
Meu Destino Descoberto na Esteira da Traição
Capítulo 3
Alícia Mendes POV:
O e-mail chegou na minha caixa de entrada menos de uma hora depois: "Sua demissão foi aceita." Sem gentilezas, sem arrependimento. Apenas uma dispensa fria e eficiente. Uma finalidade que ressoou fundo dentro de mim, uma estranha mistura de alívio e uma dor persistente. Tinha realmente acabado.
Quando cheguei à Azevedo Tech para meu último dia, o RH me chamou para um escritório pequeno e estéril. A gerente de RH, geralmente calorosa, uma mulher que uma vez elogiou minha dedicação, me olhou com uma frieza quase hostil. "Sra. Mendes", ela começou, seu tom seco, "entendemos que você está saindo sob... circunstâncias incomuns. Um conselho: seja discreta. Valorizamos a reputação da nossa empresa e esperamos que nossos ex-funcionários façam o mesmo." A ameaça velada pairava no ar, uma mensagem clara de Heitor.
Enquanto eu caminhava pelos corredores familiares, recolhendo meus pertences pessoais e entregando arquivos de projetos, eu podia sentir os olhos em mim. Sussurros me seguiam como uma sombra indesejada. "É ela, não é?" "Aquela com quem o Heitor se casou por causa da empresa." "Que pena. Ela parecia tão doce." A pena, o julgamento, a alegria mal disfarçada em suas vozes pareciam golpes físicos. Cada palavra era uma nova humilhação, dissecando minha vida para o entretenimento deles.
Mantive a cabeça baixa, o olhar fixo à frente. Meu rosto, eu esperava, era uma máscara de indiferença. Eu não lhes daria a satisfação de me ver desmoronar. Movi-me com uma calma praticada, completando metodicamente cada tarefa, recusando-me a reconhecer o ar venenoso ao meu redor. Este era meu último ato de desafio, meu último dever profissional, e eu o executaria com perfeição.
Eu estava assinando o último documento quando a porta do escritório se abriu com um estrondo. Heitor estava lá, uma figura escura silhuetada contra o corredor claro. Seus olhos, queimando com uma raiva intensa e possessiva, estavam fixos apenas em mim. Meu coração deu um salto, um medo primitivo me dominando. Ele estava aqui.
Camila surgiu por trás dele, o braço entrelaçado no dele, seu sorriso um corte cruel em seu rosto. "Querido", ela ronronou, sua voz ecoando pelo escritório silencioso. "Você tem certeza de que ela não pegou nada? Sabe, segredos da empresa, listas de clientes... Eu não duvidaria dela. Algumas pessoas simplesmente não são confiáveis quando são... dispensadas." Suas palavras eram um veneno deliberado, projetado para me implicar, para me pintar como uma ladra.
Meu olhar se voltou para Heitor. "Você está falando sério?" eu exigi, minha voz crua de incredulidade. "Você realmente suspeita de mim de algo assim?" A acusação, vindo dele, foi uma nova ferida. Depois de todos aqueles anos, de toda a minha lealdade, ele realmente acreditava que eu o trairia profissionalmente.
Heitor não me respondeu diretamente. Em vez disso, ele latiu: "Marcos! Venha aqui! Quero que você verifique o notebook da empresa da Alícia. Cada arquivo, cada e-mail. Agora." Marcos, o chefe de TI, um homem tímido que sempre evitava contato visual, correu para frente, seu rosto pálido.
A humilhação foi instantânea, ardente. Meu espaço de trabalho privado, minha vida digital, estava prestes a ser exposta para todos verem. Meu estômago se contraiu, a bile subindo na minha garganta. Isso não era apenas uma verificação; era uma humilhação pública, uma invasão dos meus últimos vestígios de privacidade.
"Não!" eu gritei, parando na frente do meu notebook, meus braços abertos protetoramente. "Você não pode fazer isso! São minhas informações pessoais aí! Meus e-mails privados, minhas fotos..." Minha voz falhou, cheia de desespero. A ideia de eles vasculharem minha vida, expondo tudo, me deixou fisicamente doente.
Virei-me para Heitor, meus olhos suplicantes. "Por favor, Heitor. Você sabe que eu nunca roubaria nada. Por favor, pare com isso. Não deixe que eles façam isso." Seu rosto era uma máscara de fria indiferença. Ele agarrou meu braço, seu aperto machucando. "Me diga, Alícia", ele rosnou, sua voz baixa e ameaçadora, "você vazou alguma coisa? Havia algo que você não deveria estar olhando?"
O ar estava denso de tensão, os sussurros dos meus colegas ficando mais altos, ansiosos para testemunhar o espetáculo. "Ela sempre foi um pouco próxima demais do chefe", alguém murmurou. "Provavelmente tentando se vingar", outro acrescentou. Suas palavras, como pequenas facas, se torciam no meu coração.
