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Capa do romance MARCAS PROFUNDAS: UMA HISTORIA DE SUPERAÇÃO.

MARCAS PROFUNDAS: UMA HISTORIA DE SUPERAÇÃO.

Após perder sua família, Anna ficou sob a tutela de seu padrasto, que a submete a maus-tratos constantes. O trauma deixou cicatrizes que transcendem o corpo, afetando sua mente e alma com pesadelos incessantes. Enquanto luta para superar esse passado sombrio e seguir adiante, ela descobre que não está sozinha. Em meio ao sofrimento, surge um apoio inesperado. Será que esse novo vínculo será forte o suficiente para curar feridas tão profundas e trazer superação?
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Capítulo 3

NO OUTRO DIA...

Anna acordou com uma baita dor de cabeça e tremia de frio por nem ter lembrado de se cobrir. Ela olha no espelho, seus olhos inchados de tanto chorar. Levanta e toma um banho na água fria, tentando amenizar a dor em seu corpo e a dor em sua cabeça, já que nem mesmo tinha um remédio para tomar.

Depois de pronta ela pega sua bolsa e sai, para sua surpresa seu padrasto não está em casa. Ela sai correndo da casa, indo para escola antes que aquele desgraçado voltasse e ficasse enchendo o saco por causa de dinheiro.

Anna trabalha aos fins de semana para dona Lola, uma simpática senhora que tem uma padaria a uns seis quarteirões da casa dela. E o pouco que ganha, é obrigada a entregar ao seu padrasto, consegue pegar apenas o suficiente para pagar a conta de luz e água, ou teria que morar no escuro. É entregar o dinheiro ou apanhar, mas as vezes não é suficiente ele quer sempre mais e sem ter de onde tirar ela acaba apanhando!

Ela chega ao colégio com receio de encontrar aquele garoto, olhando pelos lados preocupada em vê-lo novamente, mas ela precisava entrar estava com fome e faltar aula não era bom também.

E se ele me atacar de novo? Pensou ela preocupada, sentindo suas mãos trêmulas.

Ela estava com medo de entrar, quando ela vê ele chegando com o seu amigo todo feliz e sorridente. Anna começa a tremer ainda mais e queria correr, mas suas pernas não obedeceram, mas para sua surpresa, ao ver ela, virou o rosto e entrou no colégio como se nada tivesse acontecido.

Seu coração alivia um pouco, fazendo ela respirar aliviada, mas o receio de que ele possa fazer algo contra ela novamente, não lhe deixa em paz.

Era hora do recreio, e como sempre Anna sentou em uma mesa sozinha afastada de todos. Começou a comer seu lanche, distraída, mas notou um garoto distante, sentado embaixo de uma árvore.

Ela conhecia aquele garoto! Ficou pensando e lembrou de onde o conhecia. 

É ele! Foi ele quem me ajudou ontem. Pensou ela.

Ela nunca viu aquele garoto antes, mas nunca reparou em nada, então isso não lhe espantava.

E como se ele soubesse que ela estava olhando para ele, ele se vira e encara ela. 

Anna abaixou a cabeça envergonhada. Começa a comer sua comida novamente, tentando fingir que não estava olhando para ele.

De repente alguém chega e senta no banco à sua frente. Anna levantou seu olhar rapidamente, assustada, mas é o garoto que ela estava olhando.

- Oi. - Ele fala, mas Anna não respondeu nada.

- Você não é muito de falar. Não é mesmo?

Anna continuou calada, estava com medo dele, ela não o conhecia, apesar dele ter lhe ajudado ontem. Não sabia quem ele era e além do mais ele conhecia aquele garoto de ontem.

- Vamos ficar aqui em silêncio?

- O que você quer? - Anna perguntou querendo que ele fosse embora logo.

- Na verdade nada. Só queria ver a garota que saiu correndo feito um foguete ontem.

- Convenhamos que a situação não era das melhores.

- Sim, é verdade. E sobre isso, queria pedir desculpas pelo meu irmão.

Anna jogou todo o suco que estava tomando com a surpresa das palavras dele.

- Irmão? - Perguntou meio que gritando espantada. 

- Sim! Mas não faz uma dedução errada sobre mim.

- E o que você quer que eu pense?

- Sei lá. Só não pense que sou igual a ele. Somos irmãos apenas por parte de pai. Sou muito diferente dele!

