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Capa do romance Meu Marido Roubou a Obra da Minha Vida

Meu Marido Roubou a Obra da Minha Vida

Traída pelo marido, uma chef vê suas receitas inovadoras serem roubadas para erguer um império culinário. Após ser trocada por uma estagiária e humilhada publicamente, ela reconstrói sua vida em uma confeitaria isolada. Seis anos depois, o passado retorna para ameaçar sua paz, mas seus inimigos não contavam com uma mudança crucial: o poder de seu novo marido. Agora, a tentativa de destruí-la novamente enfrentará uma resistência que eles jamais imaginaram.
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Capítulo 3

Arthur entrou no silêncio estilhaçado da minha confeitaria, sua presença uma força súbita e estabilizadora. Ele examinou o vidro quebrado, a vitrine rachada, a fúria gravada no rosto de Celina. Seus olhos, geralmente tão quentes e gentis quando olhavam para mim, estavam agora frios e inflexíveis.

"Arthur", eu sussurrei, uma mistura de alívio e pavor me invadindo. Ele não tinha visto este lado do meu passado, esta feiura.

Ele não me olhou diretamente. Seu olhar permaneceu fixo em Celina.

"Coloque isso no lugar, com muito cuidado."

Sua voz era baixa, mas continha uma autoridade inegável que fez até mesmo Celina hesitar.

Ela lentamente abaixou o açucareiro, seus olhos arregalados com um medo súbito e desconhecido.

"Quem é você?" ela exigiu, sua voz perdendo o tom de arrogância.

Arthur finalmente se virou para mim, um lampejo de preocupação em seus olhos. Ele estendeu a mão, tocando meu braço gentilmente.

"Você está bem, Alice?"

Eu assenti, incapaz de falar. Seu toque era uma tábua de salvação na tempestade.

"Eu sou Arthur Magalhães", disse ele, virando-se novamente para Celina, sua voz calma, quase perigosamente calma. "Marido da Alice."

A boca de Celina se abriu. Seus olhos correram do terno caro de Arthur, para sua postura calma e imponente, e de volta para mim. A surpresa em seu rosto foi quase tão satisfatória quanto a expressão no rosto de Daniel ontem.

"Marido?" ela gaguejou, depois zombou, uma tentativa desesperada de recuperar o controle. "O quê, ela se casou com algum confeiteiro local? Um dono de lojinha? Você acha que isso me impressiona?"

Ela tentou rir, mas o som saiu estrangulado.

Arthur nem piscou.

"Não, Sra. Blackwell", disse ele, pegando o celular. "Eu sou um investidor de capital de risco. Sou especializado no setor de hospitalidade. E esses itens que você destruiu tão casualmente?"

Ele gesticulou para a loja em ruínas.

"Eles não são apenas 'pitorescos'. São inestimáveis. Feitos sob medida. E eu tenho as notas fiscais, a procedência e as avaliações do seguro para provar."

Celina recuou, seu rosto perdendo a cor. A arrogância havia desaparecido completamente, substituída por um terror absoluto.

"Inestimáveis? Do que você está falando? É só uma confeitaria!"

"A tigela de porcelana que você quebrou foi encomendada de um renomado artesão em Limoges, na França", continuou Arthur, sua voz inabalável. "O valor dela, sozinha, é de seis dígitos. A vitrine? Projetada por um escritório de arquitetura de ponta, construída com tecnologia de controle climático especializada. Outros sete dígitos. E aquelas cúpulas de vidro? Cada uma soprada à mão, gravada com a assinatura da Alice, uma edição limitada de um mestre vidreiro de Veneza. Cada uma delas vale mais do que o seu salário anual inteiro, Sra. Blackwell."

Daniel, que estava à espreita perto da porta, invisível até agora, ofegou. Ele obviamente havia seguido Celina, talvez para testemunhar minha humilhação. Agora, ele parecia ter visto um fantasma. Seus olhos, cheios de uma percepção horrorizada, encontraram os meus. Ele sabia. Ele sabia o tipo de qualidade em que eu sempre insisti. Ele sabia que Arthur não estava exagerando.

