
Meu Ex-Marido, Meu Inimigo: A Justiça de Lia
Capítulo 3
"Eu não quero outro bebé," disse eu, a minha voz a ganhar força. "Eu quero o divórcio."
A minha sogra bufou. "Divórcio? Não sejas ridícula. A família Costa não se divorcia. Vais envergonhar-nos a todos."
"Eu já não me importo com a vergonha," respondi, olhando diretamente para o Pedro. "Eu não posso continuar casada com um homem que não me vê, que não me protege."
Pedro finalmente me olhou, mas os seus olhos estavam cheios de fúria.
"Proteger-te? Eu protejo esta família! A Sofia precisava de mim! Tu estavas no hospital, com médicos! O que mais querias que eu fizesse?"
"Eu queria o meu marido," disse eu, a voz a quebrar. "Eu queria que estivesses ao meu lado quando o médico me disse que o nosso filho tinha morrido. Não a consolar a ela por um pulso deslocado."
"Chega, Lia!" gritou ele. "Estás a ser egoísta. A Sofia está a sofrer!"
O absurdo da situação atingiu-me com a força de uma onda.
Eu ri. Um riso oco e sem alegria.
"Sim, estou a ver o quanto ela está a sofrer."
Peguei no meu telemóvel da mesa de cabeceira. As minhas mãos tremiam, mas a minha determinação era de aço.
Encontrei o número do meu advogado e disquei.
"Dr. Almeida? É a Lia. Quero iniciar o processo de divórcio imediatamente."
O silêncio no quarto era total. Pedro olhava para mim como se eu fosse uma estranha. A sua mãe parecia que ia explodir.
Sofia, no entanto, tinha um pequeno e quase impercetível sorriso nos lábios.
Ela tinha ganhado.
O meu advogado foi rápido e eficiente. No dia seguinte, os papéis do divórcio foram entregues ao Pedro no seu escritório.
Ele ligou-me, furioso.
"O que pensas que estás a fazer? Estás a tentar destruir a minha reputação?"
"Não," respondi calmamente. "Estou a salvar-me."
"Vais arrepender-te disto, Lia. Não vais receber um único cêntimo de mim."
"Eu não quero o teu dinheiro, Pedro. Eu só quero a minha liberdade."
Desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
Senti um alívio imenso, como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros.
A minha mãe veio visitar-me no hospital. Ela tinha estado a viajar e só soube do que aconteceu quando aterrou.
Ela abraçou-me com força e chorou comigo.
"Oh, minha filha. Sinto muito, tanto."
A minha mãe, Clara, nunca gostou do Pedro nem da sua família. Ela sempre disse que eles eram frios e calculistas.
Eu não a ouvi. Estava apaixonada.
"Tu tinhas razão, mãe. Eu devia ter-te ouvido."
"Não importa agora," disse ela, limpando as minhas lágrimas. "O que importa é que vais sair disto. Nós vamos sair disto juntas."
O apoio dela era o único bálsamo para a minha alma ferida.
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