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Capa do romance Meu professor pervertido

Meu professor pervertido

Apaixonar-se por um docente parecia uma loucura impossível, mas a beleza do professor Clark tornou esse sentimento inevitável. O que começou como uma rotina acadêmica comum evoluiu para um desejo proibido que ameaça a estabilidade de ambos. Entre encontros intensos e uma turbulência de emoções, eles mergulham em um romance arriscado que desafia normas. Resta saber se esse laço ardente conseguirá superar os obstáculos e as barreiras impostas pela sociedade.
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Capítulo 3

Passei tempo demais correndo com a papelada e esqueci que depois do turno eu precisaria voltar para a faculdade, talvez Mike estivesse certo, diminuir um pouco das horas que eu estendia do plantão poderia me ajudar.

Corri pelo campus tendo certeza de que eu perdi algumas das minhas canetas durante a maratona, perderia o início da aula e isso seria péssimo para o meu currículo estudantil.

Esqueci dos elevadores e corri pelas escadas na expectativa de encontrar a sala em seu estopim de conversas fiadas e falta de um professor dentro da classe.

— Não diagnostiquem imediatamente. O maior erro do médico é achar que ele entende mais do que os estudos feitos durante décadas, você não é especial e não deve se achar o maioral quando estiver com as maiores cartas na manga para dar a sentença para seu paciente. — Eu abri a porta no meio da explicação, Não olhei para o rosto do Sr. Clark que pausou drasticamente suas palavras até que minha bunda estivesse presa a cadeira. — Vocês precisam de limites, seu diagnóstico deve ir além das vozes da sua cabeça. Você pode acabar com a vida de uma pessoa com um diagnóstico errado.

Tentei manter silêncio, o que eu menos queria era chamar ainda mais atenção depois do fiasco do meu atraso. Tirei os cadernos da bolsa e minhas suspeitas estavam certas, eu havia perdido as minhas canetas no caminho para a sala. Fechei os olhos e respirei algumas vezes antes de pesar minhas opções.

Pedir a Jess ou suas amigas, usar meu telefone para fazer as anotações — o que foi expressamente proibido pelo Sr. Clark —, ou apenas deixar passar a aula e tentar me lembrar dela mais tarde.

— Suponhamos que vocês estejam com problemas mentais, e, convenientemente, precisem passar com um psiquiatra. — A aula continuou e o Sr. Clark caminhou despreocupadamente pelos corredores das carteiras até que se posicionou ao meu lado. — Confiarão em seu diagnóstico precoce, ou pedirão exames para que seja mesmo que minimamente comprovado o que vocês supostamente tenham? — Lentamente, ele mexeu no bolso de seu paletó acinzentado escuro e posicionou uma caneta ao lado do meu caderno enquanto parte da classe respondia sua pergunta. — Exatamente, o profissionalismo vem muito antes do seu achismo.

Pisquei algumas vezes para entender a situação, eu não havia demonstrado nada, sequer informado que não havia nada para que eu pudesse anotar de sua aula. Assim que cheguei, apenas retirei meus cadernos e os coloquei em cima da carteira.

Recebi um leve aperto em meu ombro e um olhar fuzilante de Jess e o bando da morte.

— Terminamos por hoje, nos vemos amanhã. Lembrando o que os informei no começo da aula, também darei a vocês filosofia nesse semestre e as regras durante a minha aula não mudarão.

Os alunos se arrumaram e lentamente foram saindo da sala, eu precisava enfrentar o olhar acinzentado e irrefutável do Sr. Clark, além de suas tietes que me comiam viva com os olhos, me levantei já sabendo que o restante da minha semana seria um doce tortura.

— Obrigada pela caneta, desculpe interromper a aula no meio, não irá mais acontecer.

Ele me entregou a folha de chamada e eu a devolvi após assiná-la.

