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Capa do romance ME ADORA

ME ADORA

Étienne Sinclair Fontaine é um bilionário francês no Brasil que domina o mercado de carros de luxo, mas vive assombrado por traumas profundos. Sua trajetória colide com a de Rayssa Mattos, uma jovem que superou o abandono e uma traição dolorosa. Determinada a ser livre e evitar novos amores, ela vê sua promessa vacilar diante do enigmático empresário. Entre mundos opostos e uma paixão avassaladora, ambos testam os limites de um coração marcado por perdas.
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Capítulo 2

“Se o amor é um crime,

torne-me uma vítima.”

                  Provérbio francês

Rayssa

Chego em casa desanimada depois de assistir à traição sórdida.

Estou me sentindo péssima!

Será que se tivesse quebrado a cara deles estaria me sentindo melhor?

O gosto da traição é um gosto amargo e dói para cacete, mas vou superar.

Que ódio estou de mim mesma!

Como não percebi?

Os sinais estavam todos na minha cara e George andava sempre na casa do Luís.

Que ódio!

Odeio ser feita de trouxa!

Jogo-me no sofá e ligo para minha amiga Kel que logo atende animada.

— O que tu manda, pretinha?

— Estou muito puta da vida!

— Desembucha de uma vez, mulher — diz me apressando ansiosa.

— Peguei o filho da puta me traindo! — digo possessa.

— O QUE? — a louca berra quase me deixando surda. — Aquele filho da puta nunca me enganou, ele que não cruze meu caminho porque vou mostrar para ele que com amiga minha não se brinca! Sempre te disse que não ia com a cara daquele traste — diz revoltada tomando minhas dores.

— Não vai me perguntar com quem? Poxa, foram sete anos! Isso não são sete dias não. Tudo bem que o namoro não estava lá essas coisas e se ele não queria mais, era só terminar.

— Na boa Ray, eu já desconfiava, mas você sempre dizia que era paranoia minha e te digo mais, ele não vai terminar contigo só porque pulou a cerca. Ele fará de tudo para você o perdoar.

— Jamais, não tenho vocação para ser corna! É foda, viu? A corna é sempre a última a saber, mas dessa vez não tem volta. Das outras vezes que terminamos foi por infantilidade nossa, agora já era. Traição não perdoo mesmo, nunca o traí e olha que não foi por falta de oportunidade.

— Os cornos são sempre os últimos a saber, pretinha. Como você mesma disse.

— E a mãe dele foi bem sacana... Como a mulher me manda ir ao quarto dele se ela sabia que ele estava acompanhado? Não é segredo para ninguém que aquela velha nunca gostou de mim.

— Velha ordinária! O que você pretende fazer agora?

— Seguir em frente! Não vai ser uma traição que vai me abalar.

— É assim que se fala, garota. — Ela bate palmas. — Vamos cair na balada. Ganhei dois ingressos hoje — diz toda eufórica.

— Jura? — indago. — Mas vai ficar para uma próxima... Agora você não vai acreditar no estrago que fiz, quebrei os vidros do carro dele, já que não sujaria minhas mãozinhas neles, o bem mais precioso dele, pagou o pato — digo com a alma lavada.

— Tá perigosa, hein? Quero morrer sua amiga — a sacana diz gargalhando.

— Só descontei no carro, porque tem palavras que ferem mais que um tapa.

— Pena que estou trabalhando agora, mas posso ir aí na sua casa assim que sair do plantão. Vamos nos empanturrar de todo tipo de doces e falar muito mal da raça masculina.

—  Vou aproveitar e ir me encontrar com minha mãe em Angra, na casa da tia Joana, só não fui com ela hoje cedo porque não queria ouvir as gracinhas do George sobre não ter preferido passar o fim de semana com ele.

— Aproveita aquele lugar paradisíaco por nós duas... Se eu pudesse iria junto, manda um beijo e um cheiro para sua mãe e trate de voltar com a pele dourada.

—  Já nasci bronzeada menina, mas vou ouvir seu conselho. Tenho que começar a me preparar para o desfile e quero minha pele dourada mesmo.

— Na volta a gente se fala Ray... Vamos achar uma forma de acabar com os três traidores — diz minha amiga em um tom sério e nos despedimos.

Sigo para me arrumar rápido, pois quero pegar o último ônibus para Angra dos Reis. O lugar é lindo e paradisíaco, passava todas as minhas férias em Angra e lá me sinto em casa. O lugar no verão é muito movimentado por causa das belas praias, mas no outono é super tranquilo.

Já no ônibus, mando uma mensagem de texto para o traidor do George. O traste odeia modernidades, redes sociais e aplicativos de mensagens, pois ele diz que é coisa de gente desocupada.

Ignorante e traidor dos infernos!

Quando me lembro das nossas fodas sem graça, me dá um ódio tão grande, com as vadias pelo visto ele fazia direito.

     Cachorro, filho da puta!

Garota, você além de corna era mal comida e seu objetivo de vida a partir de agora é ter o melhor em todos os sentidos.

(•••)

George

—  Como foi sua tarde, filho? — pergunta minha mãe enquanto jantamos.

— Maravilhosa, por quê?

Ela me olha com uma expressão estranha.

— Aquela garota esteve aqui quando estava saindo e você estava com suas visitas — diz como se contasse algo corriqueiro do dia a dia.

— Que garota, mãe?

