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Capa do romance Mas será o Benedito?

Mas será o Benedito?

Vanderléia não aceita ser rotulada como uma garota comum ou fora dos padrões. Autoconfiante e cheia de atitude, ela exalta suas curvas e recusa o papel de vítima do preconceito. Prefere ser chamada de Léia ou Vavá, ignorando quem usa seu nome completo. Entre fugir do síndico e viver seus dias com intensidade, ela assume o controle da própria narrativa, provando que sua autoestima é inabalável e que ninguém contará sua trajetória melhor do que ela mesma.
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Capítulo 2

O estabelecimento está movimentado, os clientes falam baixo e educadamente, então todos observam minha reação brusca, alguns tentam disfarçar, outros nos encaram.

-Bom dia! O que o senhor vai pedir? — A atendente Sara chega em um timing perfeito fazendo o doutor Otávio soltar minha mão e a olhar com reprovação deixando claro que não gostou que ela tenha me ignorado.

— Ela sabe o que eu peço quando venho aqui, pode pedir o seu, bom dia Sara.

- Bom dia Léia!

A atendente me lança um sorriso luminoso respondendo meu cumprimento, ele tranquiliza o olhar e diz:

— Eu quero o mesmo que ela. — O olho em dúvida.

— Tem certeza? Olha seu diabetes!

— Ah! garota está me chamando de velho? Aposto que estou melhor que você!

Ele começa a rir e isso me deixa feliz e tranquila, como se o conhecesse, ele fica sério novamente.

— Eu não quis dizer que você é feia! Muito pelo contrário, só que você me pareceu séria, uma profissional competente, e sem papas na língua. — essa última parte ele diz mais baixo, quase num sussurro depois que a atendente sai.

— E qual a chance dele me agredir? — O pergunto cética.

— Nenhuma... Mas esteja preparada, ele pode tentar te seduzir. — Passa a mão no cabelo em sinal nervoso, sem perceber que eu estou uma pilha de ansiedade. Não acredito no que ele diz, mas faço de conta que sim, até parece que eu não sei que esses playboys são na maioria gordofóbicos.

–Unicórnios também existem.– Sou irônica e ele me ignora com a chegada do nosso café, que consiste em quatro croissant um doce e um salgado para mim e os outros dois iguais para ele, duas xícaras de cappuccino com uma pitada de chocolate com avelã. Tudo muito gostoso.

Só não gemo para não passar vergonha com o senhor à minha frente que ao contrário de mim solta um gemido de satisfação.

— Hummm! Delicioso! Vou trazer a Mô aqui. — fala pra si.

Se soubesse teria soltado meu suspiro com o delicioso sabor doce do meu.

— Voltando ao assunto... Eu não corro esse risco pois o senhor disse que ele gosta de modelos e elas são magérrimas e eu… isso também não importa, sou adulta e sei muito bem me defender.

— Não, não meu bem eu disse que ele gosta de mulheres e no meio dele só tem esse tipo, e você não é gorda e nem gordinha, você é saudável, me chame de você, não quero parecer mais velho do que já sou, enfim, conto com isso, que saiba se defender.

Com meus quase 70 quilos, não sou alta, tenho 1,67, quando eu era criança era bem gordinha, minha nutricionista disse que se eu não tiver uma alimentação balanceada e se não manter os exercícios físicos vou acabar voltando aos quase 90kg da minha adolescência.

— Poxa, estou mais tranquila agora! Valeu!

— Esquece isso, fica tranquila que vou ficar de olho em vocês. — Arregalo meus olhos...

— Não faça essa cara, meu filho está passando dos limites, nos últimos dois meses foram incontáveis trocas de secretárias, e isso sem falar nos processos que as ex-secretárias moveram contra ele, além do dinheiro que ele perde com tudo isso, minha mulher está ficando doente de preocupação. Não me importo com o dinheiro que perde, mas estou com medo por ele, é meu único filho, enfim...— suspira.

— Que mais eu preciso saber, além de que seu filho é um tarado que pode me atacar? — Pergunto pensativa.

— Ele apesar de tudo é competente, amoroso, carinhoso com a mãe e comigo. Ele não é um tarado que ataca mulheres, ele só não as rejeita, não sei como, mas ele sabe conciliar tudo. Só quero que você afaste esse bando de...

— Galinhas, você quer que eu me intrometa na vida do seu filho... – Isso não me agrada nem um pouco.

— Isso! Veja se esse valor te agrada...— Ele vibra e empurra um papel que parece um cheque em minha direção.

— Por mês? — praticamente grito quase levantando, esse velho filho da mãe está jogando sujo, essa cara de vovô moderno dele não me engana.

— Sim, por mês, porquê? Não te agrada?

— Não é isso... não tem alguns mil a mais aí não?

— Eu quero que você entenda que não vai ser uma tarefa fácil. — Ele parece com pena de mim.

— Eu entendi! Eu aceito! Não sou burra e não vou ficar me fazendo de difícil, é um trabalho como os outros, eu só preciso interpretar a carrasca e também preciso pagar minhas contas, tenho carta branca para agir como quiser, desde que isso afaste essas mulheres do seu filho?. — Sei que é um tiro no escuro, mas tenho quase certeza que ele já sabe que não vai dar certo isso.

– Desde que não cometa nenhum crime, te dou carta branca, leve seus documentos na empresa, meus advogados prepararão o contrato de admissão.

– Dona Marta não vai aceitar isso numa boa.

–Peça demissão, vou pedir no RH que preparem uma carta que te desobriga de cumprir aviso prévio. Ele me entrega um cartão. –Esse é o endereço, vá depois do horário de almoço.

— Ok! Quando começo a trabalhar para o senhor?

— Por mim você começaria amanhã mesmo, mas precisamos resolver a parte burocrática. — Ele pega minha mão e aperta.

— Tenha um ótimo dia!

— O senhor também! Até...

Volto para a empresa ciente da batalha que irei travar com dona Marta, que até tentou discutir mas desistiu quando percebeu que não tinha mais volta, ao receber minha carta de demissão. Depois da hora do almoço, peguei minhas coisas, esvaziei minha mesa e coloquei tudo no banco de trás do carro, paro em frente ao prédio espelhado, o arranha céu é impressionante e moderno, entro e sou recebida por uma moça simpática que me encaminha até o RH.

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