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Capa do romance Matrimônio arranjado com o irmão errado

Matrimônio arranjado com o irmão errado

Destinados a um casamento arranjado desde a infância, Chiara Moretti e Davide Queen enfrentam um dilema. Enquanto ela busca apenas cumprir seu dever, ele nutre sentimentos por outra mulher. No entanto, a entrada de Dante, seu cunhado, desperta em Chiara emoções imprevistas que ameaçam seu compromisso. Davide, relutante em perder o controle sobre uma herdeira tão valiosa, recusa-se a libertá-la. Entre dever e desejo, quem finalmente conquistará o coração de Chiara?
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Capítulo 1

Chegava para se casar com uma mulher que não conhecia e, portanto, não amava.

Em seu coração havia outra pessoa, com quem já mantinha um relacionamento, apesar de saber que seu destino havia sido unido por alguém a outra mulher, uma mulher da qual mal sabia algo.

Dez anos no estrangeiro, fora da Itália, outros cinco anos no norte da Europa. Bastaram para mudar muitas coisas naquele homem. Um evento doloroso o fez aceitar qualquer coisa que seus pais decidissem sobre sua vida, porque acreditava merecer, merecer qualquer castigo.

Prometê-lo a outra mulher era castigá-lo? Sim, sim, quando ele apenas estava ocupando o lugar de seu irmão, seu irmão gêmeo que havia falecido.

Para Davide Queen, sua vida não era mais do que um castigo, uma lembrança dolorosa para ele e seus pais, para toda a sua família.

Estivera administrando e expandindo os negócios da família depois dos estudos, afastavam-no o máximo possível para não verem seu rosto. Só que ele já não era um jovem que podiam manipular como quisessem; era o mais velho de três irmãos e partira quando tinha apenas vinte e um anos. Há algumas semanas havia completado trinta e seis anos.

Aquele matrimônio tinha que ser realizado por um acordo entre ambas as famílias e, embora houvesse dois irmãos que se aproximavam da idade da noiva, tinha que contrair núpcias com o irmão mais velho, o herdeiro, o futuro chefe da família e do império empresarial.

Durante anos, aquelas famílias se uniram através do matrimônio e, naquela geração, cabia a eles dois unir os laços. Mas a diferença de idade era bastante notável.

Jamais havia visto a noiva. Ainda que a família fosse mais ou menos unida, isso foi quando ambas as famílias residiam na Itália, mas a da noiva já vivia há muito tempo em São Francisco, Estados Unidos; ela havia crescido em um internato, depois que sua mãe faleceu quando tinha apenas três anos e seu pai se casou novamente um ano depois, tendo assim com sua atual esposa duas belas meninas, as gêmeas chamadas Olimpia e Darnelly, com quem não tinha contato algum, já que crescera no internato e depois foi direto para a universidade.

Estava recém-regressando para se casar depois de passar a maior parte de sua vida na França, regressava a São Francisco para cumprir seu dever como a mais velha da família.

Os pais se encarregaram de toda a organização do casamento, nenhum dos noivos teve participação alguma nos preparativos e demais detalhes, até mesmo o vestido foi escolhido por sua madrasta, assim como a decoração e cada pormenor.

A boda não se celebraria em Milão, embora ambas as famílias fossem de lá, porque o pai de Chiara se negou, sem dar nenhuma razão.

Rosario não conhecia muito sua enteada, mas se alegrava bastante com a decisão de seu esposo de enviá-la a um internato desde o casamento, porque não tinha certeza se poderia criar a filha de outra mulher, e acreditava que isso havia sido o melhor para ambas.

Rosario casou-se aos vinte e dois anos com o senhor Moretti e, desde então, tinha o homem em suas mãos, um homem apaixonado, mas ao mesmo tempo controlado.

A vida de Chiara havia sido tão diferente da de suas irmãs.

Enquanto as gêmeas receberam todo o amor de seu pai, ela apenas recebia cheques, presentes pouco pessoais e um cartão em cada Natal, acompanhado de uma foto familiar de seu pai, suas irmãs e sua madrasta.

Aquela seria a primeira vez que os veria. Supunha-se que iriam buscá-la no aeroporto, mas não foi assim. Também não disseram se não chegariam, e ela não se cansava de ligar, esperando uma resposta, de modo que só lhe restava esperar.

O céu escureceu rapidamente e, em um instante, começou a chover. As lágrimas brotaram de seus olhos ao perceber que seu pai não a via em pessoa havia mais de quinze anos e, ainda assim, não era capaz de estar ali para buscá-la no aeroporto. Sabia o endereço da casa, não lhe restaria outra opção senão tomar um táxi.

Pegar um táxi era o de menos, o que realmente doía era estar ali sozinha, confirmando o que sempre soubera: ninguém ali a queria, seu pai não a amava. A única esperança que tinha era poder formar uma família com o herdeiro Queen, criar laços com ele e ser uma boa esposa para que o amor surgisse entre ambos.

Ansiava por uma família, precisava de uma família, afeto, amor. E confiava que, apesar de não ser uma aliança por amor, que seu esposo a recebesse com carinho e que ambos transformassem aquele compromisso em algo belo, real e de ambos.

Chiara era muito sonhadora, às vezes entrava em um mundo mágico que sua mente criava, onde era querida por muitas pessoas e repleta de amor, porque sua realidade fora muito diferente daquilo. Não conseguia lembrar o nome de sua mãe, muito menos seu rosto e, desde menina, sempre que chorava só havia uma voz forte e autoritária que lhe ordenava silêncio e, se não obedecia, recebia um castigo.

Precisava de um abraço, de alguém que lhe dissesse que as coisas iam melhorar, mesmo que fosse mentira.

