
Mensagem na Madrugada
Capítulo 3
No dia seguinte, a tensão entre nós era palpável. Fui ao restaurante para almoçar com Pedro, uma tentativa de normalizar as coisas.
Clara estava lá, é claro.
Quando me viu, ela abriu um sorriso largo e veio em minha direção.
"Ana! Que bom te ver aqui."
Sua falsidade me enojava.
"Clara, podemos conversar um instante?" eu a chamei para um canto.
Ela me seguiu, com uma expressão confusa e inocente no rosto.
"O que você quer com o Pedro?" fui direto ao ponto.
O rosto dela ficou vermelho.
"Do que você está falando? Eu... eu só admiro o Chef Pedro. Ele é meu mentor."
"Mandar mensagem para o seu mentor às duas da manhã não me parece admiração profissional," retruquei.
Lágrimas começaram a se formar nos olhos dela. "Você entendeu tudo errado. Eu só estava preocupada..."
Naquele exato momento, Pedro saiu da cozinha.
"O que está acontecendo aqui?" ele perguntou, vendo o rosto choroso de Clara.
Clara correu para o lado dele, como um filhote assustado.
"Chef Pedro... A Ana... ela acha que eu estou tentando te seduzir," ela soluçou, escondendo o rosto em seu braço.
Pedro suspirou e olhou para mim com uma mistura de cansaço e carinho forçado.
"Ana, querida, já conversamos sobre isso. Clara é só uma garota. Não seja tão dura com ela."
Ele disse isso na frente de outros funcionários, que agora nos olhavam curiosamente. Senti meu rosto queimar de humilhação. Ele estava me tratando como uma namorada ciumenta e irracional.
"Eu só quero almoçar em paz," eu disse, a voz tensa.
"Ótimo. Clara, por que não almoça com a gente?" disse Pedro, sorrindo para ela.
A raiva subiu pela minha garganta. Era um teste? Uma provocação?
"Não, obrigada. Perdi a fome," eu disse, pegando minha bolsa.
A atmosfera ficou pesada. Pedro me olhava, esperando que eu cedesse. Clara continuava com sua atuação de vítima, olhando para mim com os olhos marejados.
Eu me senti uma idiota por ter vindo. Era óbvio que eu não era bem-vinda ali, não mais.
Saí do restaurante sem olhar para trás, sentindo os olhares de todos nas minhas costas.
A imagem de Pedro defendendo Clara, de sua mão pousada de forma protetora no ombro dela, ficou gravada na minha mente.
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