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Capa do romance Mais que uma Vingança: Um acordo bilionário

Mais que uma Vingança: Um acordo bilionário

Victor Corte Real, um bilionário frio e calculista, faz uma proposta inesperada para Clarice, que está desesperada e sem teto com sua irmã caçula. O acordo é um casamento por conveniência focado apenas em interesses, longe de qualquer sentimento. No entanto, o que deveria ser apenas um contrato financeiro mergulha em um jogo perigoso de poder e segredos. Entre traições e vinganças, essa união forçada revelará destinos que nenhum dos dois poderia prever.
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Capítulo 3

Ponto de vista de Clarice.

— Acorda, já amanheceu!

No dia seguinte, despertei com a voz da minha irmã no meu ouvido.

— Clarice, você precisa acordar — ela insistiu, e eu só queria descansar por mais alguns minutinhos.

Eu me encolhi, puxando o cobertor de retalhos sobre o corpo, na tentativa de prolongar o momento de descanso. Mas a Alice, com seus cabelos desgrenhados, pulava na cama sem parar.

— Você disse que me levaria até a cachoeira! — Ela insistia, cheia de entusiasmo, como quem acredita em tudo que ouve.

— Tá bom. — Respondi, meio sem forças pra protestar. — Vai se arrumar. Penteia o cabelo e escova os dentes!

Ela saiu da cama toda feliz e eu fiquei ali, ainda tentando acordar. Mal abri os olhos e o Victor já estava em meus pensamentos. Não conseguia entender como um cara tão legal podia virar um homem arrogante e frio.

— Como ele ousa?

Ao sentar na cama, eu senti o meu corpo tenso quando relembrei da última vez que o vi. Como pude esquecer aquilo? Anos atrás, o Victor tinha quinze anos quando chegou com uma amiga na fazenda.

Naquela tarde, fui procurá-lo para andar a cavalo como fazíamos diariamente. Eu tinha apenas treze anos quando peguei ele aos beijos com uma garota da escola.

Na ocasião, fiquei muito mal e ele ainda me expulsou de lá. Eu era tão nova, tão sensível, que corri para longe, magoada e confusa. Desde então, mantive distância.

Trabalhei ao lado do meu pai e continuei cuidando dos cavalos, evitando passar perto da mansão. Algumas semanas depois, vi o Victor indo embora. Ele não se despediu de mim. Ele foi com o avô para a Itália. Não via ele há um tempão, por isso, eu achei que ele tivesse construído uma vida com a esposa e os filhos no continente europeu.

— Vamos morar na rua? — A voz da Alice me arrancou dos meus devaneios.

Ela estava tentando amarrar os cabelos com elástico rosa.

— Claro que não! — Fiz o possível para mascarar a preocupação quando respondi. — Quem disse isso?

— O filho do capataz falou pra todo mundo da escola que sou uma pobretona e que vou morar na rua.

Puxei a minha irmã pela mão e sentei no meu colo. Meu coração apertou, mas procurei manter a calma.

— Não dê ouvidos para essas bobagens. — Passei a mão pelos cabelos da minha irmã enquanto tentava acalmá-la. — Na segunda-feira, eu vou lá conversar com a sua professora.

Eu odiava ver que ela sofria com as maldades que eu já passei. Era complicado ir para a escola com a mesma mochila surrada dos últimos anos e ainda tinha aquele tênis com a sola descolando, além do meu uniforme com tecido puído. Foram tempos difíceis. Nenhuma criança deveria passar por isso.

Trancei o cabelo dela e, depois, fiz cócegas até ela rir. Isso fez minha irmãzinha esquecer um pouco da tristeza.

Depois de alguns minutos, eu tirei a camisola e entrei rápido no banheiro, onde Alice escovava os dentes. Tomei um banho rápido antes de me secar e colocar a roupa. Meia hora antes de sair, eu cuidei da minha mãe e, em seguida, limpei a casa.

Quando tudo estava pronto, deixei a minha mãe sob os cuidados da vizinha e fui passear com minha irmã caçula.

A cachoeira ficava a cinco minutos de caminhada, e, embora sempre fosse um local calmo, naquele dia estava diferente. Alguns carros estavam estacionados, e a tranquilidade havia sido substituída por risos e música alta. Fiquei tentada a voltar, mas Alice estava empolgada demais.

— Vamos ficar por aqui! — Escolhi um canto mais afastado, onde ainda havia silêncio.

Coloquei uma toalha no chão e preparei um lanche para minha irmã.

— Posso pegar peixinhos? — Esboçando um sorriso, Alice pediu.

— É melhor ficar aqui. — Sugeri enquanto olhava ao nosso redor e percebi que mais pessoas se aproximavam.

Aos poucos, a tranquilidade desaparecia.

— Por favor, mana, eu só quero pegar um peixinho. — Alice insistiu.

— Está bem. — Embora eu quisesse evitar, acabei cedendo. — Não vá para longe.

Eu me levantei e sentei na beira do rio, molhando os pés na água gelada. Olhei para minha irmã, que estava pulando na parte rasa, feliz da vida. Alice pegou um peixinho, que escorregou de suas mãos e sumiu na água e então rimos juntas.

Meus olhos focaram na silhueta do homem que tirava a blusa e exibia um corpo esculpido por árduo exercício físico. Foi nesse instante que ele me viu. Corada, baixei a cabeça e tentei me distrair com o livro que tirei da bolsa. Sacudi a cabeça, tentando afastar os pensamentos que assolavam.

Logo, o Victor sumiu rapidinho na multidão, e meu coração ficou mais tranquilo. Ele devia estar paquerando alguma das moças da cidade.

Estava tentando focar na leitura do livro quando, de repente, escutei o grito.

— Socorro! — A voz infantil pediu.

Os meus olhos se arregalaram quando vi Alice se afogando. Ela lutava, mas as correntezas eram fortes demais.

— Socorro! — Desta vez, a voz de Alice se perdeu na agonia da luta contra as águas turbulentas.

Já estava pronta para entrar, mas ele foi mais rápido. Victor mergulhou, sem hesitar. Com braços fortes e precisos, ele nadou até Alice. Num instante, a minha irmãzinha já estava nos braços dele, mas os olhos estavam fechados. Alice não respirava.

— Alice, acorda — em meio ao desespero, gritei.

— Sai daqui, sua tonta! — Victor ordenou com frieza quando colocou minha irmã caçula sobre a toalha vermelha.

Impotente, recuei. Com o coração apertado, eu só podia assistir enquanto ele a socorria.

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