
Meu Caso Mais Sério
Capítulo 3
- Não senhor. Porque? Deveria?
LeBlanc deu uma gargalhada, que chamou a atenção de todos no local.
- Oh me desculpem. - Falou com tom suave na voz, arrepiando Rebeca até a o couro cabeludo. - Se não estou preso, temo que tenho que ir, ou me atrasarei para meu próximo compromisso. - Virou as costas e saiu.
Fernando e Rebeca ficaram perplexos, se encararam.
- Ele é suspeito pra mim. - Rebeca falava.
- Eu também acho. Vamos descobrir quem ele é. Vamos voltar para a delegacia.
Já eram quase 21hs, ainda estavam na delegacia.
Dr. LeBlanc era médico pediatra, tinha 35 anos e morava num bairro rico da cidade. Sem antecedentes criminais.
- Mas uma testemunha disse que o suspeito tinha olhos azuis e uma cicatriz... - Poderíamos conversar com a testemunha novamente, quem sabe um retrato falado. Assim poderíamos ver se eles se parecem, mesmo sem cicatriz ou olhos verdes. - Fernando falava enquanto buscava nas pastas os nomes das testemunhas.
Rebeca ajudou-o a buscar nas pastas os nomes das testemunhas, para achar qual falou da aparência do suspeito. De repente Rebeca xinga. - Merda! Merda! Merda!
- O que foi? - Fernando a encara assustado.
- Dr. Alexandre LeBlanc, testemunha número três, passava pelo local quando viu um homem correndo do local em que a vítima foi encontrada. Estava em uma parte bem iluminada da rua e pôde ver o rosto do suspeito. - Rebeca leu o que estava na ficha.
Fernando socou a mesa com força! - Desgraçado! Ele zombou da nossa cara!
Telefone de Rebeca toca: - Detetive Lorone.
Rebeca ouve com atenção. Desliga o telefone e encara Fernando com lágrimas nos olhos.
- Encontraram mais uma vítima.
Fernando empalideceu. Abriu a boca mas nenhum som saiu. - Ele se apressou. Era só amanhã o sétimo dia.
- Ele deve ter percebido que desconfiamos dele, e se descontrolou.
Rebeca se levantou. - Vamos para a unidade de vítimas especiais. Precisamos de mais ajuda. Vamos encontrar esse homem.
- Ok, mas antes vamos no local do crime, pegar evidências, ele é esperto, mas ele está desesperado.
- É a hora que ele comete um erro.
***
Fernando e Rebeca chegam na cena do crime, as mesmas evidências, mulher, baixa, pele branca, olhos e cabelos castanhos, tiro na cabeça e... unhas pintadas de roxo.
Rebeca sente um calafrio percorrer seu corpo. Fernando percebe e franze o cenho. - Está com frio ? - Ele pergunta, mesmo sabendo que não está.
- Nã... não... é só essa situação toda. Que crueldade, que loucura. - Rebeca responde e Fernando assente.
Ambos verificam a vítima, colhem alguns dados de pessoas que passavam pelo local e como a encontraram.
Depois vão para a unidade de vítimas especiais.
A delegacia está um alvoroço. Todos em choque porque não acreditam que deixaram mais um crime acontecer.
Rebeca toma a frente. - Já temos um suspeito. - Ela respira fundo enquanto todos a encaram. - Alexandre LeBlanc, médico pediatra. - Todos se surpreendem, um pediatra? alguém questiona.
- Sim... - Fernando responde. - Precisamos saber onde ele trabalha, e onde estava na hora dos crimes. Isso pra começar.
- Também precisamos de um mandado de busca na casa dele. Urgente!
***
Policiais por toda a parte, entrando na casa de Dr. LeBlanc, revirando sofás, armários, tudo que veem pela frente. Fernando e Rebeca estão de luvas, ajudando na busca. Dois outros detetives foram no hospital perguntar por LeBlanc.
"Vruuum Vruuum" o celular de Rebeca vibra. Ela não olha.
"Vrummmm Vruuuummm Vrummm" uma ligação, Rebeca olha o identificador de chamadas e é sua Mãe.
Afasta-se um pouco de Fernando e atende. - Oi mãe. Estou trabalhando.
