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Capa do romance Matrimônio arranjado com o irmão errado

Matrimônio arranjado com o irmão errado

Destinados a um casamento arranjado desde a infância, Chiara Moretti e Davide Queen enfrentam um dilema. Enquanto ela busca apenas cumprir seu dever, ele nutre sentimentos por outra mulher. No entanto, a entrada de Dante, seu cunhado, desperta em Chiara emoções imprevistas que ameaçam seu compromisso. Davide, relutante em perder o controle sobre uma herdeira tão valiosa, recusa-se a libertá-la. Entre dever e desejo, quem finalmente conquistará o coração de Chiara?
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Capítulo 2

Depois de arrumar suas coisas no pequeno espaço, Chiara subiu na cama com seu portátil sobre as pernas. Desde já sentia a dureza daquele colchão, seria uma noite muito longa, mas ao menos seria apenas essa noite. Depois do casamento partiria para a lua de mel com seu esposo e muitas coisas mudariam para ela.

Estava emocionada.

O próximo passo era conhecer o rosto de seu esposo.

Digitou rapidamente seu nome.

Davide Queen.

Apareciam várias páginas com informações sobre empresas e afins, mas nem um único rosto. Entrou em mais de sete sites onde figurava o nome de Davide, como era possível que não houvesse nenhuma foto?

Ampliou ainda mais sua busca, acrescentando para saber sobre a família Queen. Nela apareciam o pai, a mãe e dois irmãos, com nomes e fotos. Mas nada do irmão mais velho.

-Não pode ser! -Desejava ver o rosto do homem que seria seu esposo. Mas parecia impossível. Deixou o portátil na cama e recostou a cabeça no travesseiro-. Quero vê-lo. Não quero chegar lá e só então conhecer o rosto de meu marido. -Sentia que seria estranho, mas tudo em seu casamento era muito estranho, desde aquele e-mail que lhe enviou seu pai, perguntando se ela se lembrava do que ele e sua mãe haviam dito quando era pequena: que se casaria com um dos filhos da família Queen. Como iria se lembrar disso? Se de sua infância não recordava nada, nem de sua mãe, sobretudo porque ninguém lhe falava dela, sendo criança e sem alimentar essas memórias, facilmente foram ficando no esquecimento. Algo que a machucava muito.

Alguém bateu à sua porta e Mildred entrou quando Chiara lhe deu permissão.

Haviam se passado pelo menos duas horas desde que ela chegou à casa, seus olhos se iluminaram ao pensar que seu pai já havia chegado.

-Senhorita.

-Meu pai chegou? -perguntou com ilusão.

-Não, mas a senhora Rosario quer vê-la.

Chiara sorriu debilmente, sem saber se aquilo era algo bom.

-Claro, já vou. Pode ir -Mildred saiu.

Chiara desceu da cama e calçou os sapatos, tinha que perguntar a Rosario muitas coisas, como sobre seu vestido de noiva e mais detalhes que desconhecia. O casamento era amanhã, não queria ficar mais nervosa, mas precisava ter os detalhes.

Fechou a porta de seu quarto abandonado e percorreu o caminho até chegar à cozinha e poder sair à sala.

Ali, elegantemente sentada no sofá, estava a senhora da casa.

Rosario era muito bela e ainda conservava boa parte de sua juventude, disfarçando muito bem os pequenos retoques que havia feito no rosto ou aqueles seios de vinte e poucos anos que havia comprado. Chiara sempre soubera que suas irmãs eram iguais à mãe, agora confirmava. As gêmeas possuíam a maior parte da beleza de Rosario e, talvez, outras coisas menos úteis também.

-Olá, Rosario -cumprimentou, sendo esse o primeiro contato direto entre as duas.

-Chiara, você está muito crescida. -Chiara sorriu, sem notar o significado oculto daquelas palavras. Era a filha mais velha de seu marido, por isso, apesar de sempre ter estado no estrangeiro, para Rosario não deixava de ser a sombra da primeira esposa do senhor Moretti-. Como foi sua viagem? -Chiara começou a se sentir mais tranquila, vendo que a senhora se mostrava amável. Talvez pudesse mencionar um pedido de mudança de quarto.

-Foi muito boa.

-Amanhã é seu casamento, não está nervosa?

-Não. Ou sim. Suponho. Tudo isso foi muito inesperado.

-Quer dizer que não deseja se casar?

-O estranho de tudo isso é que eu quero me casar. -Rosario levantou a mão e Chiara se aproximou devagar, sentando-se ao seu lado-. Obrigada.

-Entenderia completamente se não quisesse se casar. Os Moretti e os Queen em algum momento da história voltariam a se unir outra vez, sempre foi assim. Mas não precisa ser você.

-Não?

-Você tem outras duas irmãs -disse com um sorriso desdenhoso.

