
Meu Império, Meu Filho, Meu Novo Amor
Capítulo 3
Olhei para meu filho, seu rostinho ainda úmido de lágrimas, agora aninhado contra meu peito. Meu coração doía, uma dor profunda e oca. As palavras de Caio, as provocações de Cris - elas giravam em minha mente, uma névoa tóxica. Como aquela mulher, aquela estranha, ousava tentar arrancar a única coisa preciosa que me restava neste mundo? Meu filho.
Eu estava certa em agir. Certa em protegê-lo. Minhas ações contra Cris não foram apenas vingança; foram uma declaração. Uma promessa de que ninguém jamais machucaria o que era meu novamente. Não enquanto eu ainda respirasse.
Fiquei sentada ali durante a noite, embalando meu bebê, os primeiros raios do amanhecer pintando faixas cinzentas no céu. Quando o sol nasceu completamente, uma clareza fria e dura se instalou sobre mim. Eu sabia o que tinha que fazer.
Liguei para Caio. O telefone tocou por um longo momento, fazendo-me pensar se ele sequer atenderia. Ele provavelmente pensou que eu estava ligando para me desculpar. Finalmente, ele atendeu, sua voz cautelosa.
"O que foi, Helena?"
"Venha para casa", afirmei, minha voz calma e firme. "Agora."
Houve um momento de silêncio. "Estou ocupado."
"Tenho certeza que está", respondi, com um tom afiado. "Mas isso diz respeito a nós dois. E garanto que você vai querer ouvir o que tenho a dizer."
Outra pausa, mais longa desta vez. "Tudo bem", ele disse, um suspiro de exasperação em sua voz. "Estarei aí em uma hora."
Antes que eu pudesse desligar, uma voz suave e aguda flutuou pelo telefone. "Caio, querido, o que há de errado? Você vai voltar para mim?" Era Cris, sua voz fraca, frágil, claramente destinada aos meus ouvidos. Ela ainda estava com ele. Ainda na cama dele.
A voz de Caio baixou, de repente terna. "Cris, pensei que você estivesse dormindo. Não se preocupe, querida, volto logo. Não se mexa." Ele falou como se eu não estivesse ouvindo, como se não tivesse acabado de me dizer que estava "ocupado". Imaginei-o acariciando o cabelo dela, pressionando um beijo em sua testa.
"Você não deveria ter provocado a Helena, meu amor", ele repreendeu levemente, uma nota de aviso em sua voz, mas sem raiva real. "Mas não se preocupe, eu vou resolver isso."
Cris choramingou. "Mas estou com tanto medo, Caio. Meu rosto... e se você não me achar mais bonita? E se eu ficar desfigurada?"
"Besteira, meu passarinho", ele acalmou, sua voz escorrendo afeto, do tipo que ele não me mostrava há anos. "Você é perfeita. Sempre será. Agora, descanse. Eu volto para você."
Uma onda de náusea me invadiu. Eu não conseguia mais ouvir. Desliguei, o telefone batendo contra a mesa de cabeceira. Minha garganta parecia apertada, uma dor ardente subindo por ela. Ele nunca falou comigo daquele jeito. Nenhuma vez. Em oito anos. A percepção foi uma pedra fria e dura no meu estômago. Ele nunca, nem uma vez, me mostrou um afeto tão terno e dedicado.
Menos de uma hora depois, Caio chegou. Ele cheirava a antisséptico, misturado com um leve e enjoativo doce do perfume de Cris. O cheiro fez meu estômago revirar. Tive que lutar contra a vontade de vomitar. Ele estava vestido com um terno elegante, como se estivesse pronto para uma reunião de diretoria, não para um confronto com sua esposa.
Caminhei até a mesa de centro, meus movimentos deliberados, e coloquei um envelope pardo grosso em sua superfície polida.
"Caio", eu disse, minha voz monótona, desprovida de emoção. "Acho que você vai querer ver isso."
Ele ergueu uma sobrancelha, um toque de sua arrogância habitual. "O que é agora, Helena? Mais provas fabricadas?"
Empurrei o envelope em sua direção. "É um acordo de divórcio."
Seus olhos se arregalaram, sua compostura cuidadosamente construída se quebrando. Ele encarou o documento, depois olhou para mim, um brilho de incredulidade em seu olhar. "Você está brincando."
Encarei seu olhar, meus próprios olhos frios. "Eu pareço estar brincando, Caio?"
Ele arrancou os papéis, examinando-os rapidamente, seu rosto escurecendo a cada linha. Então, com um rugido furioso, ele amassou o documento e o jogou na lixeira mais próxima. "Nunca! Eu nunca vou me divorciar de você, Helena! Só se eu estiver morto!"
"Por quê?", perguntei, minha voz tingida com um novo tipo de dor. "Por que você não me deixa ir?"
Ele riu, um som áspero e frágil. "Você acha que é tão fácil? Nós nos casamos nas Ilhas Cayman, Helena. Sob as leis de lá. É... complicado." Ele saboreou a palavra, usando-a como uma arma contra mim. "Você não pode simplesmente ir embora."
Antes que eu pudesse responder, uma batida frenética ecoou da porta da frente. Léo a abriu, seu rosto marcado pela preocupação. Ali, frágil e pálida, estava Cris. Ela parecia um fantasma, seu rosto enfaixado em alguns lugares, sua estrutura delicada tremendo.
"Caio, meu amor?", ela choramingou, seus olhos arregalados e lacrimejantes ao vê-lo.
Caio correu para o lado dela, sua fúria anterior contra mim esquecida. "Cris! O que você está fazendo aqui? Você deveria estar no hospital!" Sua voz estava carregada de preocupação genuína, com uma ternura que torceu uma faca em minhas entranhas. Ele realmente se importava com ela. Eu era apenas uma observadora distante, assistindo ao drama deles se desenrolar, percebendo que nunca fui a protagonista em sua vida.
"Eu... eu tive que vir", Cris gaguejou, seu olhar se desviando para mim, depois de volta para Caio. "Tenho algo importante para te dizer. Algo que os repórteres me contaram."
Caio olhou para ela, sua expressão suavizando. "O que é, meu amor?"
Cris hesitou, depois respirou fundo e trêmula, seus olhos se fixando nos meus, um brilho malicioso em suas profundezas. "Eles disseram... eles disseram que seu filho... o filho da Helena... não é seu."
Minha mente ficou em branco. O mundo girou. Meu filho? Não era de Caio? O que ela estava dizendo?
"Isso é mentira!", gritei, minha voz crua e desesperada. "Como você ousa?"
Cris se encolheu, agarrando o braço de Caio, seu corpo tremendo. "Ela é tão assustadora, Caio! Mas os repórteres disseram... disseram que é verdade! Disseram que deveríamos fazer um teste de paternidade para provar!"
A cabeça de Caio se virou para mim, seus olhos agora frios e acusadores. "Um teste de paternidade", ele ecoou, sua voz perigosamente baixa. "Um teste de paternidade será feito." Ele estalou os dedos, e um segurança imediatamente se moveu para providenciar.
Meu coração se estilhaçou. Ele acreditou nela. Ele realmente acreditou nela.
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