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Capa do romance MARCAS PROFUNDAS: UMA HISTORIA DE SUPERAÇÃO.

MARCAS PROFUNDAS: UMA HISTORIA DE SUPERAÇÃO.

Após perder sua família, Anna ficou sob a tutela de seu padrasto, que a submete a maus-tratos constantes. O trauma deixou cicatrizes que transcendem o corpo, afetando sua mente e alma com pesadelos incessantes. Enquanto luta para superar esse passado sombrio e seguir adiante, ela descobre que não está sozinha. Em meio ao sofrimento, surge um apoio inesperado. Será que esse novo vínculo será forte o suficiente para curar feridas tão profundas e trazer superação?
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Capítulo 2

Quando você pensa que não há o que piorar, mas aí você descobre que tem sim, nada é tão ruim que não possa piorar!!!

Os dias foram passando, meses na verdade e o sofrimento era cada dia pior. O padrasto da Anna já tinha gasto todo o dinheiro que restava com bebida.

Não tinha nem mais comida em casa, ela comia na escola ou quando a dona Lola dava a ela algo que sobrava da padaria, do contrário era sua única refeição do dia. Os fins de semanas eram bem mais complicados, tinha vezes que Anna não aguentava a dor em sua barriga pela fome constante.

Se não bastasse isso, as surras eram cada vez mais constantes. Era só ela fazer algo que ele não gostava que Anna apanhava até muitas vezes sangrar. E por conta disso acabou se afastando dos poucos amigos que tinha. Já não era muito "popular" e depois das surras ficou mais isolada ainda. Ela tinha medo que vissem as marcas em seu corpo. Sempre andava com roupas soltas e de mangas compridas para esconder qualquer vestígios das surras. Ele sempre a ameaçava. Dizia que se contasse a alguém, ela perderia a língua. Anna sabia que ele falava a verdade! Por isso nunca contou a ninguém.

Todo mundo achava ela estranha, por ter mudado tanto depois da morte da sua mãe. Todos diziam que era por isso. Mal sabiam eles, da missa a metade!

Quando Anna fez quinze anos, já não estudava na mesma escola, era outro colégio. E era mais fácil ser "estranha" já que não conhecia muita gente.

Havia um garoto que vivia se implicando com ela, chamava ela de 'estrada'. Era um pouco mais velho do que ela e, bem maior também.  Andava sempre com um garoto magrelo, ruivo cheio de sardas no rosto.

A escola era bem mais longe da sua casa, e por não ter dinheiro, ia e voltava sempre a pé, não tinha outra escolha. O ônibus da escola tinha muitas meninas que não gostaram dela, então ela preferia evitar.

Ela estava voltando para casa, já era tarde, o sol já não aparecia, era crepúsculo. Tinha ficado na biblioteca lendo um livro e terminando alguns trabalhos, era o único lugar onde ela tinha acesso para poder fazer os trabalhos da escola e para se concentrar.

Quando passou por uma rua, eis que o menino implicante que vivia lhe chamando de estranha estava na rua. Ela não se lembrava muito bem do nome dele, mas acreditava ser John. Ele estava jogando bola com seu amigo. E logo percebeu a presença dela.

- Olha só, se não é a estranha. - Ele fala e segura a bola.

Anna se apressou tentando passar rapidamente, mas ele foi mais rápido parando na frente dela.

- Calma aí estranha. Que bicho te mordeu? Vamos conversar. Você fala, não? - Ele vai fazendo perguntas, segurando o braço dela.

Foi como se a mão dele estivesse pegando fogo e queimasse, ela puxou seu braço rapidamente, com toda sua força.

- Não me toque, por favor! - Implorou ela.

- Olha, ela fala! - Comenta ele sarcástico.

Anna tentou passar mais uma vez, e mais uma vez ele se pôs à sua frente.

- Já falei! Vamos conversar.

- Não tenho nada para falar. Por favor, me deixe passar.

- Ainda não. Veja só Liam até que ela é bem bonitinha.- Pega o queixo dela segurando forte. - Não é nada mal.