-Achei que...

-Que se casavam os irmãos mais velhos com as filhas mais velhas de cada família? Eu sei disso. Mas se você não quiser se casar, há duas irmãs que podem fazê-lo. E os Queen têm filhos mais novos que Davide. Algumas coisas podem mudar, esta é outra geração e é representada pelas mudanças.

-Mas eu quero me casar. Eu aceitei. E amanhã é meu casamento -Chiara se levantou, mas Rosario segurou sua mão, empurrando-a para que voltasse a sentar.

-Está lhe faltando modos, foi isso que ouvi? Um tom elevado de voz dirigido a mim? Não se supõe que estava em um dos melhores internatos? Ou era apenas caro? Porque todos os anos meu marido desembolsava uma enorme quantia para sua educação, mas vejo que carece dela.

-Eu não gritei.

-E agora me responde! Isso é um insulto!

-Então, me desculpe.

-Sua estúpida desculpa não me serve de nada se não for sincera, quem diabos você pensa que é? -Rosario se levantou-. Talvez você não mereça ser a que vai se casar com Davide Queen.

Não, para Rosario ela não merecia. Tinha duas filhas muito belas, que destilavam beleza e elegância, aptas e dignas para serem as que unissem novamente os Moretti com os Queen. Mas escolheram Chiara, só porque já estava decidido. E suas filhas? Não mereciam também esse privilégio? Rosario entendia que para Chiara era um privilégio, um que não merecia apenas por ser a filha mais velha de seu marido.

-Sou a esposa escolhida -Na voz de Chiara notou-se um pouco de orgulho e segurança que Rosario se encarregaria de esmagar. O casamento ainda não se realizara, por isso ainda havia tempo para que Chiara Moretti mudasse de opinião.

-Olimpia -Rosario apertou os dentes sem deixar de olhar para as sobrancelhas franzidas de Chiara. Ela parecia muito tranquila, aquela expressão tão nobre e calma, apesar de as sobrancelhas quererem se unir e em sua testa se desenharem três linhas, sendo o único indício de que a jovem estava irritada. Uns saltos ressoaram à distância, mas se aproximavam com rapidez-, Darnelly.

A senhora voltou a sentar-se, suas filhas entraram em cena como se estivessem em uma passarela de moda.

A primeira, Olimpia, chegou com um belo vestido branco de noiva, era tão lindo, tão tudo, que fez Chiara se levantar, sabendo naquele momento exato que era o seu vestido de noiva.

Levantou-se, incapaz de entender o que estava acontecendo. Rosario a segurou com mais força, devolvendo-a ao assento.

Darnelly fez sua maravilhosa entrada com o vestido da festa. Este também era branco, rodeado de pérolas na cintura, com um pequeno caimento atrás, suas mangas eram pequenas, discretas, assim como o decote, mas era perfeito para a celebração.

Seus olhos se encheram de lágrimas, vendo que suas irmãs usavam seus vestidos.

-São meus -soluçou-. São meus vestidos. Quero que tirem, por favor.

-Tecnicamente não são seus. Eu os comprei. -Razão não lhe faltava. Chamou suas filhas para que se aproximassem, elas exibiam brilhantes sorrisos, bastante confortáveis com toda a situação-. Veja, olhe de perto. Uma delas pode ser a noiva amanhã. Qualquer uma delas é melhor que você, perfeita. Só precisa dizer que não vai se casar.

-É meu casamento. Fui eu a escolhida.

-Um direito que não lhe pertence! A esposa sou eu! Eu sou a senhora Moretti! E estas são minhas filhas, então deveria ter sido escolhida uma delas. Não você.

-Quero que tirem os vestidos, por favor.

-Eu os paguei.

-Com certeza quem pagou foi meu pai! Então são meus vestidos, eu sou quem vai se casar.

-Isso pode mudar -disse uma das gêmeas-. Só diga que não vai se casar.

-Nem sequer... são maiores de idade -respondeu Chiara.

-Davide tem cerca de quinze anos a mais que você, ele esperou até que fosse maior de idade, então pode esperar até que minhas filhas também sejam. Ou acha que é a única que pode ser esperada?

-Toda essa situação... é ridícula. Que horas meu pai chega? Preciso falar com ele.

-Não é seu pai, órfãzinha -disse a que estava mais próxima, era Olimpia.

-Órfã? Órfãzinha?

-Não são apenas os órfãos que mandam para internatos, longe, em lugares cheios de freiras para ver se delas recebem algum amor? Já que não há mais ninguém que as queira.

-Tenho um pai!

-Mas ele não te quer!

