
Meu Rei Lobisomem
Capítulo 3
PONTO DE VISTA DE EDGAR:
Enquanto enviava uma mensagem para o meu alfa-beta Marcelo, me recostei mais relaxado na cadeira. Não queria dizer a ele que já estava na cidade, num chalé de madeira nos limites dela, nos últimos dois dias.
Não queria alertá-los, de forma que pudesse observar como estava a segurança da minha matilha e como as coisas haviam sido administradas durante minha ausência.
Sabia que meu pai estava lá para guiá-los durante esse período, mas também sabia que ele confiava demais no alfa-beta. E eu queria ver se ele era digno desse cargo na matilha ou não.
Esse foi o único motivo pelo qual escolhi ficar no chalé e também, para relaxar um pouco.
No entanto, agora me sentia um pouco confuso e a expectativa de encontrar minha companheira aumentava a cada segundo, desde que havia captado seu cheiro intoxicante em algum lugar.
Não sabia exatamente o que era, mas estava farejando esse aroma atraente próximo da cidade ou mesmo dentro dela, sem conseguir descobrir de onde vinha. Já havia tentado perseguir sua origem algumas vezes, porém sempre o perdia após algum tempo, o que estava deixando meu lobo louco.
Para um lobo, ser incapaz de rastrear alguém ou algo pelo cheiro era motivo de grande vergonha, uma vez que era dessa dessa maneira que capturávamos caça e protegíamos nossos entes queridos.
Por isso, minha outra metade estava no limite, agoniado de não saber exatamente que cheiro era esse.
Sim, isso mesmo.
Sou um lobisomem e por sinal, bem forte.
Todos nós fazemos parte de uma matilha de lobisomens e não, não é fantasia, nós existimos mesmo. Contudo, devido ao convívio natural que surgia entre nós e humanos, ninguém nunca suspeitou de nada.
Do xerife da cidade, passando por professores e até estudantes e outras pessoas, todos éramos lobisomens iguais a mim e parte da minha matilha. Estamos espalhados pelo mundo inteiro, sendo muito difícil distinguir um de nós de um humano se não nos revelarmos.
Queria um tempo dos meus deveres de alfa. O trabalho estava mais intenso nos últimos dias por causa de intrusos que assolavam outras matilhas, o que fazia seus alfas me pedirem ajuda e sugestões, além da pressão constante dos meus pais em encontrar uma companheira para mim.
Às vezes só queria gritar para que eles parassem com isso e me dessem tempo para respirar, mas também não podia culpá-los por isso. Afinal, eu não sou um alfa normal, para começo de conversa. Sou o rei-alfa e estou acima de todos os outros. Todos olham para mim buscando um espelho para muitas decisões importantes, não só sobre suas matilhas, mas também sobre assuntos do dia-a-dia. E um rei alfa sem sua luna era como um rei alfa com apenas metade da sua capacidade.
Além disso, eu também queria muito encontrá-la, a minha companheira. Já havia passado da idade certa para isso fazia dois anos e agora, estava um pouco angustiado com esse tópico da minha vida.
Havia escutado histórias de outras pessoas que não encontraram suas companheiras em suas vidas e precisaram se contentar com alguém que não era seu par para compensar.
Eu não queria isso, queria me estabelecer e ter quatro, não, oito filhos com a minha companheira.
Às vezes me pegava imaginando, como será que ela é? Seria parte da comunidade de lobisomens ou uma humana normal?
Isso também era uma verdade. Podíamos desposar humanas como companheiras. E, na última década, os casos de humanos casando com lobisomens, fossem eles homens ou mulheres, eram mais comuns do que casamentos entre lobisomens.
Aparentemente a Deusa da Lua queria que as nossas duas espécies convivessem pacificamente.
Me inclinei para trás na cadeira, fechando meus olhos e me concentrando naquele cheiro que me chamou atenção.
Antes que pudesse relaxar completamente, uma lufada de vendo invadiu a cabine e senti exatamente esse aroma intoxicante vindo de algum lugar nas proximidades.
Meu lobo ronronou satisfeito, me instigando a sair rapidamente e encontrar a pessoa a quem pertencia esse cheiro.
Me metamorfoseando rapidamente em lobo, pulei para dentro da floresta, amplificando meu faro para encontrar a trilha da pessoa. Senti que o aroma ia se esvaindo a cada segundo que passava, o que foi deixando meu lobo ansioso novamente.
Fui até o lago para tentar me acalmar, porém ao chegar lá... senti o mesmo odor intoxicante e agora parecia vir de dentro da cidade. Meu lobo começou a ficar com raiva de mim.
'Está bem, está bem. Vou encurtar o período que passaria observando e entrarei na cidade para ver quem é essa pessoa', disse para meu lobo antes de voltar para a cabana e me transformar em humano novamente.
Aparentemente minhas férias tinham acabado.
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