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Capa do romance Meu amor, meu crime

Meu amor, meu crime

Paola Ávila é uma delegada brilhante de 25 anos, filha de um desembargador, que se destaca no combate a crimes bilionários da máfia. Embora cobiçada por sua beleza, ela sempre se manteve focada na justiça e no trabalho. Sua integridade é posta à prova ao investigar Otto Boulevard, um criminoso astuto de uma linhagem mafiosa poderosa. Acostumada a prender seus alvos, Paola é surpreendida por uma paixão avassaladora ao conhecer o homem que deveria condenaria.
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Capítulo 3

Paola Ávila

Depois que Otto foi embora, percebi que Sr. Medeiros me olhava um pouco desconfiado, engoli seco e logo o olhei com uma fisionomia mais séria esperando que ele fosse se dirigir a mim.

- Paola, Paola, você sempre lida com gente perigosa mas nunca vi ninguém causar o que esse homem causou em você. - Enquanto o Sr. Medeiros falava senti meu rosto queimar como se ele tivesse descoberto o que eu estava sentindo ao ver Otto, entretanto logo ele continuou:

- Mas eu te entendo, esse rapaz tem pouca idade mas parece ser bem mais astuto que o pai, também sei o peso que essa operação tem para você. Eu acho que sua maior dúvida aqui é: "Como ele descobriu?" Certo? - Acenei com a cabeça enquanto minha expressão se tornou curiosa.

- Sim, Senhor. Eu não compreendo, você me encaminhou os arquivos hoje pela manhã mas parece que ele sabia antes mesmo de mim! - Ele ficou pensativo e ao mesmo tempo desapontado, conheço o Sr. Medeiros tão bem, desde que eu era uma pequena garotinha... Ele é meu padrinho e grande amigo do meu pai, então cada expressão sua é muito familiar e compreendida por mim, logo continuei:

- Não pode ser... Você acha que tem um informante aqui na unidade???

Ele me olhou com um olhar pesaroso, mexeu os ombros como quem queria dizer que não duvidava disso, sentou-se na cadeira dele, passou as mãos no rosto em um ato cansado. Ao perceber isso peguei um copo d'água e ofereci a ele, após ter tomado ele limpou a garganta então com um gesto me convidou para sentar.

- Olha, diante dessa nova possibilidade todo cuidado é pouco. Eu já estou velho, esse ano me aposento mas preciso indicar alguém... Você sabe que é minha preferida para o cargo mas preciso que você tenha êxito nessa última operação, só que já vimos que será dificultosa. - Ele falava comigo enquanto olhava desconfiado através da persiana para todos os detetives e para a equipe que trabalhava conosco. Acenei com a cabeça como sinal que estava compreendendo o que ele me dizia.

- Comece a trabalhar nas estratégias de investigação, eu tenho um pressentimento que a prisão de Otto Boulevard não será tão fácil como a de seu pai Edgard. E até hoje aquela prisão dele me intriga, não pelo seu trabalho, mas a maneira que ela aconteceu.

Novamente assenti com a cabeça

- Eu entendo, também achei que as vias da prisão foram facilitadas, a segurança dele estava reduzida, eu não me esqueço do jeito que ele olhava como se ele quisesse aquilo. Mas quis acreditar, pela minha euforia que aquilo era impressão mas o senhor sabe que meus instintos não costumam me enganar.

- Sim, menina, eu sei... - E deu uma risada seguida de um olhar fraterno e logo disse:

- Inicie seu trabalho, comunique a mim as estratégias para depois passarmos para equipe, e mesmo assim com todo cuidado até descobrirmos em quem podemos confiar. - Dei um sorriso para ele, me levantei, peguei o arquivo impresso contendo as informações do Otto que estava sob a mesa e por uns segundos olhei novamente aquela foto, pressionei meus dedos na pasta e logo levei junto ao meu corpo afim de tampar aquela foto para não perder a concentração. Me despedi de meu padrinho, me direcionei até a minha sala e comecei a trabalhar. Por vários momentos me peguei pensando no encontro que tive com Otto, na sensação que ele me causou, o misto de sentimentos, aquele olhar e personalidade tão enigmática que não dá para saber o que esperar daquele homem. Passava minhas mãos no rosto, respirava fundo em uma tentativa frustrada de recobrar meu foco no trabalho, e hoje isso estava sendo uma verdadeira missão o que me provocou muita ira pois eu nunca estive tão dispersa em todo o tempo que eu tinha de carreira. Comecei a montar toda a investigação mas sentia que estava perdendo algumas pontas, já estava ficando tarde, grande parte da equipe já se preparava para ir ou tinha ido embora; Para tentar me concentrar mais eu havia transferido todas as ligações para a sala da direção para que eu conseguisse montar a investigação, com muita dificuldade consegui montar um quadro razoável. Suspirei aliviada até que o Detetive Lucas chega na minha sala, ele estava com os olhos arregalados vi uma movimentação estranha na delegacia. O Sr. Medeiros fazia ligações de sua sala com uma certa agitação, gesticulei com as mãos querendo saber o que havia acontecido:

- Fala Lucas, o que aconteceu? Parece que viu um fantasma - Ainda dei uma breve risada para tentar quebrar o clima mas logo parei de sorrir quando vi que Lucas não mudou sua expressão, pelo contrário ela se tornou mais sombria.

- Dr. Paola... - Ele disse, logo mudei minha postura porque ele nunca me chamava assim a não ser em circunstâncias extremamente graves.

- O seu pai, o Desembargador... Foi... Sequestrado - Quando ele finalizou a frase um frio tomou conta de mim, senti um aperto em meu peito uma sensação imediata de enjoo, fiquei tonta, segurei na mesa para me amparar logo Lucas me segurou, segurei no braço dele mas logo me recompus. Uma onda de raiva junto com sentimento de revolta tomou conta de mim

- QUEM?? QUEM PODERIA FAZER ISSO? QUEM SERIA O DONO DESSE ABSURDO? - Eu gritava enquanto as lágrimas começavam a rolar pelo meu rosto, Sr. Medeiros havia saído de sua sala as pressas quando começou a ouvir meus gritos, a delegacia estava em verdadeiro alvoroço quando de repente meu celular toca com um número não identificado, eu já imaginei que poderiam ser os sequestradores pedindo resgate e prontamente atendi mas para minha surpresa era uma voz familiar

- Boa noite, Delegada Paola. - Otto Boulevard, era ele, aquela voz rouca era inconfundível.

- Agora não é um bom momento - Eu disse com a voz meio embargada pelo choro, após me ouvir por alguns instantes ele se calou, mas logo falou.

- Agora é a hora propícia, é exatamente sobre o que está te atordoando que eu quero falar. Eu sei sobre seu pai. - Como ele já poderia saber??? Que raio de informante ele tem aqui para passar as informações tão rapidamente para ele.

- COMO VOCÊ SABE??? O QUE VOCÊ SABE A RESPEITO DISSO? - Já estava gritando com ele, o ouvi suspirar.

- Eu sequestrei o Desembargador Ávila, senhorita Paola. Fui eu quem sequestrei seu pai! - Eu não podia acreditar em tamanha barbaridade que eu estava ouvindo, eu senti meu corpo ficar em chamas de tamanha raiva que eu senti

- VOCÊ O QUE? D3SGRAÇ4DOOO!!!! A TROCO DE QUE VOCÊ FEZ ISSO? VOCÊ É UM DOENTE! VOCÊ VAI SE ARREPENDER AMARGAMENTE!!! - Eu gritava de forma descontrolada até que ele me impediu de continuar quando falou:

- CALE A BOCA! - Ele gritou comigo e mesmo por telefone sua voz parecia um trovão, me estremeci por um momento e me calei brevemente.

- Eu sou um homem de negócios, Paola! E nada que eu faço é sem pensar. Ao invés de continuar com sua histeria ouça com atenção o que eu tenho para lhe dizer. Seu pai está sendo bem tratado, por hora, afinal ele é minha moeda de troca.

- Moeda de troca? - O interrompi - O que você quer em troca? Perguntei para ele mas uma parte de mim sabia o que ele queria, como fui t0l4 de achar mesmo por alguns momentos que a prisão de Edgard Boulevard foi por mérito meu.