- A é? - Perguntou curiosa.

- Sim! Meu pai tinha se separado da minha mãe quando eu era recém-nascido, mas a separação durou pouco. Eles se acertaram e voltaram, mas aí a mãe do John apareceu dizendo que estava grávida. Minha mãe aceitou bem a história e meu pai não largou da minha mãe. E quando o John nasceu a mãe dele não aguentou o parto e morreu. Ai meu pai e minha mãe cuidam do John até hoje. - Explica toda a história a ela.

Anna gostou de ouvir a história dele, pareceu sincero.

- Vocês não parecem ter tanta diferença de idade. - Comentou.

- Um ano. Eu tenho dezessete e ele dezesseis.

- Humm.

- E sobre ontem, não se preocupe, o John não vai te encher novamente. Se ele tentar falar com você, você me avisa. Eu falei pra ele que se tentar chegar perto de você vou contar pro nosso pai. - Ele fala rindo.

- Seu pai?

- Sim! Ele sempre faz umas idiotices, parece até que gosta de levar bronca, mas ele sabe que nosso pai vai dar um corretivo daqueles nele e vai tomar o jogo favorito dele.

- Ah sim. E obrigado por ter me ajudado ontem. Se não fosse por você...

- Aquilo não foi nada. É o mínimo que eu podia fazer o Liam me contou o que estava fazendo com você, na verdade ele sempre me chama quando o John está fazendo alguma burrada. Eu não podia deixar ele machucar você. Nem sei se ele seria capaz de fazer algo assim, mas eu precisava impedir ele. - Fala ele triste.

Anna não queria ficar lembrando daquela história, então falou.

- Vamos esquecer esse assunto. Tudo bem?

- Pra mim está tudo ótimo. - Ele falou sorrindo.

Anna pediu para que ele esquecesse o assunto, mas a verdade é que aquilo lhe assombrou por muito tempo ainda, talvez não fosse pelo que aconteceu naquela noite, mas sim por tudo o que ela vinha passando, só serviu de lembrete.

Os dias se passaram e o Herik sempre sentava com a Anna no intervalo. A amizade foi crescendo entre eles. E como ele tinha lhe prometido, seu irmão nunca mais mexeu com ela.

Herik era a única coisa que fazia a Anna pensar em futuro. Sempre que ela apanhava, o que lhe fazia não desistir, era ele! Herik estava se tornando muito importante para ela.

Mais uma vez seu padrasto queria dinheiro. Dizia que ela tinha essa obrigação, já que ele cuidava dela. Irônico não? Cuidar dela? Se a única coisa que ele fazia era lhe bater. Nem mesmo tinham o que comer, e ele vinha dizer que cuidava dela.

Mas dessa vez ela não conseguiu correr, ele trancou a porta da cozinha e não teve como escapar. Como sempre, ele batia mais nas costas dela. Onde não dava para ver as marcas.

- Ingrata, você tem obrigação de trazer dinheiro, já que eu tenho que te suportar.

Dava para ver que ele já estava embriagado. Depois que ele se cansou de bater nela saiu como se nada tivesse acontecido, com a cinta na mão. E mais uma vez Anna estava ali no chão, humilhada, sem ter para onde correr ou alguém para lhe socorrer. Ela apenas chorava, sentindo suas costas arderem por causa das tantas cintadas.

Com dificuldade ela se levantou e seguiu pro seu quarto, se arrastando por causa da dor. Olhando no espelho em seu quarto percebeu que havia sangue sobre sua blusa branca. Mais uma vez ficaria marcas no seu corpo, cicatrizes que levaria por toda sua vida.

Ela toma um banho deixando a água lavar todo o sangue. Troca de roupa e saiu pela janela, não queria ver aquele monstro.

Andando sem saber para onde ir, Anna só caminhava tentando esquecer sua dor. Ela não queria voltar para casa. Suas costas doem muito e se aquele idiota lhe bater de novo ela era capaz de acabar com a vida dele e assim destruiria a sua também, se tornaria uma assassina!

Ela seguiu caminhando até chegar em um parque, sentando em um balanço. Percebeu que o Herik está jogando bola com alguns garotos em uma quadra de areia. Ele percebe ela ali e sorrindo vai até ela.

- Oi. Não achei que encontraria você aqui. Ele fala sentando-se em um balanço ao seu lado.

- Nem eu. - Anna falou sincera.

