
Meu Amor, Minha Ruína
Capítulo 3
Pedro olhou para mim, confuso. "Sofia, do que você está falando?"
Gabriela, por outro lado, entendeu perfeitamente. Ela deu um passo para dentro da casa, olhando ao redor com um ar de quem avalia a propriedade.
"Que casa linda, Pedro. Você tem bom gosto," ela disse, ignorando completamente a minha presença. "Lembro de quando éramos jovens e sonhávamos em morar numa casa assim."
Aquelas palavras foram uma provocação direta.
Ela estava me lembrando que ela veio primeiro, que ela sempre seria a dona das memórias e dos sonhos dele.
Eu senti meu sangue ferver.
"Obrigada," eu respondi, forçando um sorriso. "Eu que decorei."
Gabriela me lançou um olhar de desprezo disfarçado. "Ah, é? Interessante. Pedro sempre odiou esse estilo mais... clássico."
"As pessoas mudam, Gabriela," eu disse, olhando diretamente para Pedro, que desviava o olhar, desconfortável.
De repente, Gabriela levou a mão à testa, cambaleando um pouco.
"Ai, minha cabeça. Acho que minha pressão caiu."
Instantaneamente, Pedro estava ao lado dela, todo preocupação. Ele a amparou, seu rosto contorcido de ansiedade.
"Você está bem? Vem, senta aqui."
Ele a guiou até o sofá, o mesmo sofá onde eu estava sentada minutos antes, pensando no nosso futuro. Ele a colocou ali com uma delicadeza que eu nunca tinha recebido. Ele a tratou como se ela fosse feita de um material precioso e frágil.
Meu coração doeu.
Aquele homem, meu marido, só era gentil com outra mulher. Para mim, só sobrava a frieza e a indiferença.
"Sofia," Pedro me chamou, sua voz autoritária. "Vá buscar um copo de água com açúcar para a Gabriela."
Eu fiquei parada, incrédula.
Ele estava me dando uma ordem, como se eu fosse uma empregada, para servir a mulher com quem ele estava me traindo.
"Eu não vou," eu disse, minha voz firme.
Pedro franziu a testa, chocado com a minha recusa. "O que você disse?"
"Eu disse que não vou," repeti, cruzando os braços. "Eu também não estou me sentindo bem."
Era verdade. A náusea da gravidez, misturada com a raiva e a dor, estava me deixando tonta.
Pedro me olhou com desprezo. "Não comece com seu drama, Sofia. Gabriela está passando mal de verdade. Não vê que ela está pálida?"
"E eu estou mentindo?" eu retruquei, a voz subindo um tom. Eu podia sentir o pequeno objeto de plástico no meu bolso, uma prova silenciosa da minha condição.
"Francamente, eu não me importo," ele disse, sua paciência se esgotando. "Nós tínhamos um acordo, lembra? Você seria minha esposa, cuidaria da casa, me apoiaria. E isso inclui ser uma boa anfitriã para os meus... convidados."
A palavra "convidados" soou como um insulto.
O acordo. Ele ousava usar nosso acordo de casamento contra mim naquele momento. Um acordo que eu aceitei na esperança de que o amor florescesse, não para que eu me tornasse a serva de sua amante.
A última gota de esperança que restava em mim se evaporou.
Eu ri, um som amargo e sem alegria. "O acordo, Pedro? Você quer falar sobre o acordo?"
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu me recusei a deixá-las cair na frente deles.
"Tudo bem," eu disse, a voz agora fria como gelo. "Você tem razão. O acordo acabou."
Eu tirei a mão de dentro do bolso, mas não mostrei o teste. Não mais. Ele não merecia saber. Este bebê seria só meu.
Eu me virei, caminhando em direção à escada.
"Onde você vai?" Pedro gritou.
"Embora," eu respondi sem olhar para trás. "Vou pegar minhas coisas. Quero o divórcio."
Subi os degraus, cada passo uma confirmação da minha decisão. Eu podia ouvir Pedro me chamando, sua voz uma mistura de raiva e confusão, mas eu não parei.
No quarto, peguei uma mala e comecei a jogar minhas roupas dentro dela, sem me importar em dobrá-las. Minhas mãos tremiam, mas minha mente estava clara.
Era o fim.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti um vislumbre de liberdade.
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