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Capa do romance Meu mercenário- Livro 4

Meu mercenário- Livro 4

Nas sombras geladas de Paris, um mercenário aguarda para cumprir seu quarto contrato do ano: eliminar um marido adúltero a mando da esposa traída. Entediado e impaciente com o frio rigoroso, ele observa o alvo e sua jovem amante enquanto prepara sua pistola com silenciador. Após abater a garota sem hesitação, o assassino confronta o homem bêbado e em pânico para entregar um recado final da esposa vingativa antes de encerrar o serviço e buscar suas merecidas férias.
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Capítulo 2

Tento me comunicar adequadamente para não a deixar ainda

mais em pânico. Contorcendo o corpo por baixo do meu, sinto o

tecido do jeans roçando nas minhas bolas causando um atrito

delicioso. Porra, ela vai pensar que sou um tarado pervertido.

Respiro fundo.

— Escuta aqui, se eu te soltar, promete não gritar e conversar

civilizadamente? Caso contrário, serei obrigado a cortar sua língua.

Se você entendeu, balance a cabeça. — Garota esperta, tiro a mão

de cima da boca.

— Por acaso isso esfregando na minha perna é seu membro

ereto? Sabe? Aquilo? Oh, meu Deus você ia se masturbar, que

pervertido — questiona com as bochechas ficando coradas.

E não é que a maluca é realmente muito bonita, ou foi seu

jeito tímido que a deixou mais encantadora.

— Oh, perdão, eu vou pegar uma toalha. Você espera aqui,

entendeu?

— Sim.

Puxo a porta do armário, opto por um roupão de seda preto.

Como se fosse um cãozinho obedecendo ao dono, permanece

deitada na cama. Definitivamente essa mulher ganhou minha

atenção.

Ando pelo quarto, coço o queixo, digamos ser um hábito que

tenho quando estou com dúvidas. Poderia simplesmente interrogá-la,

mas caso realmente não tenha visto nada no beco, irei somente

alarmá-la despertando sua curiosidade. Seus olhos castanhos

acompanham cada movimento do meu corpo. Confesso que a ver

deitada na cama tão frágil e indefesa, desperta a fera adormecida

dentro de mim. Recordo-me muito bem das curvas dos seios, a

bunda. Talvez devesse seduzi-la, ter uma noite quente com muito

sexo e depois despachá-la. Analisando a situação se realmente

soubesse de algo já teria falado, e estaria tremendo de medo de

levar um tiro no meio dos olhos.

— Qual seu nome? — questiono por pura e simples

curiosidade.

— Meu... Meu... É... Maria Luiza — gagueja amedrontada.

— Bonito nome. Você é brasileira? Estou certo?

Balança a cabeça positivamente. O gato comeu a língua

dessa mulher? Tem alguém doido para comer algo, e pode apostar

que não é um gato. É um animal feroz, sedento de desejo.

— Sim, como sabe?

Je vais là-bas, ou como dizem os brasileiros, vou á lá.

Até que enfim começou a fazer perguntas, o que pode

significar duas coisas. Ou Maria Luiza está fingindo somente para

arrancar informações sobre mim, ou estou ganhando sua simpatia e

confiança. Vamos torcer para ser a segunda opção, caso contrário,

irei desovar seu corpo em pedaços pela cidade de Paris.

        Capítulo 2

Engulo em seco, os olhos desse homem me encaram sem ao

menos piscar. Tenho a sensação de que se levantar dessa cama, irei

ser apunhalada. Sabia que não devia ter usado as passagens que

ganhamos de presente como lua de mel. Contudo, precisava fugir,

pensar sobre como Mateus cancelou nosso casamento faltando

somente três dias. Imagina como fiquei? A encalhada de vinte e

cinco anos que perdeu o segundo noivo. Talvez o problema seja

comigo. O primeiro noivo me trocou pela madrinha, que por acaso

era minha melhor amiga, safada. Não posso nem a culpar, ele era

lindo, rico e sensual demais para resistir. Agora o Mateus, esse sem-

vergonha de pinto pequeno, ah, pequeno e torto. Parecia que estava

fazendo sexo com o the flash, se durasse três minutos a minha

sherolayne soltava fogos de artificio, comemorando.