Eu apenas o encarei, uma satisfação fria e dura florescendo em meu peito. Não se tratava apenas do dinheiro. Tratava-se de finalmente ver o mundo cuidadosamente construído deles começar a rachar.

O rosto de Celina era uma máscara de descrença e pânico.

"Isso... isso é uma piada! Você está tentando me extorquir!"

"Não há extorsão, Sra. Blackwell", disse Arthur suavemente, já discando. "Apenas restituição. Restituição por destruição dolosa de propriedade. E dado o valor, isso constitui um crime. Meus advogados estarão aqui em uma hora. Sugiro que você ligue para os seus."

Ele desligou, depois acrescentou, quase como um pensamento posterior: "Ah, e o açucareiro de cerâmica pintado à mão que você quase destruiu? Era uma peça única de um ceramista celebrado. Seu valor sentimental para a Alice é imensurável, mas seu valor de mercado é igualmente substancial."

Ele então listou mais dois itens quebrados, cada um com um preço astronômico.

Celina, agora tremendo visivelmente, sussurrou: "Não... não, isso não pode estar certo."

Sua imagem cuidadosamente construída de poder e riqueza estava se despedaçando mais rápido do que minhas cúpulas.

Daniel finalmente se moveu, correndo para frente. Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando em minha pele.

"Alice, por favor", ele implorou, sua voz rouca. "Não faça isso. Celina não sabia. Ela... ela só perdeu a cabeça."

Eu puxei meu braço.

"Ela quebrou, Daniel. Ela quebrou minhas coisas. Minha casa. E ela fez isso de propósito. Na frente da minha aprendiz. Na frente dos meus clientes."

Minha voz estava calma, mas as palavras eram afiadas, cortando sua súplica patética.

Ele recuou como se eu o tivesse esbofeteado. Seus olhos se encheram de lágrimas, uma expressão de profundo arrependimento em seu rosto. Este era o Daniel de seis anos atrás, aquele que assistiu impassivelmente enquanto minha carreira era destruída. Agora, era ele quem via sua vida se desfazer.

Celina, vendo a fraqueza de Daniel, virou-se para ele, sua voz estridente.

"Daniel! O que você está fazendo? Não fique do lado dela! A culpa é dela! Ela me provocou!"

"Provocou você?" Daniel murmurou, balançando a cabeça. "Você acabou de destruir uma vitrine de um milhão de reais, Celina! E uma tigela de seiscentos mil!"

Ele olhou para os cacos, seu rosto uma mistura de horror e uma percepção crescente.

"É só dinheiro, Daniel! Nós temos dinheiro!" Celina gritou, mas sua voz falhou com desespero. "Nós pagamos! Não é nada!"

"Nada?" Arthur finalmente interveio, sua voz surpreendentemente gentil, mas com um aço subjacente. "Sra. Blackwell, você entende o que 'feito sob medida' e 'encomendado a artesãos' significa? Esses itens podem levar anos para serem substituídos. E a interrupção dos negócios da Alice? O sofrimento emocional? Não se trata apenas do custo de reposição. Trata-se de danos. Danos significativos."

Celina apenas ficou ali, balançando levemente, completamente sobrecarregada. Sua fachada cuidadosamente construída havia desmoronado completamente, revelando a mulher insegura e raivosa por baixo.

"Devo mandá-los sair, Alice?" Arthur perguntou, sua voz baixa, seus olhos nunca deixando Celina. Ele estava me perguntando, me dando o poder, o controle.

Eu olhei para os sonhos estilhaçados ao meu redor, depois para as duas figuras que destruíram meu passado e tentaram arruinar meu presente.

"Não", eu disse, minha voz clara e firme. "Deixe que fiquem. Deixe que vejam o que fizeram. Meus advogados chegarão em breve. Vamos resolver isso da maneira correta."

As palavras pairaram no ar, uma declaração silenciosa de guerra. Celina me encarou, seus olhos queimando de ódio. Daniel parecia totalmente derrotado, um homem quebrado. Meu passado finalmente me alcançou, mas desta vez, eu não era a única correndo. Desta vez, eu tinha Arthur. E uma equipe de advogados a caminho.

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