— Trabalho, casa, faculdade. Me lembro como isso era na minha época, senhorita Taylor, já informei a você que relevo apenas os alunos que eu vejo potencial e que tenho certeza que finalizaram a pós. Mas deveria diminuir a quantidade de horas em seu turno, ou acabará perdendo não só as minhas aulas e sairá muito mais prejudicada do que imagina.

— Sim, eu sei. — Engoli o pequeno nó que se instalou na minha garganta. — Como eu disse, obrigada pela caneta, isso não irá se repetir.

Eu me sentia um tanto quanto histérica, e precisei respirar algumas vezes para manter meus batimentos cardíacos em sintonia com a minha respiração. Ele me fitou ligeiramente e sorriu criando poucas e finas marcas de expressão debaixo de seus olhos, estendi a caneta apenas esperando que ele pegasse para que eu pudesse sair o mais rápido possível dali, mas ele apenas tirou os óculos e passou a mão nos cabelos escuros.

— Leve-a, talvez assim se lembre de não chegar atrasada na próxima aula.

Eu tossi um obrigada e furei a fila de tietes que estavam logo atrás de mim travando a passagem para fora da sala de aula.

...

Me peguei mordendo a tampa daquela caneta, simplesmente pensando em absolutamente nada. Fiquei assim por algum tempo, pelo o que eu me lembre. Foi logo após assinar o prontuário de um dos meus pacientes, fiquei presa entre um limbo inconsciente e a visão fixa de um ponto negro na parede do quarto.

O cansaço estava agora tirando a minha atenção, se eu continuasse assim, talvez não poderia lidar com nenhum paciente. Mike tinha razão e eu odiava admitir isso.

Mas eu precisava do dinheiro que aquelas horas extras me pagavam, não era só pelo amor da minha profissão, claro que não. Estudar não era barato, principalmente na minha área e com um aluguel nas costas.

Mordisquei mais algumas vezes a caneta que ainda estava presa entre meus dentes. Eu precisava de um emprego que me pagasse melhor, mesmo amando meus pacientes eu tinha que pensar em como sobreviver antes que o dinheiro não desse mais para pagar nada além da faculdade. Era um jeito de conseguir me manter, mas, era ainda mais difícil conseguir uma vaga na área em que eu trabalhava.

— Os prontuários estão prontos? — Mordisquei um pouco mais ferozmente a tampa da caneta.

O som de suspiro pesado invadiu meus tímpanos e minha mente ignorou, aquele ponto negro na parede não deveria estar ali.

— Sarah? — O gosto do plástico era de algum modo, viciante, talvez fosse por isso que todos tinham essa mania irritante. — Sarah!

Pisquei mais vezes do que seria considerado normal, a Sra. Jones me encarava com uma carranca de fazer inveja aos amantes de filmes de terror. Os olhos fundos debaixo das pálpebras caídas eram apenas o charme do seu visual aterrorizante, a chefe das enfermeiras era um pouco mais alta do que eu e não admitia erros em sua supervisão.

— Estão aqui. — Entreguei os papéis e ela expirou com os lábios abertos. — Estão prontos desde cedo.

Ela me mediu com desdém como fazia todo santo dia e voltou para a sua sala, mau humorada, suspirei e fiquei apenas com a caneta na mão sentada na cama vazia do quarto. Hoje seria a última aula da semana com o Sr. Clark e eu me vi pensando em como eu devolveria para ele uma caneta com sua tampa completamente mordida.

Merda.

Tenho estado em um transe frequente nos últimos dias, e por vezes esses transes me traziam os olhos acinzentados quase beirando os azuis atrás daqueles óculos Ray-ban. Trauma, poderia ser claramente isso. Medo de não me dar bem o suficiente nas aulas dele por causa da pressão que ele tinha colocado em mim, inconscientemente.

Estava sendo obrigada a ser o exemplo da turma, e só agora, longe do olhar incisivo eu conseguia ver isso. Seria rude da minha parte se eu buscasse outro professor de Filosofia e Psicologia? Certamente que sim.

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