Okay, foco, Malu. Isso é passado, esse homem na sua frente

é o presente. Sinto as bochechas arderem ao lembrar o que vi no

banheiro através do box de vidro. Foi tudo tão rápido, mas não é

como se não tivesse como notar o tamanho e a grossura.

Toma juízo mulher, isso não é coisa de se pensar em um momento

de crise. Provavelmente nem estará viva até amanhã. Droga, droga,

droga. Vou gritar por socorro, não, espera. Ele me ameaçou cortar

algo se gritasse, não lembro muito bem, já que só consegui focar no

seu... Seu... Órgão genital esfregando na minha perna. Correr? Ah,

claro, sou quase uma atleta de corrida 100km, acorda, Maria Luiza,

ele te pegaria antes mesmo de chegar à porta. Só preciso descobrir

o que quer comigo, e sair daqui o mais rápido possível. Lentamente,

levanto o tronco, sentando-me na beira da cama. Limpo a garganta,

passo as mãos nos cabelos ajeitando-os, para não ficar com a cara

da maluca da faquinha de pão.

— Então, é eu disse meu nome. E você não disse o seu.

— Pierry. — Só pode ser brincadeira, eu imaginei um nome

grande, que fizesse jus algumas partes do seu corpo, mas Pierry?

— Pierry?

— Parece que ficou decepcionada — questiona, sentando-se

ao meu lado.

Lentamente deslizo a bunda na colcha de cetim, afastando-me

um pouco. Criando uma distância segura, como se isso fosse

possível.

— Imagina, eu? Jamais. — Abro um sorriso falso e amarelo.

— Vamos direto ao ponto. Você me trouxe bêbada ao seu

apartamento, ficou... Sabe... — Aponto para a parte baixa do roupão.

— Ficou pelado na minha frente. Maluco? Estuprador?

Sequestrador? Já aviso que minha família é pobre. Só estou aqui

porque fui abandonada pelo meu ex-noivo. Sabe como é? Ele disse

que eu era certinha demais, que homens gostam de mulheres

picantes. — Droga, droga, repreendo-me mentalmente, sempre falo

demais quando estou nervosa. — Desculpa, eu, só estou com medo.

— Primeiramente, foi você que parou na minha frente

alegando que tinha visto alguma coisa e me acusando. Sinceramente

não entendi metade do que falava. Quando tentei desviar me

segurou pelo braço e simplesmente desmaiou. Por isso está aqui.

Não sou maluco, estuprador e muito menos sequestrador.

É, faz sentido, mas estou em um país estrangeiro, com um

desconhecido, e para piorar a situação ainda sinto que o álcool está

percorrendo minhas veias. Já que resolvemos o mal-entendido,

posso simplesmente ir embora para o meu hotel, e me esconder

embaixo da cama de vergonha.

Apoio as mãos em cima do colo, batendo os dedos,

impaciente. Seu olhar me incomoda, parece que consegue ver a

alma. Encarando-me desse jeito, estou começando achar que mentiu

sobre ser maluco.

Ouço o som da campainha tocando. É como melodia de

Beethoven aos meus ouvidos. É a oportunidade que estava

esperando para fugir desse homem. Levanto rapidamente, e

acompanhando cada gesto como se estivesse me imitando, Pierry

também se levanta.

— A comida chegou, pedi para você também. Espero que não

se incomode.

— Na verdade, não estou com fome, muito gentil da sua parte,

mas está na hora de ir embora. É minha bolsa, você...?

— Não, não estava com você — respondi.

— Oh, deve estar no hotel. Então, foi um prazer Pierry. Até

mais.

Disfarçando, sigo rapidamente em direção à porta de saída do

quarto. Acelero os passos praticamente correndo, quando estou a

centímetros de abrir a fechadura da minha liberdade. Sinto mãos

fortes puxando-me para trás, pressionando-me contra a parede

usando o corpo. Com uma de suas mãos cobre minha boca. Arregalo

os olhos assustada. Aproximando a boca do meu ouvido, sussurra:

— Esqueceu-se do nosso acordo? Se gritar, ou tentar sair por

essa porta. Talvez, só talvez, me torne violento. Se entendeu, pisque

os olhos duas vezes.

