
Meu Amor, Minha Ruína
Capítulo 2
Hoje era nosso aniversário de casamento.
Eu estava sentada sozinha na sala de estar, a casa grande e vazia parecia engolir o som da minha respiração.
A mesa de jantar estava posta para dois, com os pratos que Pedro mais gostava e uma garrafa do seu vinho favorito, mas ele ainda não tinha chegado.
Na minha mão, eu segurava um pequeno objeto de plástico, um teste de gravidez.
Duas linhas vermelhas bem nítidas.
Um bebê. Nosso bebê.
Eu deveria estar feliz, pulando de alegria, mas meu coração estava pesado, uma ansiedade fria se espalhando pelo meu peito.
Eu olhei para o relógio na parede, os ponteiros se moviam devagar, cada segundo uma tortura.
Finalmente, ouvi o som de um carro se aproximando e meu coração deu um salto.
Corri para a janela, esperando ver o carro de Pedro, mas o que vi fez meu mundo parar.
Era ele, sim, mas não estava sozinho.
Gabriela, seu primeiro amor, estava com ele.
Ela saiu do carro, com uma aparência frágil, e se apoiou nele. Pedro a segurou com um cuidado que eu não via há muito tempo, sua mão envolvendo a cintura dela com uma familiaridade dolorosa.
Eles estavam rindo, a cabeça dela encostada no ombro dele, uma cena de intimidade que rasgou meu peito.
Eles não entraram em casa, apenas ficaram ali, sob a luz fraca da varanda, conversando baixo.
Minha mão, que estava protetoramente sobre minha barriga, se afastou lentamente.
Naquele momento, enquanto eu os observava do escuro da sala, a decisão se formou na minha mente, clara e afiada.
Acabou.
Eu ia me divorciar de Pedro.
Tudo começou há três anos.
Eu amava Pedro desde que me entendia por gente, desde que a avó dele, a Sra. Maria, me acolheu em sua casa depois que meus pais morreram.
Eu cresci ao lado dele, mas ele nunca me viu de verdade, seus olhos sempre estiveram em Gabriela.
Eles eram o casal perfeito, o amor de juventude que todos admiravam.
Quando a avó dele ficou doente, seu último desejo foi nos ver casados.
Pedro, para agradá-la, concordou.
Nós nos casamos sob um acordo, um contrato. Ele me daria uma vida de luxo, e eu seria a Sra. Patterson que a avó dele tanto queria.
Eu aceitei, nutrindo a esperança tola de que, com o tempo, ele pudesse me amar.
E por um breve período, pareceu que meu sonho poderia se tornar realidade, especialmente depois que Gabriela se casou com outro e se mudou para longe.
Mas a paz durou pouco.
Há seis meses, Gabriela voltou.
Divorciada, sozinha e, aparentemente, com o objetivo de reconquistar o que havia deixado para trás.
A volta dela foi como uma tempestade silenciosa, que começou com telefonemas esporádicos e logo se transformou em encontros "casuais".
Pedro começou a chegar tarde, o cheiro de um perfume feminino que não era o meu impregnado em suas roupas.
Ele se tornou distante, frio, e a esperança que eu alimentava começou a morrer, pouco a pouco.
Eu tentei ignorar, tentei acreditar nas desculpas dele, mas a verdade era um soco no estômago cada vez que eu o via olhar para o celular com um sorriso que não era para mim.
E agora, no nosso aniversário, ele trazia a prova final da sua traição para a porta da nossa casa.
Eu me afastei da janela, meu corpo tremendo.
A surpresa que eu tinha planejado, o teste de gravidez que eu tinha escondido em uma caixinha de veludo, agora parecia uma piada cruel.
A porta da frente se abriu.
Pedro entrou sozinho, um sorriso forçado no rosto.
"Sofia, desculpe o atraso. Tive um imprevisto no trabalho."
A mentira era tão óbvia que me deu náuseas.
Ele se aproximou para me beijar, mas eu virei o rosto.
"O que foi?" ele perguntou, a irritação já aparecendo em sua voz.
Foi então que Gabriela apareceu na porta, um sorriso tímido nos lábios.
"Pedro, esqueci minha bolsa no carro," ela disse com uma voz doce e indefesa.
Ela me olhou, seus olhos brilhando com um triunfo mal disfarçado.
"Ah, Sofia, você está aí. Desculpe, não queria atrapalhar. O Pedro só estava me dando uma carona, meu carro quebrou."
A desculpa era fraca, patética.
Eu olhei de Pedro para ela, e depois para a mesa de jantar que eu tinha preparado com tanto cuidado.
A raiva e a dor se misturaram dentro de mim.
Escondi o teste de gravidez no bolso do meu vestido, a decisão mais firme do que nunca.
"Não está atrapalhando nada, Gabriela," eu disse, minha voz surpreendentemente calma. "Na verdade, acho que vocês dois têm muito o que conversar."
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