A chuva a encharcava e isso não lhe importava, seu peito doía com cada lágrima e cada minuto que passava.

De repente, a água deixou de cair e ela olhou para o céu, notando que sobre sua cabeça havia um guarda-chuva branco que a protegia.

Virou-se para ver quem era o dono ou a dona do guarda-chuva.

Chiara se deparou com enormes olhos cinza-escuros que a olhavam com intensidade.

-Você não percebe que está chovendo? -perguntou aquela voz, forte, clara e autoritária.

-Eu não tinha guarda-chuva -respondeu Chiara, presa no olhar do homem, em sua barba espessa e na pinta que ele tinha no nariz.

-Você podia ter entrado -reclamou ele, como se realmente importasse se ela se molhava ou não. Segurou-a pelo braço e a levou até a porta do aeroporto, deixando-a dentro enquanto Chiara segurava sua mala e cravava os olhos naquele homem.

-Muito obrigada! -gritou ela, vendo como ele se dirigia a um táxi que acabara de chegar.

O telefone de Chiara começou a tocar e, ao atender, percebeu que era seu pai, mas aquele número não estava registrado.

-Álvaro está chegando para buscá-la -disse a voz de seu pai; esse era o nome do chofer-. Estava com Olimpia em outro lugar, por isso demorou.

-Não se preocupe, pai. Vou pegar um táxi.

-Então deveria ter dito antes, Chiara. O chofer já está a caminho, não saia daí.

Passou meia hora até que o chofer chegasse, já não chovia.

Ela se aproximou timidamente, deixando que o chofer colocasse a mala. Encharcada, subiu ao carro e percebeu a presença de mais alguém.

Sua irmã, mas não poderia dizer qual das duas. Olimpia e Darnelly eram gêmeas idênticas, e Chiara não saberia reconhecê-la. De qualquer forma, só as conhecia por fotos.

-Você está molhada! Não se atreva a chegar perto de mim -gritou a jovem ao seu lado, empurrando Chiara com as mãos. Tinha apenas cinco anos a menos que Chiara, mas já era uma mulher. Seus cabelos eram castanhos, tinha olhos verdes e um rosto muito bonito. O decote deixava ver boa parte dos seios e aquele vestido era tão curto que Chiara jurava ter visto sua roupa íntima.

No fundo, Chiara estava feliz por ver sua irmã pessoalmente, conhecê-la, mas a jovem a ignorava completamente, imersa na tela do celular.

-Você é... Darnelly ou Olimpia? -perguntou Chiara, tímida.

-E quem disse que você podia falar comigo? Por acaso me conhece? Não me interessa saber quem você é e eu não tenho interesse em saber quem sou para você.

-Sou Chiara, sua irmã -a risada que a jovem soltou ofendeu Chiara, e ela já não voltou a dirigir-lhe a palavra.

Ao chegar em casa, a senhora Rosario esperava na porta, recebendo sua filha com um abraço e entrando em seguida, sem esperar para cumprimentar Chiara ou lhe dar as boas-vindas ao país, à sua casa.

Chiara viu aquele rosto que agora lhe dava as costas e não sentiu nenhuma calorosidade por parte dela. Havia um muro gelado, carregado de rejeição.

Quando entrou na casa, não conseguia nem lembrar-se das escadas, pois partira muito pequena daquele lugar. Olhou para os lados para ver se seu pai estava ali, mas o único que havia era uma mulher de meia-idade com um uniforme branco e preto que se aproximou dela.

-Bem-vinda a casa, senhorita.

-O-Olá. Poderia ver meu pai? -Tinha um nó na garganta, como se quisesse chorar.

-Receio que não, ele não está, mas chegará para o jantar. A senhorita está encharcada, permita-me ajudá-la com a bagagem e mostrar-lhe seu quarto.

-Claro, muito obrigada -A primeira coisa que Chiara fez foi dirigir-se às escadas, mas a mulher a deteve.

-Senhorita, não é por aí. Seu quarto é aqui embaixo.

-Ah... Estou um pouco perdida, praticamente esta é a primeira vez que venho aqui. Se estive alguma vez, não consigo recordar.

Chiara e a empregada cruzaram pela cozinha, pela área de serviço, saíram ao pátio dos fundos e ali viram a piscina, enquanto Chiara se perguntava para onde ela a levava.

No final, havia uma porta desbotada, até pequena, que ao ser aberta deu passagem a um quartinho minúsculo, com uma cama, um ventilador e um armário embutido.

A casa era enorme, poderia ter ao menos sete quartos confortavelmente, mas... dariam aquele a Chiara? Aquilo nem mesmo podia ser considerado parte da casa.

A mulher a olhou, constrangida, não era culpa dela, essa havia sido a ordem de Rosario e assim tinha que ser feito.

-É aqui.

-Oh... -Chiara não podia acreditar-. Muito obrigada por me guiar. Acha que meu pai vai demorar?

-Algumas horas.

-E, sabe algo sobre meu noivo? O casamento é amanhã e gostaria de vê-lo hoje, mas não tenho a mínima informação, não quero chegar ao altar e conhecer seu rosto só naquele momento.

-Lamento, só sei que o nome dele é Davide Queen. Talvez encontre algo sobre ele na internet, talvez uma foto.

-Sim, agora com o nome vai ser mais fácil.

-Ouvi uma de suas irmãs dizer que ele é extremamente bonito, deve ser verdade. -Chiara sorriu, imaginando seu príncipe encantado-. Meu nome é Mildred, para o que precisar estou a um passo de distância.

Mildred se foi, deixando Chiara com um nó no estômago, enquanto entendia perfeitamente a mensagem que lhe davam com aquela recepção.

Ali, ela não era bem-vinda.

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