Heitor, sentindo a atenção absorta da plateia, cortou o murmúrio com um comando afiado. "Apenas abra o notebook, Marcos! Eu quero ver tudo." Ele apertou seu aperto no meu braço, seus olhos me desafiando a resistir.
"Não!" eu gritei, um som desesperado e cru que ecoou pelo escritório silencioso. Eu me lancei para frente, tentando arrancar o notebook de Marcos, mas o aperto de Heitor era como ferro. "Não se atreva a abri-lo!"
"Abra!" Heitor rugiu, sua voz abalando o escritório silencioso. Marcos, tremendo, clicou no mouse, e a tela piscou para a vida. Meu mundo inteiro desabou ao meu redor naquele momento.
O papel de parede da área de trabalho. Era uma foto. Uma foto espontânea de Heitor e eu, tirada naquelas férias secretas na praia em Fernando de Noronha, rindo, olhos brilhando, seus braços em volta de mim. A prova íntima e inegável do nosso segredo de cinco anos, estampada no grande monitor para todos verem. O sangue sumiu do meu rosto. Senti um pavor frio se espalhar por meus membros, me puxando para um abismo aterrorizante.
Minha respiração engasgou, um soluço sufocado escapando dos meus lábios. A vergonha, a humilhação total, foi uma onda que me cobriu, ameaçando me afogar completamente. Minha vida privada, nossa vida privada, era agora um espetáculo público, zombado e dissecado por uma sala cheia de estranhos. Senti-me exposta, violada, minha própria alma exposta.
O rosto de Heitor, no entanto, era uma imagem de calma praticada. Ele se inclinou, sua voz escorrendo condescendência. "Oh, Alícia", ele suspirou, balançando a cabeça. "Ainda brincando? Você sabe que estas são apenas fotos manipuladas. Alguma edição de fotos inteligente, talvez? Você sempre foi boa com gráficos, não é?" Suas palavras, uma mentira magistral, torceram a faca mais fundo. Ele não estava apenas negando nosso passado; ele estava me desacreditando, transformando minha dor em uma ilusão.
Uma onda de risadinhas percorreu o escritório. "P-photoshop?" alguém sussurrou, depois riu. "Uau, ela realmente achou que ele cairia nessa?" O ridículo, afiado e cruel, me atravessou. Eu era uma piada, uma mulher patética e delirante.
Camila, com o braço ainda enganchado no de Heitor, deu um passo à frente, seu rosto uma máscara de falsa simpatia. "Oh, Alícia, querida", ela arrulhou, sua voz doce e açucarada. "É realmente triste, não é? Se apegar a tais fantasias. Talvez você devesse procurar ajuda. E se você estiver realmente sozinha, suponho que Heitor e eu poderíamos encontrar um rapaz legal e estável para você. Um que realmente queira estar com você, publicamente." Ela olhou para Heitor, um brilho possessivo em seus olhos. "Mas você não pode ter meu marido. Ele é meu agora."
Heitor, desempenhando seu papel com perfeição, puxou Camila para mais perto. "A Alícia tem sido como uma irmãzinha para mim", ele anunciou para a sala, sua voz alta e clara, ecoando sua negação anterior. "Uma garota doce, mas talvez um pouco... imaginativa demais. Vamos encontrar um bom partido para ela. Camila, talvez você pudesse ajudá-la a encontrar um rapaz legal para ela se colocar no Photoshop com ele?" Ele riu, um som cruel e desdenhoso que foi acompanhado por um coro de risadas da sala.
Camila, aproveitando a atenção, jogou a cabeça para trás e riu. "Oh, Heitor, você é tão gentil! Lembra como eu te deixei por aquele velho rico, só para perceber meu erro e voltar? O amor verdadeiro sempre vence, querido. Algumas pessoas simplesmente não entendem isso." Suas palavras, destinadas a reforçar sua vitória, se torceram em meu estômago. Eram um lembrete de como Heitor havia sido facilmente influenciado, de quão pouco minha presença constante significava em comparação com seu retorno dramático.
Os olhos de Heitor encontraram os meus, um sorriso arrepiante em seus lábios. Ele se inclinou, sua voz mal um sussurro. "Você vai voltar, Alícia. Elas sempre voltam. Você não consegue viver sem mim." Ele achava que me conhecia, achava que tinha poder sobre mim. Ele acreditava que eu era tão totalmente dependente dele, tão consumida pelo meu amor por ele, que eu rastejaria de volta, implorando por migalhas.
Ele estava errado. Tão terrivelmente, horrivelmente errado. O amor que eu uma vez tive por ele havia sido brutalmente assassinado, substituído por um ódio frio e ardente. Eu não iria apenas embora; eu ressurgiria das cinzas de sua traição, mais forte, mais feroz e completamente livre.
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