

Interrompendo a 'competição' de encarar, ele olhou para o telefone dele e depois para os seus amigos, antes de gritar:

"Pessoal! Adivinha, o quê? Edgar está voltando de viagem. Deve chegar amanhã à noite ou depois de amanhã. Vamos ter que celebrar, não é?"

Todos começaram a vibrar com a menção dessa tal pessoa voltando, Edgar; e eu, sem saber o motivo, senti um arrepio correr pela minha espinha.

Esse nome, porque estava me fazendo ter um pressentimento estranho.

Chegar até a sala de aula foi uma tarefa árdua para mim.

Mesmo caminhando com esse grupo, algumas pessoas me deram tapinhas e comentavam sobre a minha presença.

O que foi muito pior foi que, para evitar esses comentários, tive que me concentrar na minha caminhada, o que resultou em escutar os pensamentos das pessoas sobre mim, e alguns deles não eram nada agradáveis.

Um estava até pensando no corredor que eu poderia ser a sua noiva. O que me fez rir por dentro.

Tenho cabelo castanho longo e natural, que chega até abaixo do meu quadril, e com bastante volume. Peso 60 quilos e o meu peso está bem distribuído, as minhas curvas, digamos, estão onde devem estar.

Não sou magra e nem gorda, tenho o peso ideal para a minha altura. Os meus olhos são castanho âmbar, que sob a luz do sol, parece amêndoa.

Para ser honesta, estava acostumada a receber aqueles olhares de simpatia, uma vez, quando tive uma vida em que era uma garota festeira, uma garota com quem a maioria dos caras da minha escola queria sair.

"Você ganhou alguns fãs, Amanda!" A garota, acho que se chama Felipa, disse, enquanto batia no meu ombro de brincadeira.

"Eu não entendo, sinceramente, estou andando com as garotas mais lindas que já vi, então por que todos esses olhares sobre mim?" Perguntei sinceramente confusa.

Aos meus olhos, sou uma garota comum, e comparada com as garotas gostosas que estavam do meu lado, provavelmente parecia uma mendiga andando com celebridades.

Por que aqueles caras nem olhavam para elas? Eles sofrem de miopia ou sei lá que tipo de problema de visão?

"Ha, ha, ha, isso é porque as garotas já têm namorado", Davi disse, como se estivesse irritado com o fato de que ele ainda não tinha namorada.

"E claro, porque você é tipo carne fresca na cidade, agora." Mateus disse, ganhando um olhar furioso do Marcelo.

Fiquei sem graça com o comentário dele. Ele estava usando a mesma frase que usei para me descrever quando conversava com Bárbara.

Entrei na sala de aula com Marcelo, Felipa, Luca e Gael porque tínhamos o mesmo horário com o mesmo professor.

Antes que tivesse a chance de colocar o meu livro sobre a mesa, um cara parou do meu lado do nada e perguntou:

"Ei, querida! Você é gostosa! O que você acha de vir à minha festa hoje à noite na praia? Vamos nos divertir muito com tudo o que você possa imaginar. E nós dois também podemos nos divertir juntos um pouco, se você quiser." Ele sugeriu.

Olhei para os olhos dele e pude ler os seus pensamentos desagradáveis sobre mim, o que me fez sentir enojada.

Queria revirar os meus olhos e ranger os dentes. Como assim? Você precisa mesmo ir direto ao ponto?

Vi quando o Marcelo se levantou da sua cadeira e veio na nossa direção, com uma expressão de raiva no rosto, talvez sua intenção fosse me defender.

Olhei para o cara e respondi educadamente.

"Desculpe, senhor! Você também é bonito, mas só quero usar os meus órgãos reprodutivos com alguém que queira reproduzir. E você certamente não é essa pessoa." Disse fazendo cara feia para que ficasse clara a minha insatisfação.

Todos que estavam ao meu redor olharam para mim como se eu tivesse duas cabeças. De repente, o bate-papo que tinha dentro da sala em todos os cantos, parou e deu lugar a um silêncio mortal, até que Gael começou a rir.

