
Meu Destino, Minha Escolha
Capítulo 3
O aniversário de Luís chegou, um evento grandioso que reunia toda a nobreza do império. Eu deveria estar ao seu lado, a futura Imperatriz, recebendo os convidados. Em vez disso, encontrei-o no jardim, escondido atrás de uma fileira de roseiras, com Beatriz em seus braços. A cena não era discreta; eles pareciam não se importar com quem os visse. A promessa dele de ser cuidadoso, de manter as aparências, era tão vazia quanto suas declarações de respeito por mim.
Meu coração, que eu pensava já estar em pedaços, doeu de uma forma nova e aguda. A humilhação pública era uma arma que ele parecia manejar com uma crueldade descuidada.
Mais tarde, durante o banquete, ele se levantou para fazer um brinde. Todos os olhos estavam nele. Eu me preparei para o pior.
"Meus amigos, minha família", ele começou, a voz ressoando pelo grande salão. "Hoje é meu aniversário, um dia para celebrar a vida. E eu percebi que a vida é curta demais para não seguir o coração".
Ele olhou diretamente para Beatriz, que estava sentada em uma mesa menos proeminente, mas que agora era o centro de todas as atenções. Seu rosto brilhava de triunfo.
"Eu amo Beatriz, filha do nobre General da Fronteira. E é com ela que eu desejo me casar. Eu quero que ela seja minha esposa, minha princesa".
Um murmúrio chocado percorreu o salão. Todos os olhares se voltaram para mim. Eu podia sentir o peso da pena, da curiosidade, do desprezo. Meu rosto estava quente, mas mantive minha espinha ereta e meu olhar fixo em um ponto distante da parede. Eu me recusei a lhes dar a satisfação de ver minha dor. Meu treinamento como futura Imperatriz, a disciplina de anos, me segurou de pé naquele momento. Eu era uma estátua de gelo por fora, enquanto por dentro tudo queimava.
Luís, percebendo o silêncio desconfortável, tentou consertar a situação da pior maneira possível. Ele caminhou até mim.
"Sofia, claro, manterá sua posição de honra. Ela entende. Ela não é mesquinha".
Ele se virou para a multidão, como se esperasse aplausos por sua "magnanimidade". Ninguém aplaudiu. O silêncio era ensurdecedor.
Mais tarde, ele me encurralou em um corredor.
"Por que você está fazendo essa cara? Eu não disse que você manteria seu status? Pare de ser tão infantil, Sofia. Você está estragando meu aniversário com esse seu drama silencioso".
Eu não respondi. Apenas tirei do dedo o anel de noivado que ele me dera, uma safira magnífica cercada de diamantes, o símbolo do nosso compromisso. Segurei-o na palma da minha mão e o estendi para ele. Um gesto simples, mas que continha todo o meu desprezo e minha decisão.
Ele olhou para o anel e depois para mim, incrédulo. "O que você está fazendo? Isso é ridículo. É só um chilique".
"Considere isso meu presente de aniversário para você, Alteza", eu disse, minha voz era um fio de aço. "A sua liberdade".
Ele ficou furioso. "Você não pode fazer isso! Nosso noivado foi decretado pelo Imperador!".
"Então talvez seja com o Imperador que eu deva falar. Ou melhor, com a Imperatriz".
Deixei o anel em uma mesinha de mármore ao nosso lado e me virei para sair. Eu sabia exatamente o que fazer. A dor havia se transformado em um propósito gelado. Eu não seria a vítima dessa história. Eu não seria a dama rebaixada e lamentável.
Atravessei os corredores do palácio, ignorando os olhares e os sussurros. Fui direto aos aposentos da Imperatriz. Ela estava em seu escritório, revisando documentos. Ela ergueu os olhos quando entrei, surpresa com minha aparição abrupta.
"Sofia? O que aconteceu? Por que você não está na festa?"
Eu fiz uma reverência profunda. "Majestade, peço perdão pela intrusão. Mas um assunto de extrema urgência me traz aqui".
Ela viu a expressão em meu rosto e sua feição se tornou séria. Ela dispensou suas damas de companhia com um gesto.
"Fale, criança".
"Majestade", comecei, minha voz firme e clara, "o Príncipe Herdeiro Luís acaba de anunciar publicamente, durante seu banquete de aniversário, seu desejo de se casar com a senhorita Beatriz, filha do General da Fronteira".
O rosto da Imperatriz se contraiu em uma máscara de choque e fúria. "Ele o quê? Aquele... aquele tolo!".
Ela se levantou, andando de um lado para o outro. "Eu o avisei. Avisei para ser discreto! Avisei que essa garota traria problemas! Humilhar você, a noiva imperial, publicamente! Isso é um escândalo sem precedentes!".
Eu esperei que sua fúria inicial diminuísse. Então, continuei.
"Majestade, eu não vim aqui para reclamar ou pedir que Vossa Majestade puna o Príncipe. Eu vim aqui com um pedido".
Ela parou e me olhou, a curiosidade substituindo a raiva.
"Eu desejo anular meu noivado com o Príncipe Herdeiro Luís".
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