Seus olhos se arregalam quando ela ouve a voz do outro lado, seu coração começa a bater rápido demais, suas pernas amolecem e seu estomago se embrulha. "Ai meu Deus, é ele. É aquela maldita voz." Rebeca amolece e desmaia.
Fernando vê Rebeca se afastar, percebe que ela fala com alguém em voz baixa, de repente ela desmaia. Fernando corre até, ela, pede que tragam água. Outro detetive corre e se aproxima com a água.
- Rebeca, Rebeca... - Fernando dá batidinhas em seu rosto, e joga um pouco de água. - Rebeca...
Rebeca dá um salto: - Minha mãe, cadê meu celular... - procura pelo chão, Fernando o entrega sem entender, ela disca o número e cai na caixa postal. - Merda!
Fernando a olha com ar interrogativo, ainda preocupado.
- Era ele, LeBlanc, ligou do celular da minha mãe. - Rebeca deixou lágrimas escorrerem, mas seu olhar não era de medo, era de raiva, determinação.
Fernando endureceu o semblante. - Vamos encontrá-la. Eu juro.
Rebeca assente. - Podemos ir na minha casa agora ? Preciso ver se minha irmã está lá, ou ... - Balança a cabeça.
- Claro, vamos para lá agora. Pedirei reforços. - Fernando faz uma ligação e se afasta. Volta encarando Rebeca bem nos olhos. Por um momento ele enxerga o medo nos olhos dela, mas é breve. Ela o encara e diz: - Vamos?
- Vamos.
Ao chegarem na casa de Rebeca, Fernando toma a frente, Rebeca vai pelo lado direito da casa, abaixada para não ser vista por quem esteja dentro da casa, em sua cola vem outro policial armado.
- Nada. - Rebeca faz movimento com os lábios para o policial a seu lado.
Ambos entram pela janela lateral, enquanto ouvem a porta sendo arrombada. - Droga! - Rebeca pensa. Devia ter dado a chave, assim não teria feito tanto barulho. Correm pela casa procurando por alguém. Nada. A casa está vazia.
A cada passo que dá, Rebeca sente que vai vomitar. A cada passo perde um fio de esperança. - Aquele verme! - Ela grita, enquanto todos se encontram na entrada sem encontrarem ninguém na casa. Sai a passos largos para fora. Sente-se sufocando. Corre, corre, corre.
Rebeca não sabe pra onde está indo, apenas corre, tentando desesperadamente controlar as lágrimas. Que merda Rebeca! Ela pensa. Porque você não podia ser uma professora, ou uma dentista... porque ser policial e arriscar a vida dos que mais ama. Rebeca sentia que não podia mais correr, sua garganta ardia, com o ar que entrava por sua boca, o suor escorria por seu rosto e pescoço.
Fernando corria alucinado atrás de Rebeca. - Mas que mulher que corre rápido, pensava enquanto corria. REBECA, REBECA PARE, POR FAVOR! - Ele gritava atrás dela. Quando percebeu que estava sem folego e parou, ele correu mais rápido e a alcançou.
Rebeca sentiu um par de mãos fortes a virarem, ela fechou os olhos e começou a lutar com ele. Ela nem mesmo sabia com quem lutava, mas não podia deixá-lo vencer.
De repente uma boca colou-se na sua. Rebeca abriu os olhos. Encontrou Fernando com aqueles incríveis olhos azuis a encarando com desespero no olhar. Seus lábios estavam colados nos dela. Ela fechou os olhos. Fernando aprofundou o beijo, sentindo-a relaxar. Foi um beijo calmo, um beijo terno e acalentador.
Fernando se afastou e a abraçou. Neste momento Rebeca se deixou cair. Chorou até não ter mais lágrimas. Sentou no chão. - O que vamos fazer ?
Fernando estava a vendo tão vulnerável, quase não acreditava que era a mesma mulher forte e determinada de antes. Sentiu-se compelido a abraça-la, mas não queria exagerar. Ela poderia entender mal.
Suspirou. - Estão tentando localizar o celular de sua mãe. - pensou por um momento. - Não o encontraram no hospital também.
Rebeca soluçou. Fernando não aguentou mais e a abraçou. Estava sentado ao lado dela, meio de lado, a abraçou sentindo o seu perfume misturado com suor. Aquilo o excitou. Merda! O que estava havendo com ele!?