Ele estava rindo tanto que poderia ter caído da cadeira, se não fosse por Luca usando a mão para segurá-lo.

Todos na sala estavam rindo da minha resposta.

Não entendi o que tinha de tão engraçado no que falei, quer dizer, apenas recusei um convite de maneira educada. E na verdade, não foi fácil chamá-lo de bonito.

Revirando os olhos para a sua figura furiosa se afastando de mim, abri o meu livro e me concentrei no texto que estava escrito nele, mantendo a minha barreira mental, porque não queria escutar o pensamento de mais ninguém.

Nas três aulas seguintes não aconteceu nada de especial, somente os professores que me lançavam um olhar estranho, assim que notavam a minha presença, e provavelmente, porque não estavam acostumados a ver gente nova na cidade.

Eu não entendo isso.

Bem, esta cidade é rodeada de florestas, é um lugar muito seguro para viver, mesmo com todos aqueles rumores sobre lobos e animais selvagens, mesmo assim é muito bonita.

A minha caminhada para a universidade foi muito tranquila.

Estava sentada na cantina com o tal grupo, ao qual fui adicionada sem ser perguntada se gostaria, embora não me importasse com isso, e já até meio que gostava deles.

Eles eram como uma rajada de vento fresco na minha vida. E o mais importante, eles não eram do tipo críticos ou intrometidos.

Estava ocupada tomando o meu milkshake de chocolate, enquanto Gael e Luca estavam ocupados recriando a cena em que rejeitei aquele garoto na sala de aula.

Ainda não tinha conseguido descobrir o que tinha de tão errado com o que falei. Sei que fui muito direta, mas não acho que fui rude ou algo parecido.

"Ha, ha, ha... Isso é muito engraçado, gostaria de estar lá para presenciar a cena com os meus próprios olhos. Aqueles gambás estavam muito orgulhosos de pegarem tantas garotas. É bom ver alguém os rejeitando." Mateus disse rindo.

"Você é uma garota muito atrevida, tenho que admitir", Felipa disse rindo junto com ele.

"Verdade. Pela cara dela, alguém poderia imaginar que ela sairia com uma resposta daquela? E mais, dizendo com suaves desculpas. Você nos surpreendeu." Iara disse piscando para mim.

"Está bem, parem com isso, pessoal! Olhem para o rosto dela, ela está ficando vermelha com toda essa atenção. Vamos mudar de assunto agora." Marcelo tentou me salvar.

Sorri para agradecê-lo.

O resto do dia passou muito rápido, nem senti.

Na volta para casa, decidi fazer o caminho do bosque. Não sei por quê, mas senti que algo estava me chamando, e sendo a idiota que sou, segui o meu coração, embora a minha mente soubesse que o que estava fazendo era perigoso.

Sim, provavelmente estava agindo como a heroína daqueles filmes infantis, que sabe que há perigo lá fora, mas ainda assim, vai para a floresta, porque provavelmente é burra demais.

Dizendo para mim mesma que era o caminho mais curto, três ou quatro quilômetros para chegar em casa, comecei a caminhar junto às árvores altas com os fones de ouvido ligados. Coloquei o volume no mínimo para que pudesse escutar qualquer outro barulho perto de mim.

Ainda não estava escuro, eram apenas quatro horas da tarde e, portanto, eu tinha muito tempo para passear. Então, decidi dar uma olhada no lago, que Bárbara tinha me falado sobre ele uma vez.

Quando cheguei perto do lago, inalei profundamente o cheiro fresco da água, solo úmido e o perfume das flores.

Era um cenário lindo.

Depois de ficar admirando a natureza por uns dez minutos, decidi que era hora de voltar para casa, e também, porque senti um arrepio percorrendo a minha espinha.

Suspirei alto e comecei a caminhar na direção da minha casa, prometendo para mim mesma nunca mais voltar naquele lugar.

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