Sem pensar se aquilo era bom, ruim, correto ou impulsivo demais, Chiara empurrou fortemente Olimpia, fazendo a jovem cair para trás. Em seguida, Darnelly praticamente saltou contra Chiara, agarrando uma grande porção de seu cabelo entre os longos dedos e puxando-a para trás. Olimpia se recompôs muito rápido, cheia de ira, tentando fazer Chiara pagar por tê-la empurrado. Entre as duas, atacavam a irmã mais velha: uma puxava seus cabelos, a outra golpeava seu rosto freneticamente.

Chiara não ficava de braços cruzados, mas a posição em que estava, com a cabeça para baixo e submetida pela cabeleira, a deixava em total desvantagem. Com as mãos, tentava se defender, mas as gêmeas sabiam manter distância delas. Chiara queria recuar, mas isso só lhe trazia mais dor. Sentia que todo seu cabelo era arrancado do couro cabeludo, chorava, mas não deixava de lutar. Caiu ao chão sem que Darnelly soltasse seu cabelo, deitada de costas, Olimpia tentou ir sobre ela, mas Chiara a chutou para trás. Darnelly pôs um pé sobre seu peito, cravando ali aquele salto. Chiara soltou um grito dilacerante quando sentiu aquilo em seu peito, rasgada pela dor. Agarrou a perna de Darnelly e a mordeu, fazendo com que ela a retirasse, mas caiu sobre ela, sobre seu peito, deixando a cabeça de Chiara entre suas pernas e seus braços presos embaixo.

-Vou matar essa vadia! -gritou Olimpia atrás.

As irmãs haviam subjugado Chiara.

Ao lado, ainda sentada no sofá, Rosario apenas observava, desfrutando da surra que suas filhas davam em Chiara.

Com todo o alvoroço, Mildred e Canela, que era a outra empregada, apenas olhavam de longe, escondidas sem fazer nada.

Sabiam que a chegada da filha mais velha do senhor traria caos, mas jamais imaginaram que as coisas aconteceriam dessa forma já no primeiro dia.

-Meninas, deixem um presente no rosto dela, já que insiste em se casar. Que o noivo a veja mais horrenda do que é.

-Não! Não! Me soltem! Me soltem agora mesmo! -a única coisa que tinha mobilidade eram suas pernas. Com elas tentava de tudo, mas o peso da irmã não lhe permitia fazer muito mais-. Por favor... -começou a suplicar, sabendo que lutar era impossível- Por favor, não!

-Calma. De qualquer modo, você já é feia.

-Senhora! -Canela correu até ali, incapaz de apenas ficar olhando enquanto faziam aquilo com a senhorita Chiara. Canela a viu nascer, cuidou dela à noite quando sua mãe estava muito cansada e foi o colo no qual Chiara Moretti chorou quando sua mãe morreu.

Rosario levantou o olhar para Canela, a única do serviço que estava ali havia todos esses anos e a quem seu esposo não deixava que ela despedisse.

Canela era uma senhora de uns sessenta e tantos anos, cabelos já grisalhos e olhar enrugado. Rosario não tinha queixas dela, salvo o fato de que também servira à primeira esposa do senhor Moretti.

-O que quer, Canela?

-Se os Queen perceberem que suas filhas causaram tal dano, desfigurando o rosto dela antes do casamento, acredito que ficariam bastante irritados com as culpadas. Provocar uma vergonha desse tipo não seria o mais indicado agora.

Rosario pensou por alguns segundos.

-Deixem-na. E entreguem o vestido.

-Mas, mamãe! -reclamaram ao mesmo tempo. Mas obedeceram de imediato à ordem da mãe. Darnelly foi a primeira a baixar o zíper do vestido ali mesmo, ficando de roupa íntima. Jogou-o sobre Chiara e saiu resmungando, lançando insultos contra ela.

Olimpia também obedeceria, mas não com a mesma facilidade que a irmã.

-Oh, meu Deus! Olhe o que fez! -exclamou, pegando um pedaço de tecido fino do vestido. Esticou com as duas mãos e o tecido fez aquele típico som ao rasgar-. Você devia ter tido mais cuidado, Chiara -abaixou o zíper e tirou o vestido, também o jogando sobre Chiara.

Chiara apertou seus vestidos contra o peito, sem parar de chorar. Não conseguia levantar o olhar, tampouco se sentia capaz de ficar de pé.

-Tirem-na da minha vista! -ordenou Rosario.

Mildred e Canela ajudaram Chiara a se levantar, levando-a de volta ao quarto.

Deixaram-na em sua pequena habitação e se foram.

Chiara se jogou ao chão, soltando os vestidos e tocando com cuidado o rosto. Tudo doía: o peito pelo salto que sua irmã cravou contra ela, a cabeça, o rosto.

Só lhe restava chorar, esperando que seu pai chegasse em casa ou que chegasse o dia seguinte para finalmente se casar e ir embora dali.

Cada vez tinha mais confiança em seu casamento, em tomar essa saída.

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