
Meu Destino, Minha Escolha
Capítulo 2
Eu era Sofia, a noiva escolhida pelo Imperador para o Príncipe Herdeiro, um título que carreguei com orgulho e responsabilidade desde a infância. Minha vida inteira foi um preparo para este papel, cada lição de etiqueta, cada aula de gestão, cada passo que dei foi calculado para me tornar a futura Imperatriz perfeita. Mas toda essa perfeição, toda essa dedicação, começou a ruir no Festival das Flores.
Foi lá que o Príncipe Herdeiro Luís, meu noivo, viu Beatriz pela primeira vez.
Ela era a filha do General da Fronteira, uma mulher completamente diferente de todas as damas da corte. Beatriz não andava, ela marchava. Não sorria delicadamente, ela gargalhava. Em vez de bordar, ela cavalgava, e sua pele era bronzeada pelo sol da fronteira, não pálida como a porcelana valorizada na capital. Ela era ousada, barulhenta e cheia de uma vida selvagem que a corte nunca tinha visto.
"Que mulher escandalosa", Luís murmurou ao meu lado, com uma carranca no rosto.
Mas seus olhos não a deixavam. Ele a seguiu com o olhar enquanto ela desafiava um jovem nobre para uma competição de arco e flecha e vencia com uma facilidade impressionante. Ele a observou enquanto ela bebia vinho diretamente da garrafa, rindo com os soldados de seu pai. A desaprovação em sua voz era uma mentira fraca, uma fachada que nem ele mesmo conseguia manter. Eu vi a fascinação em seus olhos, uma chama que ele nunca havia demonstrado por mim.
Naquela noite, a semente da crise foi plantada.
Semanas depois, o inevitável aconteceu. Luís me chamou para seus aposentos. O ar estava pesado, e ele evitava meu olhar, passeando de um lado para o outro.
"Sofia, precisamos conversar", ele começou, a voz tensa.
Eu esperei em silêncio.
"Você conhece Beatriz, a filha do General. Ela... ela é diferente. Ela não entende nossos costumes, nossas regras".
"Eu a vi", respondi, minha voz calma e neutra.
Ele parou e finalmente me encarou. "Eu me apaixonei por ela. E ela por mim".
As palavras pairaram no ar, frias e afiadas. Eu senti um vazio se abrir em meu peito, mas meu rosto permaneceu impassível. Eu fui treinada para isso, para manter a compostura acima de tudo.
"Entendo", eu disse.
Ele pareceu aliviado com minha calma, mas o que veio a seguir foi o verdadeiro insulto. "Beatriz se recusa a ser uma concubina. A família dela nunca aceitaria tal posição. Ela diz que seu marido deve amá-la somente".
Ele fez uma pausa, reunindo coragem para a proposta absurda. "Então, eu pensei... Sofia, você poderia... ceder a posição de noiva principal para ela? Seria apenas um título. Você ainda seria a responsável por todos os assuntos do palácio, você teria o poder. Beatriz não se importa com isso. Ela só quer o título, o meu amor".
O choque foi tão grande que, por um instante, perdi o controle. Eu estava segurando uma xícara de chá que uma criada acabara de servir. Meus dedos se afrouxaram e a xícara caiu no chão, quebrando-se em mil pedaços. O som agudo ecoou pelo silêncio do quarto. O chá quente manchou o tapete persa, uma marca escura e feia, como a que ele acabara de deixar em minha vida.
Meu noivado, meu futuro, minha honra, tudo se estilhaçou junto com aquela porcelana.
"Sofia!", ele exclamou, mais irritado com a bagunça do que preocupado comigo.
Uma criada entrou correndo para limpar os cacos. O barulho dela varrendo os fragmentos era a única coisa que quebrava a tensão. Eu olhava para a mancha no tapete, incapaz de desviar o olhar.
Luís se aproximou de mim, sua irritação se transformando em uma falsa gentileza. Ele pegou minhas mãos. Elas estavam geladas.
"Sofia, por favor, entenda. É a única maneira. Eu te amo como uma irmã, respeito você mais do que ninguém. Você é a única que pode governar o palácio, a única com a inteligência e a dignidade para ser a verdadeira matriarca. Beatriz é apenas... uma paixão. Mas uma paixão que eu preciso ter".
Ele tentou me abraçar, mas eu me afastei. Sua voz era suave, mas suas palavras eram veneno. Ele estava me pedindo para sacrificar minha dignidade por sua paixão, para me tornar uma piada na corte, a noiva principal que foi rebaixada.
"Você disse que o marido dela deve amá-la somente", eu disse, minha voz baixa, mas firme. "E você, Luís? Você está me pedindo para aceitar um marido que não me ama".
"Não seja dramática, Sofia. Nosso casamento sempre foi um arranjo político. O amor nunca fez parte do acordo".
Naquele momento, algo dentro de mim se quebrou de vez. A dor deu lugar a uma clareza fria. Eu olhei para ele, o homem para quem fui prometida, o futuro Imperador, e vi apenas um menino egoísta e fraco.
Eu me levantei.
"Você terá sua resposta", eu disse, e saí da sala, deixando-o para trás com os cacos da minha vida anterior.
Você pode gostar





