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Capa do romance Meu Império, Meu Filho, Meu Novo Amor

Meu Império, Meu Filho, Meu Novo Amor

Traída no parto, vi meu marido, Caio Mendes, trocar nossa família por uma atriz. Ele ignorou nosso filho e acreditou em exames falsos de paternidade, permitindo que sua amante machucasse meu bebê. Tentaram roubar meu filho para criá-lo juntos, crentes de que eu, órfã e sozinha, não reagiria. Mas eles cometeram um erro fatal ao julgar minha rede de contatos e minha força. Eles acham que Caio é o homem mais poderoso que conheço. Estão muito enganados.
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Capítulo 2

Os gritos desesperados de Cris desapareceram enquanto minha segurança a escoltava para fora. Eu não me importava com o que ela pensava. Eu não me importava com o que Caio pensaria. Tudo o que me importava era a vida pequena e inocente dormindo lá em cima. Agarrei o corrimão da grande escadaria, meus nós dos dedos brancos, o mármore frio um contraste gritante com a fúria ardente dentro de mim.

Meu assistente, Léo, um homem quieto que estava com minha família há anos, aproximou-se com cautela. "Sra. Mendes, a equipe de segurança garantiu que a Srta. Viana não a incomodará novamente." Sua voz era calma, profissional, mas eu vi a tensão sutil em seu maxilar. Ele sabia o que eu acabara de ordenar, e sabia das repercussões.

"Ótimo", eu disse, minha voz rouca. "Garanta que todas as medidas necessárias sejam tomadas. Quero ela na lista negra de todos os estúdios, de todas as agências. Todos os contatos que ela já fez nessa indústria. Apagados."

Léo assentiu uma vez, um reconhecimento silencioso do meu comando absoluto. Ele se virou para sair, seus passos quase inaudíveis nos pisos polidos. Meus homens eram eficientes. Ouvi um lamento distante, seguido por um baque surdo, e depois silêncio. Uma satisfação fria se instalou sobre mim. Eu não sentia nada por ela, apenas um alívio arrepiante de que minha vontade havia sido feita.

A casa, antes preenchida com as exigências estridentes de Cris, agora estava quieta. Quieta demais. Caminhei até o berçário, meus passos pesados, o silêncio amplificando meu esgotamento. Meu filho dormia pacificamente, seu peito minúsculo subindo e descendo a cada respiração. Eu o peguei, aninhando seu calor contra minha própria pele fria. Ele era tão pequeno, tão perfeito. Ele era tudo.

Afundei na poltrona de balanço, segurando-o com força, o tecido macio de seu cobertor um conforto. Eu precisava de descanso. Eu precisava de paz. Fechei os olhos, tentando bloquear as imagens do rosto aterrorizado de Cris, dos olhos indiferentes de Caio. Minha mente era um turbilhão de raiva e luto.

Um estrondo súbito e violento vindo do andar de baixo me despertou, meu filho gritando de susto com o barulho repentino. Seu corpinho se enrijeceu em meus braços, seus choros ecoando na casa silenciosa.

"Shh, meu amor, shh", murmurei, balançando-o suavemente, meu coração batendo forte no peito. Olhei furiosa para a porta, já sabendo quem estaria ali.

Caio.

Ele entrou no berçário, seu rosto uma máscara de raiva mal contida, seus olhos avermelhados. Ele parecia não dormir há dias, mas não era por preocupação comigo ou com nosso filho. Era fúria por causa de Cris. Ele me viu segurando nosso bebê chorando, mas seu olhar se fixou em mim, com uma intensidade venenosa.

"O que você fez, Helena?!", ele rugiu, sua voz baixa e gutural. "O que diabos você fez com ela?"

Meu filho choramingou, enterrando o rosto no meu ombro. Eu o apertei mais perto. "Eu simplesmente garanti que ela recebesse as consequências por suas ações."

"Consequências?!", ele riu, um som amargo e sem humor. "Você chama arruinar a carreira dela, destruir seu futuro, de 'consequências'? Ela está no hospital, Helena! Gravemente ferida!"

Meus olhos se estreitaram. "Ela entrou na minha casa, Caio. Ela me desafiou. Ela ameaçou meu filho. O que mais eu deveria fazer? Me curvar e dar a ela tudo o que ela queria?"

"Você é um monstro!", ele cuspiu, dando um passo ameaçador para mais perto. "Um monstro cruel e sem coração! Você se acha acima de todos, não é? Acha que seu poder te dá o direito de destruir vidas?" Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha carne pós-parto, uma dor aguda florescendo. Meu filho chorou mais alto.

"Que tipo de retribuição você espera, Caio?", perguntei, minha voz perigosamente calma apesar da dor. "O que você quer que eu sofra? Humilhação? Pobreza? Morte, talvez? Como minha família antes de mim?"

Ele congelou, seu aperto afrouxando ligeiramente ao ouvir a crueza na minha voz. Aquele nome, Helena. O que ele usava em nossos primeiros dias, quando ele era apenas Caio, um jovem empreendedor faminto tentando subir na vida.

Vi um flash do passado em seus olhos, uma memória de um tempo em que ele me adorava, em que acreditava em cada palavra minha. "Você costumava lidar com situações como essa com tanta... finesse, Caio", eu disse, uma ironia amarga tingindo minhas palavras. "Lembra daquele investidor conivente que tentou afundar seu primeiro grande negócio? Você desmantelou o império dele tão rápido, tão silenciosamente, que ele nem soube o que o atingiu até ser tarde demais. Ele perdeu tudo."

Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Ele apenas me encarou, seus olhos arregalados.

"Você jurou me amar, Caio", continuei, minha voz agora tremendo com uma dor muito mais profunda que a raiva dele. "Me proteger. Ser fiel. Na saúde e na doença. Lembra daqueles votos na capela? Ou aquilo foi apenas mais um 'acordo de negócios'?"

Ele havia jurado sua devoção em uma pequena e antiga capela, seus vitrais lançando luzes coloridas em seu rosto sério. Ele me disse que nunca tinha visto uma mulher como eu, forte mas gentil, capaz mas vulnerável. Ele parecia tão sincero, tão leal, disposto a sacrificar tudo para estar comigo, uma mulher de uma família antiga e estabelecida como a minha.

Ele finalmente encontrou sua voz, um rosnado baixo. "Foi um erro, Helena. Um momento de fraqueza. Homens cometem erros." Ele tentou descartar, minimizar, varrer anos de traição com um aceno de mão.

"E eu devo simplesmente perdoar esse 'erro'?", perguntei, minha voz subindo novamente. "Só porque você decidiu que está entediado com sua pequena atriz agora?"

Ele zombou, sua raiva explodindo novamente. "Você está com ciúmes, Helena. Sempre esteve. Você é fria, insensível. Você sempre me decepcionou."

Então ele se virou e saiu batendo a porta do quarto, a reverberação sacudindo a casa inteira. Ele me deixou de novo, como sempre fazia quando as coisas ficavam difíceis. Deixou-me com nosso filho ainda chorando em meus braços, meu corpo doendo, meu coração vazio.

Suas palavras ecoavam em meus ouvidos: fria, insensível, o decepcionei. Eu era? Eu tinha sido? Lembrei-me do aviso severo do meu médico após o parto. Meu corpo estava frágil. Esta criança... ele provavelmente seria meu único. Meu único legado. Minha única luz.

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