— Como que garota, George? Aquela moreninha que você insiste em me afrontar dizendo ser sua namorada.

Meu celular apita, é uma mensagem da minha preta e arregalo os olhos ao ler.

“A partir de hoje não cruze meu caminho, se não quiser que eu passe por cima de você com um rolo compressor. Se tiver amor a sua vida e suas preciosas bolas, quando me encontrar na rua, mude de caminho, seu traidor dos infernos!

Sinto nojo de vocês e não quero vê-los na minha frente nem pintados de ouro. Graças a sua preciosa mãe a venda dos meus olhos foi retirada e a otária aqui descobriu o lixo de homem que você é.”

Olho para minha mãe que faz cara de paisagem, ela pensa que me engana.

— MÃE, VOCÊ NÃO FEZ ISSO! 

Levanto-me da cadeira em um pulo e a cadeira cai deitada no chão.

Estou muito puto!

— Fiz e faria de novo, foi bom para ela saber onde é seu lugar — diz ácida e com desprezo.

— Mãe, isso é sórdido demais até para a senhora. Como pôde permitir que a Rayssa me visse com a Priscila em um momento íntimo?

— Não seja ridículo, menino! Priscila sim é mulher para você e não aquela favelada. Acha que não sei o que acontece no seu quarto? Só espero que você não esteja comendo o viadinho do Luís. Aproveite! Todos sabem que esse noivado da Priscila é de fachada.

— Você não tinha esse direito, vou me casar com a Rayssa e mais ou menos dia, a senhora vai ter que aceitar isso — digo ignorando suas palavras sobre Luiz e Priscila e minha mãe simplesmente dá uma gargalhada.   

— George, duvido que a moreninha ainda queira te ver na frente dela. Isso foi bom acontecer, porque essa sua namoradinha é igual a mãe dela, duas desfrutáveis. Eu lá quero nora que se exibe praticamente nua para todos verem em escola de samba? — diz com desprezo.

— Vou pedi-la em casamento ainda esta noite — digo ignorando o que ela disse sobre minha morena e Alice.

— Deixe de iludir a pobre garota, meu filho. Pelo que conheço da sua namoradinha esse namorico de vocês já era — diz vitoriosa.

— De que lado a senhora está, mãe? Digo uma coisa a você, se a Rayssa não me perdoar, nunca mais falo com senhora.

— Que drama, você ainda vai me agradecer, seu ingrato. Já pensou se fosse você cheio de chifres em vez dela? — diz gargalhando.  

Ela ainda acha que está com a razão.

Deixo minha mãe falando sozinha, se continuasse perto dela poderia fazer uma besteira. Quem tem uma mãe como a minha não precisa de inimigos, desconfio inclusive que tem dedo da Priscila nesse flagrante. Agora vou ter que morrer negando essa traição, sei que vai ser complicado, pois ela me flagrou com o pau enterrado todinho na boceta gostosa e apertada da Priscila.

Estou há anos com as duas e para mim existem dois tipos de mulheres: as que a gente fode e trepa de todas as formas inimagináveis, o tipo que sabe ser uma puta na cama e as de família para se casar, essa a gente é cuidadoso e sexo só papai e mamãe. Eu faço amor com a Rayssa e respeito a morena porque ela sim será a mãe dos meus filhos. Mulheres como a Priscila encontro em qualquer esquina e nosso acordo era bem simples, foder até perder o juízo e só. Eu só não contava que essa cadela fosse me ferrar dessa maneira.

Tudo estava perfeito até a cachorra se juntar com minha mãe e atrapalhar meu namoro com a mulher da minha vida. Eu até aturava Luís na equação, o cara é podre de rico e pagava caro para ficar comigo e sua noiva. Sou macho e nunca dei para um viado, mas comer era outra história.

Agora se a Rayssa não me perdoar, não sei o que faço com a Priscila.

“Ah, Priscila, se eu perder minha mulher você estará fodida, literalmente, e não será no sentido bom”, penso enquanto vou para a casa da Rayssa apressado com esperança de que ela me perdoe. Ela não pode dizer que nosso relacionamento acabou por causa de uma besteira, isso não vou permitir.

— Rayssa não está em casa, George. 

Alice atende a porta vestida usando uma camisola de seda preta minúscula.

Olho para minha sogra de cima a baixo.

A mulher é um espetáculo e tem um corpão com curvas generosas que já provei ser delicioso no passado. Já transei algumas vezes com a mãe da minha namorada, a mulher nunca se importou por ser o namorado da filha, inclusive todas as vezes foram na cama da Rayssa. Alice tinha esse fetiche e na hora gostava que eu gozasse dizendo o nome da filha, vai entender. Nunca me importei, só queria fodê-la.

— Onde ela foi?

— Eu lá vou saber, quando cheguei em casa não encontrei ninguém — diz entediada.

— Posso ir ver no quarto dela? — Não saio daqui antes da Rayssa me ouvir.

— Não vai ser possível.

Ouço o tal amante dela chamando-a ao fundo.

— Ok, volto outra hora então. — Despeço-me e volto desanimado para casa.

Ligo, mando mensagens inúmeras vezes e nada da morena dar sinal de vida. Ela deve estar muito puta da vida comigo, certamente eu estaria no lugar dela, mas ela vai me perdoar querendo ou não. Não sou homem de levar pé na bunda de mulher, o relacionamento só acaba quando eu disser que acabou e não o contrário.

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