Seu coração bate acelerado dentro do peito. O olhar daquele garoto lhe causou medo, um arrepio e um frio em seu corpo, fez ela estremecer. O medo se apoderou dela e Anna tentou sair correndo, mas ele correu atrás, agarrando-a pela cintura. Um medo ainda maior, do que ela tinha por seu padrasto, tomou conta dela. Ela já estava tão amedrontada e aquele garoto estava piorando tudo.

- Me solta por favor! Me solta! - Ela gritava e se debatia. Lágrimas já desciam pelo seu rosto ela estava desesperada.

- Solto não! Vou te mostrar a não correr de mim, estranha. - Ele fala e puxa-a para um prédio abandonado, não tinha janelas e nem portas, deviam estar contribuindo ainda. 

- O que você vai fazer John? Solta ela, ela tá chorando cara.

- Some daqui Liam. Se não vai ajudar, some daqui! - Ele fala e o garoto vai embora.

- Não, por favor! Volta aqui, me ajuda. -Gritou ela, implorando por ajuda ao garoto.

Ele coloca a mão na boca dela, impedindo-a de gritar. E muito mais forte do que ela, ele conseguiu lhe agarrar muito fácil. Mesmo ela se debatendo, tentando se soltar, mas era em vão.

Sua mão esquerda em volta da cintura dela, era como se ele tivesse asfixiado-a, com muito medo e, seu toque mostrava que ela deveria temer!

Ele a carrega até o prédio jogando-a no chão, indo por cima dela.

- Como não tinha reparado, você é bem bonitinha.

Ela não conseguia dizer nada, ela aprendeu que não adiantava gritar, com seu padrasto foi sempre assim, quanto mais ela gritava mais apanhava, apesar de casos diferentes naquele momento, mas ninguém nunca lhe ajudou!

Só que desta vez foi diferente!

Quando ele agarrou a cintura dela, ela não se debateu, nem tentou correr, seu coração parecia que ia sair pela boca, o medo era angustiante, mas ela tinha mais medo por tentar fugir. Ela pensava que não importava o que ela fizesse, que de nada adiantaria, ele a mantinha presa ali. E pelas tantas surras que levou do seu padrasto quando tentou fugir, que ela só se encolheu e ficou chorando, aceitando o que poderia acontecer.

Só que aí, eis sua salvação!

- Solta ela Jhon! Não tem vergonha não!? - Um garoto grita na entrada do prédio.

John não se mexe e continua parado em cima dela, passando a mão no rosto dela com carinho, era estranho mas ele tocava seu rosto com delicadeza.

- Sabia que ele iria salvar a donzela em perigo. Ele sempre vem! Liam sempre chama ele quando estou fazendo alguma coisa, ele adora me ver encrencado. - Sussurra ele no ouvido dela, mas Anna não fazia ideia do que ele estava falando.

-Não enche Herik! Some daqui.

Anna não ouviu mais aquela voz, quando achou que o garoto tinha saído, o garoto que estava em cima dela é arrancado com brutalidade e arremessado num canto.

- Já falei que é pra soltar ela! - Fala encarando o John.

- Você é um pé no saco. - Fala olhando para a Anna, dá uma picadinha e sai, fazendo assim ela respirar com alívio.

Ela não conseguia nem se mexer, estava paralisada de medo, choque, susto, pavor. Não tinha palavras para descrever o que ela estava sentindo.

- Você está bem? - O garoto se abaixa e toca seu ombro.

E como uma doida alucinada ela se afastou dele.

- Não me toca! - Falou num sussurro.

- Ei! Tá tudo bem…

Anna não esperou nem ele terminar e saiu correndo feito uma louca. Chegando em casa já era noite. Seu padrasto estava dormindo no sofá, só devia ser por estar bêbado, pensou ela.

Ela vai pro quarto, trancando a porta, não saiu aquela noite, ficou ali e chorou tudo o que estava entalado. Depois de não ter mais o que chorar, ela pegou no sono pensando em tudo o que poderia ter acontecido, o que só mostra o quão fraca ela era, nem mesmo foi capaz de se defender.

JOHN.

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