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Capa do romance Meu Guarda Costa

Meu Guarda Costa

Em um cenário de conspirações políticas, uma herdeira ilegítima é forçada a um casamento de conveniência com um ministro influente. Enquanto isso, um militar espanhol retorna focado em se vingar da mulher que julga culpada pela morte do irmão. Contudo, surge uma paixão proibida que desafia convicções e alianças. Entre traições e buscas por poder, ambos percebem que o maior confronto pode ser interno, transformando ódio em um desejo incontrolável.
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Capítulo 2

Os dois dançaram por alguns minutos, mas o coração de Katherine estava apertado, preocupada com o que a prima pensaria dela.

Mateu inclinou-se próximo ao ouvido da moça e murmurou, em tom descontraído:

- Fique calma, sua amiga não vai te matar. Olha só. - Ele apontou para Nicole, que conversava animadamente com um rapaz. - Ela já está com o Dani, e pode acreditar, ele vai cuidar muito bem dela. Agora, se solte.

Ao perceber que Nicole estava entretida com outro rapaz, Katherine relaxou um pouco. Quando a música terminou, afastou-se delicadamente de Mateu.

- Bom, preciso ir. A Nike deve estar me esperando.

Mateu olhou em volta, e com um sorriso travesso respondeu:

- Acho que você está enganada. Ela nem está por aqui. Deve estar conversando com o Dani.

- Mesmo assim, vou procurá-la. Até mais, Mateu.

Ela se virou, caminhando pela pista com o olhar atento, esperando encontrar Nicole. Mas, depois de percorrer o local inteiro, não conseguiu vê-la em lugar nenhum. Decidiu então voltar ao quiosque, onde Mateu a observava com um sorriso leve.

- E aí? Conseguiu achá-la? - perguntou ele.

- Não. Onde será que ela se meteu?

- Ah, nem deve lembrar de você. A essa hora já deve estar no maior clima com o Dani.

Katherine franziu o cenho, preocupada, e foi direta:

- Você tem o telefone dele?

- Qual é, Katy? - Mateu riu. - Pirou? Não vamos atrapalhar. Deixa eles curtirem.

A tranquilidade dele só aumentou a irritação dela.

- Olha, se você não quiser me ajudar, eu mesma resolvo. Ela acabou de conhecê-lo. Você acha normal eles já estarem... juntos?

- O Daniel é tranquilo, relaxa. - respondeu ele com descaso.

Katherine suspirou fundo, chateada. - Nem era pra estarmos aqui.

Ela se afastou do quiosque e foi até a beira do mar. Sentou-se na areia, observando o horizonte escuro e ouvindo o som das ondas. A mente dela estava inquieta.

Percebendo que a havia decepcionado, Mateu pediu a um colega para cobrir seu turno e foi atrás dela. Aproximou-se devagar e sentou-se ao seu lado, deixando o silêncio confortável do mar preencher o espaço.

- Me desculpa. Não queria ter falado daquele jeito. Mal nos conhecemos e já te deixei irritada.

Katherine olhou para o mar e suspirou. - Não é culpa sua. A Nike é muito diferente de mim.

Mateu pegou o celular no bolso e estendeu para ela.

- Liga pra ele. Você tem razão em se preocupar. Ela está num lugar desconhecido.

Katherine ficou surpresa com o gesto. Pegou o celular e tentou ligar algumas vezes, mas ninguém atendeu.

- Droga... Ele não atende. E ela também não. Onde será que eles se meteram?

- Eu avisei. - Mateu sorriu de leve, tentando amenizar a tensão. - Mas me conta, vocês são de onde mesmo?

- Rússia. - respondeu ela, distraída.

Mateu arregalou um pouco os olhos. - Uau... Estão bem longe de casa, hein?

Katherine abaixou o olhar, ainda com o celular na mão. O vento noturno bagunçava alguns fios soltos do cabelo, enquanto a preocupação a consumia.

Mateu, por alguns instantes, apenas a observou em silêncio. Havia algo naquela garota que o intrigava - a seriedade no olhar, o cuidado com a prima, o jeito contido, tão diferente da maioria das pessoas que passava por ali.

- Você se importa demais com ela, não é? - perguntou com suavidade.

