
Meu pequeno, meu Cupido
Capítulo 2
Sem hesitar, Allison pegou o bebê e olhou para a rua vazia, procurando por alguém que pudesse explicar por que o pequeno estava sozinho.
O pânico a consumia, sem saber o que fazer. Será que ela deveria pedir ajuda, ou talvez levar o bebê para o hospital mais próximo, ou seria melhor chamar a polícia?
Com o choro frenético, o bebê abria e fechava a boquinha, como se estivesse em busca de conforto. Allison passou as costas da mão pela bochecha dele, se surpreendendo com a maciez e o calor da pele sob seu toque.
Uma onda de desejo a invadiu, um desejo intenso e melancólico, pois era um bebê que ela tanto queria, mas o destino acabou entregando um a outra pessoa, que simplesmente o abandonou.
Ela pensou que o pobrezinho devia estar com fome, e isso explicaria o choro incessante.
De repente, ela avistou uma pequena bolsa ao lado do cobertor abandonado. Ao abri-la, encontrou uma lata de leite em pó, uma mamadeira e algumas fraldas. Era só isso? Não havia nenhuma carta, pista ou sequer um nome? Seu peito se apertou. Como alguém poderia abandonar seu filho tão facilmente?
Enquanto ela se perguntava, o choro do bebê se intensificou. Sem perder mais tempo, ela pegou a bolsa e levou o bebê para o andar de cima, decidida a alimentá-lo antes de qualquer coisa.
As antigas lições sobre cuidados com bebês voltaram à sua mente — ela já havia lido vários livros sobre o assunto, convencida de que precisaria deles quando tivesse um bebê com Kyle.
Depois de colocar o bebê no sofá, ela foi ferver água. Enquanto esperava, afrouxou cuidadosamente o cobertor e o despiu um pouco para verificar se havia algum ferimento.
Gordinho e perfeito, um menino saudável a olhava, provavelmente com não mais de três meses de idade.
Não havia um único hematoma ou arranhão em sua pele. Seus olhos enormes piscavam para ela, emoldurados por cílios úmidos e curvados, e seus lábios se contraíam, procurando a mamadeira.
Bastou um olhar para que o coração de Allison se derretesse.
As roupas do pequeno eram simples e seu cobertor comum, não oferecendo nenhuma pista sobre de onde ele veio ou quem o deixou.
Sem demora, Allison trocou a fralda do bebê e preparou o leite. No momento em que a mamadeira tocou seus lábios, ele a agarrou e começou a beber com fome. Pela primeira vez desde que ela o encontrou, o choro parou.
Segurando-o nos braços, ela observou suas pálpebras se fecharem e se abrirem, o calor desse pequeno corpo a enchendo com uma sensação de ternura e novidade.
Então era isso que significava segurar um bebê, tão delicado e pequeno... Não era à toa que Joan estava desesperada por um neto.
Nesse momento, Allison foi atormentada por um profundo arrependimento, pensando em um futuro para sempre estéril e em um sonho de maternidade para sempre fora de alcance.
Depois de alguns minutos mamando, os olhos do bebê se fecharam, e o sono o dominou antes que pudesse terminar o leite na mamadeira. Quentinho, satisfeito e finalmente seguro, descansava tranquilamente nos braços dela.
Inicialmente, ela pretendia levar a criança à polícia assim que ele se alimentasse, mas ao segurar esse pequeno e tranquilo pacotinho agora, não conseguia se mover.
Algo dentro dela mudou enquanto ela andava pelo seu apartamento com o bebê aninhado contra seu peito.
Foi então que uma ideia louca e impossível surgiu na sua mente: ficar com ele.
Isso era tão incomum para ela... Geralmente, ela se orgulhava da sua lógica e autocontrole, mas tudo na sua vida havia desmoronado desde que seu casamento terminou, tudo porque ela não podia dar um filho a Kyle. Agora, lá estava um menino pequeno e indefeso, como se o destino tivesse decidido lhe dar uma última chance.
Talvez ela estivesse destinada a aceitar esse milagre. Se alguém viesse buscá-lo, ela o devolveria sem questionar. Antes disso, talvez ela pudesse finalmente experimentar o que era ser mãe.
Na manhã seguinte, Allison agasalhou o bebê e foi à delegacia fazer um boletim de ocorrência.
Em Blirson, uma cidade onde histórias como essa aconteciam com muita frequência, os policiais nem reagiram. Eles a levaram com a criança para um orfanato precário, cuja pintura descascada e paredes desgastadas eram um testemunho mudo de anos de dificuldades.
Lá dentro, as roupas elegantes e o jeito gentil de Allison contrastavam nitidamente com o grupo de crianças de olhos arregalados, seus rostos marcados pela sujeira e pela esperança.
De alguma forma, a papelada foi resolvida rapidamente. Após assinar os formulários necessários, ela entregou um cheque para o orfanato. No final do dia, a adoção foi oficializada.