Se afastou, se levantou. - Vamos Rebeca. Precisamos encontrá-las.
Rebeca se levantou, respirou o ar da noite e foram em direção a sua casa. Ela nem percebera que tinha corrido tanto, estavam a várias quadras de distância.
Quando chegaram encontraram todos esperando-os. Assentiram para Rebeca e foram fazer uma revista na casa. Quando telefone de Rebeca toca novamente. Ela congela. - É o número da minha mãe.
- Quer que eu atenda? - Fernando se oferece.
- Não. - Então ela mesmo atende o celular. Apertando tanto o aparelho que os dedos ficam esbranquiçados.
- Alô. - Diz com voz firme.
- Olá, querida Beca. - Ele fala com a voz aveludada que tanto anoja Rebeca.
- O que você quer LeBlanc?
- Quero você!
- Se soltar minha mãe e minha irmã.
- Ótimo! Venha buscá-las então. Mas venha sozinha. Ou você já sabe o que acontecerá a elas.
Rebeca engole o nó que se forma em sua garganta. - Quero ouvi-las antes. Passe o telefone.
Um silêncio se ouve, Rebeca pensa que ele irá recusar, quando ouve a voz de sua mãe. - Beca.
Sua voz está embargada, percebe-se que chorou. - Mãe, vou tirar vocês daí. - Sua mãe interrompe. - A Lari... - sua voz falha. O telefone é tirado dela. A voz de LeBlanc surge novamente no telefone. - Meia hora. Você tem meia hora ou eu as mato! - E desligou.
Rebeca não sabe o que fazer, se for sozinha é capaz de ele matar as três, caso não vá sozinha ele mata elas.
Fernando olha naqueles olhos que são como esmeraldas, e vê dúvida, medo, indecisão... Mas que droga! - O que ele disse Rebeca? - Fernando fala sério, já imaginando o que o homem na ligação pediu. Ela não responde. - Você não irá sozinha a lugar algum ouviu bem? - Fernando a sacudia pelos braços.
- Eu preciso, ou ele vai matá-las.
- Não mesmo! Esse caso é de todos nós e vamos salvar sua família! - Fernando falava com convicção, quase acreditou nele mesmo, mas seu coração batia descompassado. Não se perdoaria se algo acontecesse a Rebeca. Apesar do pouco tempo juntos, ele sentia-se conectado a ela.
A equipe foi redirecionada para o endereço que LeBlanc passou, todos com cuidado e escondidos para não serem descobertos antes da hora certa.
Rebeca entrou no prédio abandonado em que dava o endereço passado, seus passos eram lentos, não querendo fazer qualquer barulho. Parecia se tudo ao seu redor estava suspenso, não havia ar para respirar. Rebeca deu mais alguns passos, pegou sua arma devagar, e com passos lentos continuou no escuro. Seus olhos já estavam se acostumando com a escuridão e se adaptando.
Fernando estava do lado de fora. Cada segundo parecia uma eternidade, como concordou com aquele plano? Tudo que fizera em sua vida foi ser um bom policial, ótimo detetive e se manter seguro. E manter os seus seguros também. De repente se deu conta que estava considerando Rebeca como uma das suas. Sorriu por dentro. Esperava poder dizer isso a ela.
- Já passaram 5 minutos. - Fernando olhava para o sargento, pedindo que fizesse algo.
O sargento o olhou e ergueu a mão, o mandando esperar mais um pouco. Fernando sentia o suor escorrer na face, as suas mãos formigavam enquanto segurava a arma. Sentia seus pés gelados na botina, o colete a prova de balas o incomodava embaixo dos braços, o lembrando de que poderia levar um tiro a qualquer momento. Pensar nisso o deixava mais tenso, pois se fosse assim, Rebeca já estaria também baleada.
Engoliu seco. Fechou os olhos e tentou se acalmar. Precisava se concentrar. Agora entendia porque evitavam deixar as pessoas que trabalham juntas namorarem, ou ter envolvimento em caso de família envolvida. Mas Rebeca não era nada sua, porque estava tão desesperado?!
PÁ! PÁ!
Um tiro, dois tiros. Ouviu o sargento gritando, mandando todos entrarem. Fernando corria como se sua vida dependesse disso, e talvez dependesse mesmo.
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