
Mais que uma Vingança: Um acordo bilionário
Capítulo 2
Ponto de vista de Clarice.
Enquanto pedalava, eu admirava a paisagem em torno da vasta propriedade que pertencia à família Corte Real. As lembranças dos passeios com meu pai por aquele local trouxeram uma saudade que me aquecia e doía ao mesmo tempo.
Segui em frente, encarando a subida íngreme, enquanto o calor do esforço se espalhava pelo corpo. Não tinha tempo para ficar triste.
Chegando enorme perto do portão, desci da bicicleta com cuidado para não derrubar a caixa com os produtos que estava presa na garupa.
O som do portão de madeira sendo empurrado me fez voltar à realidade. Havia alguns homens conversando ali perto e percebi que eles me olharam.
— Hei, coisa linda! — A voz arrastada do homem barbudo me alcançou, acompanhada de um assobio.
Aumentei os passos enquanto atravessava o portão com o queixo erguido. Continuei andando sem me virar e logo, subi na bike e comecei a pedalar pela estrada no meio da alameda de palmeira.
No jardim da casa principal, vi algumas flores bem bonitas que chamaram a minha atenção. As hortênsias estavam especialmente lindas, mas quando abaixei para pegar uma delas, a presilha escorregou pelos fios soltos do meu cabelo e caiu no meio do jardim. Aí, tentei pegar ela de volta e acabei tombando com a bicicleta e produtos que se espalharam pelo chão.
— Precisa de ajuda, gata? — A voz grave me assustou.
Levantei os olhos para encontrar o homem que baixou óculos escuros para me observar. Sua figura imponente contrastava com minha posição vulnerável no chão. Meu coração disparou, mas não pelo motivo que ele talvez esperasse.
— Não! — Respondi firmemente e então, levantei rápido. — Posso fazer isso sozinha.
Ele não recuou. Senti o olhar dele me observando enquanto recolhia alguns legumes. Olhei de canto e vi as sobrancelhas franzidas, como se estivesse tentando lembrar de algo.
— Você é atrapalhada! — Ele fez o comentário.
Porém, eu não dei espaço para provocações.
— Como caiu desse jeito?
— Não te devo satisfações. — Retruquei, pegando o último tomate.
— Esqueceu a sua educação em casa? — O sorriso no rosto dele ampliou-se. — Uma mulher delicada deveria ser mais doce. — Ele insistiu, com uma malícia que fez meu sangue ferver.
— Se quer tanto doce, então, devia se afogar numa piscina de Nutella. — A raiva subia em meu rosto quando disparei.
O brilho divertido em seus olhos foi uma resposta clara de que ele não esperava por essa.
Victor deu um passo para trás, mas não saiu.
— Talvez eu não aceite essas mercadorias que você derrubou, sua desastrada! — A voz dele assumiu um tom hostil.
Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meu braço e me puxou com uma força que me fez colidir contra ele. Sua mão grande envolveu minha cintura.
— Tire as mãos de mim, Victor! — Minha voz saiu tremida.
Usei toda a minha força para empurrar ele, mas seus olhos já estavam fixos nos meus, era como se penetrasse a minha alma.
— Você se lembrou! — Ele falou baixinho, ainda com aquele ar de malícia.
Apesar de tudo, eu não me rendi.
— Victor, o que você está fazendo? — A voz feminina veio de cima da escada. Uma mulher alta, com os cabelos bem arrumados, acenava. — Peça para a garota subir com a encomenda. A cozinheira está esperando.
Ele olhou para mim, mas não disse nada. Apenas jogou o dinheiro na minha direção, sem muita atenção, como se isso fosse encerrar a conversa.
— Pode ficar com o troco. — Disse, virando-se para ir embora.
— Não quero o seu dinheiro. — Retruquei, empurrando o dinheiro de volta para ele, mas ele não olhou para trás.
Ele continuou andando direto para a mansão e eu fiquei observando a camisa branca que se moldava às costas largas e aos músculos de seus braços. Ele estava bem mais alto e mais forte do que da última vez que o vi.
— Babaca! — Xinguei em voz baixa enquanto pegava a bicicleta e então pedalei para longe.
O meu coração ainda estava acelerado devido ao reencontro. “Por que o Victor voltou para a cidade?” A pergunta assaltou os meus pensamentos.
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Ponto de vista de Victor.
A Fazenda Bela Vista era um lugar que parecia ter o peso do tempo e das tradições. O vale ao redor, cercado por serras e matas, parecia esconder a imponente casa grande de todos os olhares curiosos da estrada. A mansão possuía uma fachada branca e estilo neoclássico. Riquezas e poder se perpetuavam em nossa família há gerações, mas a realidade exigia sacrifícios para preservar aquele legado.