Mafioso? Só pode. Serei protagonista de algum filme de

mafioso? Não me importaria nem um pouco se o homem chamasse

“Massimo”. Mas, não. Pierry. Nem tudo é perfeito. Faço o que pede,

pisco os olhos repetidamente.

— Boa garota. — Solta-me e sinto seus dentes mordiscando

de leve o lóbulo da minha orelha.

Estuprador, com certeza. Mas por que alguém como ele

precisa fazer isso? Qual a lógica? Qualquer mulher gostaria de

sentar em cima daquele monumento. Observo enquanto se afasta

para atender o entregador. Continuo no mesmo lugar, paralisada na

parede. A porta se abre mais para entrar um carrinho com comida e

bebida no quarto. Esfrego as mãos trêmulas no rosto tentando aliviar

a tensão que percorre meu corpo.

O lado engraçado da minha vida, é que sempre sonhei em

casar e construir uma família. Ter uma casa com um grande quintal

para que as crianças pudessem brincar. Dois filhos, ser filha única

não é bom, senti na pele o quanto é ruim. Em noites frias queria ter o

homem que amo ao meu lado para aquecer meus pés, e

conversarmos sobre assuntos aleatórios de trabalho, fofocas do

círculo de amigos. Mas, acho que é somente um sonho que pode

acabar essa noite através desse homem. Alguns me acham patética,

outros dizem que tenho um grande coração, sei que no fundo sentem

pena da pessoa deplorável que me tornei. Fecho os olhos, enquanto

as lágrimas insistem em descer dos olhos umedecendo minha pele.

Sou pega de surpresa quando suaves dedos tocam meu

rosto, enxugando-o. Abro-os imediatamente, e então, ele está ali em

pé na minha frente, usando seu roupão preto, observando-me. Não

com piedade, pena, ou qualquer sentimento que faça me sentir pior

do que estou. Pode ser somente o álcool tomando conta das minhas

ações, ou sou eu Maria Luiza Cavalcante, quero nesse instante

beijar a boca desse desconhecido.

É como se Pierry lesse meus pensamentos. Em dois passos

largos, seu corpo está novamente me pressionando contra a parede.

Sua boca vai de encontro à minha, devorando os lábios. A sua língua

dança dentro da minha boca, provocando arrepios sobre a pele. Seu

quadril roça no meu, esfregando o seu grande pau duro por cima do

tecido. Sinto-me à vontade, devassa, tarada. Desço as mãos até o

nó do roupão e o puxo, abrindo-o, caindo aos seus pés. As unhas

marcam a pele das suas costas. Rapidamente abre o botão da calça,

puxando-a para baixo junto com a calcinha. Pierry desce a mão até

minha boceta úmida, acariciando o clitóris com sua palma. Gemo

alto, mas enlouqueço quando de repente, enfia seus dedos no meu

centro.

— Oh, meu Deus — suplico desejosa

Os movimentos de vai e vem, entrando e saindo. Esse homem

com os dedos consegue me dar mais prazer que qualquer outro

usando o pinto. Mordo os lábios, e pressiono ainda mais as unhas.

Girando-me rapidamente, coloca meu rosto apoiado contra a parede.

Ergue uma perna, segurando-a suspensa no seu braço apoiado na

parede.

— Você toma remédio? — questiona, fungando no meu

pescoço.

— Sim — respondo ofegante.

Sem aviso, sinto seu pau entrando na minha boceta.

Expandido, alargando-a. Um misto de dor com prazer. Segurando

meu quadril com força, bate contra o seu diversas vezes. Entrando,

saindo, entrando, saindo. Estou a ponto de gozar.

— Não, ainda não. — Pierry enrola meu cabelo em sua mão,

puxando a cabeça para trás. E com a outra mão agarra a nádega,

dando-lhe um tapa.

Ofego gemendo, enlouquecida de prazer, sentindo um grande

vazio quando recua alguns passos para trás. Mas somente o tempo

suficiente para ele me suspender no ar. Enrolo as pernas na sua

cintura, sentando no seu pau. Puxando os botões da minha blusa

com os dentes, ele consegue me deixar somente de sutiã. Enfiando

o rosto entre meus seios, continua os movimentos entrando e saindo

de mim. Sua língua entra no sutiã, lambendo o bico entumecido.

