
Mensagem na Madrugada
Capítulo 2
A tela do celular de Pedro acendeu no escuro, iluminando seu rosto adormecido.
Era uma mensagem.
De Clara.
"Pedro, você já chegou em casa? Estou com um pouco de medo de ficar sozinha."
Eu estava sonolenta, mas essa mensagem me despertou completamente. Meu coração começou a bater mais rápido.
Clara era a assistente de Pedro no restaurante, uma garota jovem que sempre o seguia por toda parte.
Olhei para o relógio, eram duas da manhã.
Respirei fundo e cutuquei Pedro, que dormia profundamente ao meu lado.
"Pedro, seu celular."
Ele resmungou algo, virou-se e continuou a dormir.
A tela do celular apagou, mas minha mente não. A dúvida já tinha sido plantada.
Peguei o celular dele. Não havia senha. Abri a conversa com Clara. Havia apenas aquela mensagem. Parecia inocente, mas a hora em que foi enviada e o tom me deixaram desconfortável.
Pedro se mexeu e abriu os olhos, me vendo com o celular na mão.
"O que foi, Ana?"
"Clara te mandou uma mensagem," eu disse, tentando manter a voz calma.
Ele pegou o celular, olhou a mensagem e deu de ombros.
"Ela é assim mesmo, um pouco grudenta. Não é nada," ele disse com um risinho, como se minha preocupação fosse boba.
Senti uma pontada de decepção. Ele não levou a sério.
"Vou ligar para ela," eu disse, pegando o celular de volta.
Antes que ele pudesse protestar, disquei o número.
O telefone tocou duas vezes antes de uma voz feminina e doce atender.
"Alô? Pedro?"
Meu estômago se revirou.
"Não é o Pedro. É a Ana, a namorada dele," eu disse, com a voz fria.
Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por um suspiro surpreso.
"Ah, Ana! Desculpe, eu não sabia... Pensei que algo tivesse acontecido com o Pedro, por isso mandei a mensagem."
Sua voz soava inocente, mas algo nela me irritava.
"Ele está bem. Está dormindo," eu respondi.
"Ah, que bom... Fico mais tranquila. Desculpe o incômodo. Boa noite."
Ela desligou rapidamente.
Olhei para Pedro. Ele estava sentado na cama, me observando com uma expressão de leve irritação.
"Você viu? Não era nada. Você está fazendo uma tempestade em copo d'água," ele disse.
Seu tom era condescendente. Ele não estava preocupado com meus sentimentos, mas sim com o fato de eu ter pego seu celular e ligado para Clara.
Senti um calafrio. Pedro sempre foi ambicioso e charmoso, um chef de cozinha em ascensão que valorizava sua imagem acima de tudo. Mas agora, eu via um lado dele que não conhecia: manipulador e egoísta.
De repente, lembrei-me das últimas semanas. Ele estava chegando mais tarde do trabalho, sempre com a desculpa de que o restaurante estava muito movimentado. Estava mais distante, mais grudado no celular.
Quando eu perguntava, ele sempre dizia que era estresse do trabalho.
Eu acreditei.
Agora, a peça que faltava no quebra-cabeça parecia ter se encaixado, e a imagem que se formava era horrível.
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