- Eu acho que você já imagina... Eu quero meu pai em troca do seu. - Eu não podia acreditar em tamanha audácia que aquele c4n4lh4 tinha.

- Isso é impossível, você sabe muito bem que não é algo que depende mim ou do Sr. Medeiros! - logo ele me interrompeu novamente.

- Sei que seu pai é valioso para você e o Sr. Medeiros mas também para o governo, ele é uma peça importante, tem um cargo de renome então sei que vocês irão conseguir. Vocês tem 24 horas para organizarem a soltura do meu pai, dentro de 12 horas eu entrarei em contato novamente com a localização para a troca ser feita.

Antes mesmo que eu pudesse falar ele havia desligado o telefone, meus sentimentos agora estavam tão bagunçados que eu nem sabia o que fazer mas precisava me recompor pelo meu pai. Me levantei, limpei as lágrimas que ainda teimavam em cair sobre meu rosto, olhei para o Sr. Medeiros e segurei a mão dele apertando como um sinal de que daria certo, que conseguiríamos, suspirei e vi que a equipe estava ali, pronta para me servir, muitos haviam voltado e alguns estavam chegando. Logo ordenei uma invasão a casa de Otto Boulevard, aquele homem não poderia ficar impune. Enquanto minha equipe se preparava eu também estava nos preparativos fazia questão de estar a frente dessa força tarefa para pegar o homem que sequestrou meu pai. Saímos da delegacia rumo a casa de Otto, o caminho todo se passava um filme de tudo que tinha acontecido naquele dia, em alguns momentos me culpei pelo que havia sentido por ele, um homem tão inescrupuloso e frio, me sentia pior ainda por não conseguir parar de me recordar do seu olhar e das sensações que ele provocou, por incrível que pareça mesmo nessa situação absurda ainda me provocava. Chegando até a casa dele prontamente tomei frente, ordenei que a equipe se separasse, tudo estava muito quieto, suspeito, não haviam seguranças, me recordei do dia em que prendi Edgard, parecia até um dejavú isso me deixou apreensiva, com raiva por sentir que eu estava sendo feita de b0ba. Ao meu comando invadimos a casa, era extremamente luxuosa por dentro. Logo no hall de entrada encontrei um laptop sobre a mesa, fui até ele e ao abrir para minha surpresa lá estava Otto, aparentemente dentro de um avião tomando uma taça de Martini com aquele mesmo sorriso sarcástico.

- Olá, Delegada Paola. Veio mais rápido do que eu imaginava! - Ele disse.

- Ora, seu desg... - Ele me interrompeu antes que eu pudesse continuar gesticulando com a mão fazendo sinal para que eu parasse.

- Não, não! Não vamos usar de palavras de baixo calão, ainda mais em lábios tão bonitos como os seus essas palavras não devem ser proferidas. - Senti que meu rosto corou enquanto ele falava, tirei o capacete, passei a mão nos meus cabelos enquanto o olhava percebi que ele estava atento a todo movimento que eu fazia, com um olhar malicioso. Deixei minha arma na mesa ao lado do laptop, cheguei mais perto da câmera e disse:

- Isso não vai ficar assim, eu vou te achar, vou prender você, nem que seja a última coisa que eu faça.

Disse essas palavras enquanto o olhava com rancor. Ele com um semblante calmo, um sorriso no rosto, se aproximou mais da câmera e disse em um tom bem sereno:

- Vamos ver se você conseguirá. Entrarei em contato com as instruções, poupe seus esforços para me achar, organize os trâmites para libertar meu pai, é o melhor a ser feito, para o bem do seu pai.

Ao terminar sua fala ele desligou a câmera, em um momento de raiva joguei o laptop no chão enquanto gritava por ter fracassado, depois de ter me acalmado peguei o laptop no chão para mandar para perícia com o intuito de encontrar algo que nos pudesse ajudar a localizá-lo, a casa estava sem nenhum vestígio então após mais uma varredura retornamos para delegacia.

Oii, queridas Leitoras!

Espero que estejam gostando, comentem muuuito para o próximo capítulo!

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