Os dias se transformaram em semanas enquanto Allison se acostumava com sua nova vida. Quando vizinhos curiosos perguntavam sobre o pai do menino, ela respondia sem hesitar: "Estamos divorciados."
A maternidade preenchia cada momento do seu dia. Ela encontrava alegria nas pequenas coisas, e a dor do seu casamento mal-sucedido foi diminuindo lentamente à medida que o bebê se tornava seu mundo.
Os anos se passaram e, quando ela se deu conta, quatro anos já haviam se passado.
Certa tarde, Allison estava na sala de estar com os braços cruzados e a voz carregada de frustração, olhando fixamente para o filho. "Lucas, pode me dizer por que bateu no seu amigo?"
Lucas Wade, com apenas quatro anos, mas já teimoso, a encarou do canto onde estava. "Ele pegou meu brinquedo e o quebrou! Eu disse para ele não fazer isso, mas ele não me ouviu!"
A raiva de Allison se intensificou. "É só um brinquedo. Posso comprar outro para você, mas bater nas pessoas nunca é a solução. E se você tivesse o machucado de verdade? Entende?"
Com o peito arfando, ela tentava se acalmar e estava prestes a dar um tapa nele, mas acabou desistindo, pois simplesmente não conseguia fazer isso.
Embora ela já tivesse supervisionado uma equipe de vinte pessoas no trabalho, lidar com Lucas era um desafio de outro nível. A cada ano que passava, seu filho ficava mais ousado e rebelde — ele tinha um talento para se meter em encrencas, e todos os vizinhos pareciam ter alguma reclamação para fazer a ela, mas ele nunca recuava de uma discussão.
"Só me meti porque aquele garoto gordinho estava puxando o cabelo de Julia. Alguém tinha que protegê-la! Archie pegou meus lanchinhos, então eu os peguei de volta. Os irmãos Smith soltaram o cachorro deles em todo mundo, então joguei o cachorro no lixo por um tempo. Eles o pegaram de volta, não pegaram? Só que não muito limpo."
Ao ouvir suas explicações, Allison muitas vezes acabava apertando a ponta do nariz, cansada demais para responder. Sempre que ela tentava repreendê-lo, ele tinha uma lista de justificativas prontas e sempre tinha a última palavra.
Entre as crianças do bairro, Lucas tinha uma certa reputação. Alguns o admiravam e o apoiavam, enquanto outros planejavam se vingar, mas não importava o que acontecesse, ele sempre estava um passo à frente.
Numa tarde, enquanto Allison conversava com Tricia online, uma confusão repentina lá fora interrompeu seus pensamentos e a voz de uma mulher ecoou pela janela aberta: "Allison! Desça aqui! Seu filho está aprontando de novo! Se você não consegue lidar com ele, talvez eu devesse!"
Allison largou o celular e saiu correndo para fora. Lucas estava no meio de toda a confusão, com o cabelo bagunçado e as roupas sujas, enquanto uma mulher segurava seu filho, que chorava.
Ao observar a cena, Allison suspirou internamente, pensando que Lucas estava causando problemas de novo.
Com um sorriso educado forçado, ela pediu desculpas e tentou pegar o filho, que subiu as escadas sem olhar para trás.
Enquanto tentava acalmar seu filho, a outra mãe lançou um olhar para Allison e murmurou para si mesma: "Sem pai por perto, não é de se espantar que o menino seja assim. Se dependesse de mim, já teria dado um jeito nele. Ele nunca teve modos."
Allison ignorou o comentário e foi atrás do filho.
Viver numa cidade pequena significava que os boatos se espalhassem rapidamente.
Uma mulher que chegava com um filho, mas sem marido, só aguçava a curiosidade das pessoas, que comentavam sobre como Allison se vestia bem e parecia viver confortavelmente sem um emprego fixo.
Eles especulavam que seu ex-marido devia estar mandando dinheiro, embora ninguém nunca o tivesse visto. A maioria acreditava que ele os havia abandonado completamente.
Em casa, Allison encontrou Lucas num canto, com os braços cruzados e com uma expressão de teimosia desafiadora no rosto. Quanto mais ela o observava, mais se perguntava se não era hora de voltar para Streley. Seu filho estava ficando cada vez mais indomável, e ela temia que ele não conseguisse se adaptar quando voltassem para a cidade. Se as coisas continuassem assim, ele acabaria se tornando isolado e infeliz.
Seu antigo apartamento em Streley ainda estava à sua espera, mas a ideia de levar Lucas de volta para o mesmo lugar onde Kyle morava a deixava apreensiva. Nos últimos dois anos, conforme o garoto crescia, começou a perguntar sobre seu pai.
No início, Allison respondia de forma direta: "Seu pai e eu não estamos mais juntos."
Porém, à medida que Lucas se metia em encrencas e as fofocas dos vizinhos a irritavam cada vez mais, ela perdia a paciência e dizia: "Seu pai nos abandonou."
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