- Claro que sim. - respondeu sem hesitar. - Somos mais do que primas... crescemos juntas, dividimos tudo. E, às vezes, sinto que preciso protege-la, porque ela age como se o mundo fosse um lugar totalmente seguro.

- E você não acha? - ele provocou, arqueando uma sobrancelha.

Katherine soltou uma risada breve, sem humor. - Não mesmo. O mundo pode ser cruel.

Mateu ficou pensativo por um instante, depois voltou o olhar para o mar escuro. - Talvez por isso você me chame tanto a atenção. É raro ver alguém que se importa de verdade.

Katherine virou o rosto na direção dele, surpresa pela sinceridade no tom de voz. Por um momento, esqueceu a angústia, mas logo se lembrou de Nicole.

- Eu só queria encontrá-la... - murmurou.

Mateu inclinou-se um pouco mais perto, sem invadir o espaço dela. - A gente pode procurá-la juntos. O Dani não costuma sumir assim, mas se isso te deixa desconfortável, vamos atrás deles.

O coração de Katherine acelerou levemente, não sabia se era pelo medo de algo ter acontecido à prima, ou pela forma como Mateu parecia genuíno em suas palavras.

Ela respirou fundo e assentiu. - Tudo bem. Mas se não encontrarmos, vou ligar pra polícia.

- Fechado. - respondeu ele, se levantando e estendendo a mão para ajudá-la a se pôr de pé.

Katherine hesitou um instante, mas aceitou o gesto. Ao toque da mão dele, um arrepio percorreu-lhe os braços.

Mateu percebeu, mas não comentou. Apenas sorriu de lado e disse:

- Vamos, russa preocupada. A noite só está começando.

Os dois caminharam ao longo da praia ,e próximo do quiosque ,porém não os encontraram .

Cansamos de procurar decidiram voltar para o quiosque ,e quando chegaram perto. ,ao longe Katherine avisou a amiga sentada em uma banqueta com Daniel .

Nicole estava sentada em uma banqueta, rindo de algo que Daniel havia acabado de dizer. Parecia tranquila, como se não houvesse nada de errado em estar ali, distante da prima. Katherine soltou o ar preso no peito, sentindo um misto de alívio e irritação.

- Graças a Deus... - murmurou.

Mateu, ao perceber, lançou-lhe um olhar divertido.

- Viu só? Falei que ela estava bem. Você se preocupa à toa.

Katherine não respondeu. Apressou o passo em direção ao quiosque, e Mateu acompanhou. Ao chegar perto, Nicole virou-se e abriu um sorriso largo.

- Katy! Olha só, esse é o Dani. Ele é super gente boa! - disse, animada.

Katherine cruzou os braços, tentando conter a ansiedade.

- Eu percebi. Vocês sumiram, eu fiquei preocupada.

Nicole rolou os olhos, com aquele jeito despreocupado que a deixava ainda mais irritada.

- Ai, prima, você dramatiza demais. Estávamos só conversando.

Daniel, meio sem graça, coçou a nuca.

- Foi mal se preocupei vocês... Eu só queria conhecer melhor a Nicole.

Mateu interveio, colocando a mão no ombro de Daniel.

- Relaxa, irmão. A Katy só tem esse jeitinho de mãe coruja.

Katherine lançou um olhar atravessado para Mateu, mas ele respondeu com um sorriso leve, como se soubesse exatamente como provocá-la.

- Eu não sou mãe de ninguém. - rebateu firme, mas a voz saiu mais baixa do que gostaria.

Nicole riu e puxou Daniel pela mão.

- Vamos dançar mais um pouco?

Ele concordou, e os dois se afastaram pela pista iluminada, deixando Katherine parada, ainda inquieta.

Mateu aproximou-se um pouco mais dela, falando baixo:

- Viu só? Ela está bem. Agora você pode respirar em paz.

Katherine suspirou, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso, cansada da própria tensão.

- Talvez você tenha razão... mas ainda não gosto disso.

Mateu inclinou-se, o olhar fixo nela.

- Então deixa eu cuidar de você, enquanto você cuida dela.

As palavras fizeram o coração de Katherine disparar, e por um instante ela não soube como responder. O som da música e das ondas ao fundo pareciam se misturar, prendendo-a naquele momento inesperado.

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