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Capa do romance Mais que uma Vingança: Um acordo bilionário

Mais que uma Vingança: Um acordo bilionário

Victor Corte Real, um bilionário frio e calculista, faz uma proposta inesperada para Clarice, que está desesperada e sem teto com sua irmã caçula. O acordo é um casamento por conveniência focado apenas em interesses, longe de qualquer sentimento. No entanto, o que deveria ser apenas um contrato financeiro mergulha em um jogo perigoso de poder e segredos. Entre traições e vinganças, essa união forçada revelará destinos que nenhum dos dois poderia prever.
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Capítulo 1

Ponto de vista de Clarice.

— Você precisa casar, Clarice. — A minha mãe falou de repente.

Durante o banho, eu passava a esponja com cuidado no corpo dela, enquanto tentava ignorar aquele papo.

A minha mãe adorava repetir que eu não podia viver sem um homem e que precisava de alguém para cuidar de mim.

Há um ano, eu cheguei a ficar noiva, mas ele me traiu. Poucos meses após o término, ele foi embora com outra mulher, deixando-me para trás.

Após secar minha mãe, coloquei a roupa nela e ajeitei o corpo imóvel dela na cama.

— Não vou durar muito tempo. — O olhar dela pairou sobre mim.

Desde que sofreu um AVC, a minha não era mais a mesma. O corpo não se movia como antes, e a vontade de viver parecia ter sumido.

— Para de dizer bobagens, mãe. — Falei num tom brincalhão.

— Vamos ser despejadas e você está rindo, minha filha. — Falou devagar.

— Vou dar um jeito de pagar os aluguéis atrasados. — Apesar de sentir um nó se formando na garganta, eu garanti.

Enquanto eu respirasse, faria qualquer coisa pela minha família.

— Prometa que vai cuidar bem da sua irmã! — Tinha lágrimas nos olhos dela, quando fez o pedido.

— Sempre farei de tudo para cuidar da Alice e da senhora. — Prometi e, então, beijei o dorso da mão dela.

Antes dos dezoito anos, a minha ferramenta de trabalho era a enxada. Ralei, suei, e mesmo assim o dinheiro mal dava para comer.

Nos últimos meses, as chuvas ferraram com a lavoura e eu afundei ainda mais nas dívidas. O dono da mercearia, onde eu também trabalhava, emprestou dinheiro, mas nada do que fiz deu certo.

No fim, só sobraram os boletos e um desespero que não me largava.

Em certo momento, a minha mãe tossiu violentamente.

— A senhora está bem? — Aproximei-me, secando os fios ralos do cabelo dela.

— Estou… — Ela sussurrou, mas o cansaço na voz era evidente.

— Descansa um pouco. — Cobri o corpo magro com o cobertor. — Vou preparar o café da manhã.

Meia hora depois, acordei Alice com um cafuné. Minha irmãzinha se espreguiçou e sorriu de leve. Ajudei Alice a vestir o uniforme da escola e prendi os fios lisos com o laço rosa de que ela tanto gostava. Alguns minutos depois, fui me preparar para o trabalho na mercearia.

Quando estava pronta, eu deixei a minha mãe sob os cuidados da vizinha e levei a Alice para a escola. A estrada de terra era íngreme e a minha irmã já estava diminuindo os passos.

— Clarice, estou cansada — a voz infantil reclamou.

— Suba, Alice. — Abaixei-me e ofereci as costas. — Estamos quase lá. — Senti o peso leve e a carreguei pelo resto do caminho.

Ao chegar na escola, beijei a testa da minha irmã e esperei que ela entrasse antes de seguir correndo para o trabalho.

Na mercearia, o chefe me aguardava com aquela carinha fechada de sempre.

— Você está atrasada de novo. — Ele me repreendeu.

— Minha mãe precisa de ajuda para se locomover, senhor. — Mesmo que ele não se importasse, eu continuei a explicar. — A vizinha que cuida dela se atrasou um pouco, não podia deixar minha mãe sozinha. — Concluí, mas o rosto dele continuou impassível.

— Da próxima vez, vou te demitir. — O velho tentou me intimidar com ameaças.

Meus dedos apertaram contra a palma da minha mão ao ponto da unha afundar em minha carne. Queria gritar, mas fiquei quieta. Eu não podia perder aquele emprego. Por isso, coloquei o avental e comecei a organizar as verduras, evitando olhar para o meu patrão.

Mais tarde, ele me chamou.

— Clarice, separe esses pedidos e use a bicicleta para entregar nesses endereços. — Entregando-me uma lista, ele mandou.

— Posso almoçar antes? — perguntei.

— Não. Você chegou atrasada e ficará sem intervalo. Agora, vá trabalhar! — Deu a ordem e saiu.

Era meio-dia e o meu estômago já roncava de fome. Meus olhos arderam, mas segurei as lágrimas. Após me recompor, eu preparei os pedidos e saí.

A luz dourada fazia sombras sinuosas nos degraus da mercearia. Após arrumar as caixas com os produtos na garupa, eu sentei na bicicleta e ajustei o vestido florido que chegava aos joelhos. Inspirei o ar puro e soltei, deixando que a brisa carregasse a fome e as preocupações para longe, mesmo que fosse por alguns instantes.

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Ponto de vista de Victor.

O dia estava calmo e o céu claro mostrava a beleza natural de Valença.

Dentro do automóvel, vi as construções históricas que ficavam pelas ruas do centro.

Enquanto atravessava a cidade, lembrava dos passeios de infância e dos mergulhos nas águas geladas e cristalinas das cachoeiras, mas aquelas lembranças foram ofuscadas pela decisão que me trouxe de volta a este lugar.

Inclinei a cabeça para trás, passei as mãos por meus cabelos curtos e fechei os olhos por um instante. As últimas palavras da minha noiva ainda soavam em minha mente. Carmem era uma linda modelo italiana com quem passei momentos inesquecíveis em Veneza, mas a decisão repentina de meu pai destruiu aquela ilusão. Se eu não voltasse para cuidar dos negócios da família, eu seria deserdado.

Quando abri os olhos, avistei uma garota que andava de bicicleta. Ela sorria e acenava para algumas pessoas enquanto equilibrava caixas cheias de verduras na garupa.

Por um momento, nossos olhares se encontraram. Os olhos esverdeados, o rosto oval e aquele queixo pequeno prenderam a minha atenção. Eu a conhecia de algum lugar.

— Não lembra dela, senhor? — O capataz, que dirigia o carro, perguntou.

Neguei com a cabeça e continuei olhando para a garota que ficou para trás.

— Ela era a filha daquele funcionário que trabalhou na mansão dos seus pais. — Ele coçou a barba negra.

— Era? — Ergui uma sobrancelha.

— O pai dela faleceu há sete anos. Agora, ela cuida da mãe doente e da irmã mais nova.

Enquanto o capataz falava, comecei a lembrar dela, mas não quis comentar. Quando éramos crianças, eu a protegia das humilhações que ela sofria devido à sua pobreza. Era uma amizade pura, que o tempo, a distância e as diferenças de classes sociais apagaram.

— Só lamento por ela! — Falei enquanto endireitava as minhas costas no banco macio do carro.

O meu pensamento se concentrou no motivo do meu retorno. Precisava mostrar ao meu pai as vantagens do investimento que unia os setores imobiliário e hoteleiro antes de convencê-lo a entregar parte da minha herança.

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