
Meu amor, meu crime
Capítulo 2
Otto Boulevard
Enquanto eu saia daquela delegacia eu não podia deixar de lembrar daquela mulher, de cada ação dela, como houve um magnetismo instantâneo entre nós dois. Pare, Otto! Ela é uma das maiores inimigas da família Boulevard e você lembra o que havia prometido para si mesmo... Estava pensativo, reflexivo em toda a decida do elevador até a chegada do carro, quando entrávamos no carro e o motorista seguia a caminho de minha casa Inácio interrompeu meus pensamentos.
- Sr Boulevard, você acha mesmo que foi uma boa ideia virmos até aqui? A Delegada Paola é implacável! - Sorrio calmamente enquanto ele falava dela, ao me lembrar de cada parte do seu corpo, de seus lábios com aquele batom que desenhava sua boca, o olhar penetrante e ao mesmo tempo tão inocente que ela tinha, como pode? Uma mulher que já viu tantas coisas, tantos crimes e criminosos, será que ela... Não, não pode ser ela já é uma mulher feita.
- Fique tranquilo, Inácio, eu tenho tudo sob controle. Meus informantes lá de dentro são muito bem pagos para me comunicarem cada passo dessa operação, bem como informaram da operação que prendeu meu pai, ele está preso porque permitiu ser, ele queria que eu assumisse os negócios; Como eu não queria, arranjou um jeito de me forçar a fazer isso; me jogou a responsabilidade de nos vingarmos da Delegada Paola. Papai sempre foi autoritário, a vida toda quis me modelar e controlar como se eu fosse um mero boneco pronto a realizar todas suas vontades e desejos, nunca se importou com os meios usados para satisfazer aquilo que queria... E eu sei bem o que estou falando. - Finalizei enquanto passava a mão em minha cicatriz na testa.
- Compreendo, senhor, mas agora todos os homens são leais a você pois não sabem que seu pai foi preso intencionalmente, admiram sua tenacidade em escapar de investigações e desde que você assumiu, a receita aumentou muito, os negócios estão fluindo de maneira inimaginável! - Percebi a animação de Inácio ao falar - Qual o próximo passo agora? - Minha fisionomia se tornou sombria, uma imensa amargura tomou conta da minha alma naquele momento pois eu lembrava do olhar inocente de Paola e como o que eu faria a magoaria. Isso não deveria ser um problema! Onde eu estou com a cabeça? Eu só vi essa mulher uma vez, por mais que eu tenha feito minha investigação sobre ela e sua família e tenha tido sentimentos questionáveis a cada vez que sabia mais sobre ela eu só a vi uma vez. Não entendo o que ela está causando em mim. Eu preciso manter o foco pelos negócios da família, por isso prometi a mim mesmo que não haveria espaço para paixões em minha vida, meu pai sonha em me ver casado, com um herdeiro para dar continuidade a esse império criminoso mas se depender de mim ele irá morrer comigo e não arrastarei ninguém para esse mundo obscuro. Respirei fundo e respondi a Inácio.
- Vamos dar continuidade ao plano, prepare os homens para fazermos o sequestro do Desembargador Ávila. - Olho no relógio e volto a olhar para Inácio enquanto ele manda as mensagens de comando para os capangas.
- Ele está saindo do clube de tênis daqui aproximadamente 30 minutos. O funcionário do clube já avisou que ele saiu do vestiário, e como de costume tomará seu whisky enquanto aguarda o motorista busca-lo, é o único momento em que ele não tem seguranças com ele. O motorista já foi interceptado?
- Sim, Senhor Otto. Dois capangas já o pegaram, o que os rapazes deverão fazer com ele?
- Abandonem-o em um ponto alto da estrada antes de buscarem o Desembargador, mas deixe que ele viva. E quando pegarem o Senhor Ávila não o machuquem, levem ele direto para o cativeiro, mantenham ele vendado não creio que será um homem de gritos mas se começar a falar muito podem amordaça-lo - De imediato meu tom muda, me aproximo de Inácio e de forma ameaçadora digo:
- Eu vou repetir, não quero absolutamente ninguém ferindo o Senhor Ávila, quero ele vivo, e sendo bem tratado, ele será nossa moeda de troca. - Inácio me olha e acena com a cabeça positivamente com uma certa palidez, Inácio é um advogado e amigo leal mas sempre teve temor quando se tratava de mim.
- Ótimo. - Volto a sorrir calmamente enquanto acompanho a paisagem através da janela do carro e luto contra meus pensamentos ao lembrar de Paola. Estávamos chegando em minha casa, quando o telefone de Inácio toca e ouço ele dizer.
- Certo, sigam as instruções rigorosamente são ordens diretas do Sr. Boulevard.- Enquanto ele desliga o telefone olho para ele esperando que ele diga sobre o que se trata.
- Está feito, Senhor. O Desembargador Ávila já está no cativeiro. - Quando ele finaliza um frio me percorre a espinha, pois meus pensamentos só se voltam a Paola e como ela ficará diante da situação. Aceno positivamente com a cabeça e desço do carro em direção a casa, instruo Inácio a ir para o cativeiro para poder acompanhar de perto a estadia do Sr. Ávila até começarmos as negociações. Prevejo que será uma longa noite...Eu me preparava para fazer a ligação qual eu contaria a Paola que era o responsável pelo sequestro de seu pai, hesitei, peguei o telefone por várias vezes e um turbilhão de pensamentos tomava conta de mim. Eu estava ficando irritado, nunca fui um homem de hesitar. Meus objetivos sempre são claros e diretos, um lado meu temia por essa nova onda de emoções que eu estava experimentando. Enquanto Olga, a governanta, direcionava todos os empregados para saírem da mansão, Inácio já havia redirecionado os seguranças para nosso esconderijo na Itália. Tudo estava preparado, faríamos a troca e fugiríamos para nossa casa de campo que ficava na propriedade do Vinhedo da família. Apesar da relação difícil com meu pai eu sentia falta de tê-lo por perto.
- Sr. Boulevard? -
Sim, Olga.
- Suas malas estão preparadas e já pedi que levassem ao avião do senhor. Precisa de mais alguma coisa?
- Não, muito obrigado. Pode se organizar, me espere no avião que só preciso fazer uma ligação e já irei.
- Sim, senhor.
Oii, queridas Leitoras!
Espero que estejam gostando, comentem muuuito para o próximo capítulo!
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