O silêncio toma conta do local. Só os gritos dos garotos ao longe jogando bola é ouvido, apenas ouvia o ranger das correntes dos balanços perto deles.

- Tá com fome? - Herik quebra o silêncio.

- O que?

- Perguntei se está com fome. Na verdade vamos comer, eu tô cheio de fome. - Diz ele se levantando. - Tem uma lanchonete aqui perto.

Anna estava com muita fome, mas não tinha nenhum centavo para pagar por alguma coisa.

- Na verdade estou bem. Não quero nada, obrigado. - Agradeceu ela educadamente. 

- Para com esse negócio de regime, vamos comer, eu pago! - Falou ele olhando para a Anna, achando ela tão magra.

Não existia regime, mas era melhor ele pensar daquela  forma.

- Tudo bem. Da próxima eu pago então. - Diz ela sentindo seu estômago nas costas de tanta fome. Não sabia qual dor era pior a das suas costas ou do seu estômago pela fome.

Depois que lancharam, foram andar, e o Herik levou ela a um lugar lindo da cidade. Ela nunca tinha visto aquele lugar antes. Um lago muito bonito em meio a um grande parque, repleto de árvores e mais ao fundo dava para ver que começava a mata. As estrelas estavam reluzentes no céu tornando a noite ainda mais perfeita.

Anna chega na beira do lago, admirando aquela imagem tão linda. Ela nunca esteve naquele lugar. Perdeu de ver aquela  paisagem linda antes. A lua enorme refletindo sobre o lago era apaixonante.

- Esse lugar é lindo!

- É mesmo! Sempre venho aqui. Eu acho o lugar maravilhoso.

Eles ficam mais um tempo em silêncio admirando o lugar até que Herik falou.

- Sei que parece estranho, sou mais velho que você e por isso pode parecer não ser certo, mas eu gosto de você, de verdade.

- Eu também gosto de você. Você é meu amigo.

- Você não entendeu. Eu gosto de você de verdade, não apenas como amiga, mas sim como um garoto gosta de uma garota.

Anna ficou paralisada. Ela nunca pensou nele dessa forma, mas agora pensando, não viu nada de errado duas pessoas, se gostarem. Ela sabia que gostava dele, mas não sabia o que era exatamente seu sentimento.

- Por favor, fale alguma coisa. - Pede ele um pouco nervoso.

- Confesso que nunca pensei em você de outra maneira, mas não creio que isso seja errado por nossas idades.

Ele abre um sorriso lindo e chega mais perto dela.

- Posso te dar um beijo então? - Pergunta ele sorrindo docemente.

Anny confirma com a cabeça. Ele chega mais próximo e encosta seus lábios nos dela, um beijo calmo, carinhoso, mas quando ele chega mais perto do seu corpo e vai lhe abraçar Anna o empurra para longe.

Ela não sabia o que estava acontecendo, mas um medo gigante do seu toque, fez ela fazer aquilo. Não queria seu toque. Ela não queria ele perto assim. Algo gritava dentro dela e ela começou a tremer, estava apavorada. 

'O que está acontecendo comigo? Se perguntava ela.'

- O que aconteceu? Eu fiz algo de errado? Você não queria o beijo? Me desculpe por favor. - Ele fala e pega a mão dela, preocupado por ver ela tão assustada.

Seu toque pareceu doer, foi estranho, pareceu machucar assim como quando John segurou ela. E sem pensar, puxou sua mão ligeiro.

- Não me toque! - Falou com medo.

E ao olhar para ele, ver sua cara de assustado, a dor e a mágoa transparecendo em seu rosto, ela ficou ainda pior.

Anna saiu correndo sem saber para onde ir. Ela ouvia ele gritar seu nome, mas ela só queria fugir. Não sabia do que estava fugindo na verdade, mas ela queria fugir.

As lágrimas desciam em seu rosto, mesmo que ela não quisesse derrama-las.

'O que está acontecendo comigo? Por que eu fiz aquilo? Ele não merecia! Foi tão legal comigo esse tempo todo. E eu o que eu fiz, fugi feito uma doida. Anna pensava enquanto corria sem rumo.'

Correndo no meio do nada, acabou se perdendo e caiu. Sem forças para levantar, ela ficou ali mesmo, apenas passou os braços em volta do corpo e chorou. Chorou até pegar no sono e dormir sem ao menos saber onde estava.

Herik.

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