Minhas costas batem forte contra a parede, meus gritos

misturados com gemidos podem ser ouvidos por todo o corredor,

mas não resisto a cada vez que o sinto entrando forte e duro. Mais,

mais, mais, não resisto, minha boceta se contrai apertando o

membro rígido, e atinjo o orgasmo. Os urros roucos e ofegantes de

Pierry indicam que gozou logo em seguida.

Apoio a testa na sua respirando fundo. Nossos olhos se

encontram, a eletricidade percorre meu corpo, e tenho certeza de

que por sua expressão aconteceu o mesmo com ele. Vejo que

engole a saliva, e como sempre o sonho acabou.

Rudemente, coloca-me no chão, pegando seu roupão. Faço o

mesmo erguendo a calça sem ao menos limpar a bagunça.

— Acho melhor você ir embora, agora. — Aponta para a saída

como se eu fosse um cachorro.

— Desgraçado — resmungo baixo.

Sem olhar para trás, saio do apartamento. Seguro a frente da

minha blusa, já que aquele cretino fez questão de estragá-la. Oh,

droga, meu casaco ficou na sala. Mas prefiro morrer congelada em

Paris, a encontrar aquele... Aquele... Não tenho nem palavras. Nunca

me senti tão humilhada. Nunca mais quero encontrar esse nojento na

minha vida.

     Capítulo 3

Três anos depois...

Sorvo um gole do meu drink servido pela aeromoça da

primeira classe dentro do avião. Seus seios volumosos se destacam

no tecido do uniforme. E essa saia, essas companhias áreas são

inteligentes, sabem como manipular os clientes, fidelizando

passageiros. Qual o homem que não quer viajar apreciando uma

bela paisagem erótica?

Disfarçando como se não tivesse notado que estou

encarando-a, a morena sorri timidamente com os lábios fartos,

provavelmente deliciosos. Há comentários que as mulheres

brasileiras são as mais lindas do mundo, confesso que não nego que

concordo. Curvas perfeitas, seios, pernas grossas, e aquela bunda

saudosa com gingado latino. Cruzo as pernas, coçando os lábios

com a ponta do dedo. Estou hipnotizado. Okay. Okay. Primeiro

negócios, depois prazer.

Minha viagem ao Brasil é devido ao contrato de trabalho

milionário. Há muito tempo não surgia uma oportunidade tão lucrativa

e perigosa. A melhor sensação do mundo é a adrenalina percorrendo

o corpo, enquanto escapa, depois do dever cumprido.

Decido ler novamente o e-mail do contratante conferindo os

detalhes, será mais produtivo. Meu pai sempre me ensinou algo

muito valioso. Primeiro pense com a cabeça de cima, e depois com a

debaixo. Velho sábio, ensinou-me tudo que sei sobre minha

profissão. É engraçado pensar que ele era um patriota que protegia

seu país com a própria vida. Infiltrando-se em gangues de mafiosos,

viajando para lugares perigosos, arriscando tudo que tinha para

cumprir o seu dever. E então, o que ele recebeu em troca? Medalhas

inúteis e uma esposa debaixo da terra.

Esther, minha mãe. Assassinada diante dos olhos do seu filho

com apenas seis anos de idade. Quando você é uma criança de

olhos brilhantes e sorriso radiante, apaixonado pela mulher mais

importante de sua vida, vê-la ser esfaqueada, e morrer sangrando no

chão da cozinha, digamos, não é uma lembrança agradável.

Fecho os olhos por um momento, engolindo o sabor amargo

da saliva. Nunca conheci alguém com tamanha coragem como ela.

Ainda me recordo de suas últimas palavras:

— Seja forte, meu capitão tesouro — sussurrou.

Capitão era como me chamava quando saíamos para velejar

durante o verão. Suas mãos banhadas em sangue, acariciando meu

rosto. Os olhos marejados em lágrimas, e nos lábios um fraco

sorriso. Até mesmo em seu último suspiro tentou acalentar-me. É o

esperado de uma verdadeira mãe.

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