Desde pequeno, eu sabia que a família Corte Real me daria responsabilidades. Meu pai, por exemplo, lutou por trinta anos para manter o patrimônio de pé, assim como os antepassados haviam feito antes dele. Tentei escapar do peso de carregar essa responsabilidade, mas eu nunca me importei.
Na Itália, eu vivia sem pensar no futuro, gastando muito dinheiro, acreditando que a fortuna da família seria o suficiente para sustentar meu estilo de vida. Mas, quando olhei o saldo da minha conta, vi que era difícil lidar com a minha realidade.
Levantando-me da cama, ajustei a camisa enquanto observava pela janela o pomar e o gramado verde que cercavam a casa. O sol se escondia, deixando para trás uma penumbra que engolia as folhas das laranjeiras. No reflexo do espelho oval, ajeitei meus cabelos negros e lisos, jogando-os para trás com os dedos. Minha aparência estava impecável, mas minha mente fervilhava.
— Se eles pensam que vou ficar nesse lugar, estão muito enganados! — disse em voz alta, permitindo que a irritação transparecesse.
Com um único movimento, ajustei o cinto e segui pelo corredor. Minhas botas ecoavam pelo assoalho de madeira enquanto subia as escadas. Ao abrir a porta do escritório, deparei-me com a figura austera do meu pai, Carlos Corte Real. Atrás da mesa de madeira envernizada, ele tirou o charuto da boca e soprou a fumaça, encarando-me com olhos indecifráveis.
— Olha só quem apareceu! — disse com a voz grave e cheia de ironia. — Eu sabia que você voltaria, mas não tão cedo. Beba um pouco. — Ele apanhou um copo e encheu de conhaque.
Peguei a bebida que ele ofereceu e senti o cheiro forte, e tomei um gole. O conhaque desceu queimando minha garganta, mas não amenizou o meu desconforto.
— O senhor sabe que não gosto desta cidade — fui direto ao ponto.
Meu pai se levantou rápido, batendo com o punho na mesa. Felizmente, a minha mãe entrou no escritório com uma serenidade que contrastava com o clima carregado.
— Contenha-se, Carlos! — Ela se posicionou entre nós. — O que está acontecendo?
— Esse garoto é um irresponsável, Olívia. — Os olhos do meu pai estavam faiscando de raiva quando falou com minha mãe. — Pensa que vou sustentar a boa vida que ele leva com aquela vadia no exterior?
— Retire o que disse! — repliquei, dando um passo à frente,
— Acalme-se, Victor. — A minha mãe segurou meu braço, evitando um confronto direto.
— A minha noiva é uma modelo famosa na Itália! — Ressaltei, encarando meu pai com veemência.
Ele apertava o copo de bebida na mão direita quando sorriu com desdém.
— Então, cadê ela? Por acaso, ela te largou quando o dinheiro acabou? — O sarcasmo na voz do meu pai foi a gota d’água.
— Você está cansado da viagem, vá descansar um pouco, meu filho! — Antes que a discussão ficasse mais grave, minha mãe interferiu de novo.
— A culpa é sua, Olívia! — Meu pai esbravejou. — Se o Victor não me ajudar a cuidar dos negócios da família, vou tirá-lo do testamento. — Ameaçou em voz alta. — Ouviu bem? — Berrou a pergunta para mim.
No entanto, eu saí sem falar nada, e eles ficaram lá discutindo.
Peguei meu celular do meu bolso, e rapidamente, liguei para um número da Itália. Uma voz de homem atendeu, deixando-me encabulado.
— Onde está Carmem? Como assim, está no banho? Quero falar com a minha noiva! — Aumentei o tom enquanto descia as escadas em passos largos, irritado com a evasiva do outro lado da linha.
A chamada foi encerrada. Tentei ligar outra vez, mas caiu na caixa de mensagens.
Chegando ao meu quarto, joguei-me na cama, sentindo o peso da minha frustração. O teto de madeira parecia zombar de mim.
Clarice… foi o nome que surgiu na minha mente. “Será que ela ainda é virgem?” Divagando em pensamentos, eu me perguntava.
Fechei meus olhos e comecei a fantasiar com a imagem dela deitada sobre a grama, e então, as minhas mãos passeavam pela curva de seu corpo antes de reerguer o tecido de malha de seu vestido florido e depois, os meus quadris encontrarem as suas coxas abertas.
De imediato, o meu corpo estava reagindo ao pensamento. Eu tinha que reencontrar a Clarice. Teria que seduzir aquela garota para colocar o meu plano em prática.
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