
Mãe Guerreira: A Luta Por Leo
Capítulo 3
No dia seguinte, fui a um advogado.
O advogado, um homem de meia-idade chamado Sr. Alves, ouviu a minha história em silêncio.
"Senhora, com base no que me disse, o seu marido não cometeu nenhum erro legal grave. Pedir o divórcio pode ser difícil, especialmente no que diz respeito à custódia da criança."
"Eu sei," eu disse calmamente. "Mas eu tenho de tentar."
"O seu marido é uma figura pública. Um processo de divórcio pode ter um grande impacto na sua carreira. Ele provavelmente não vai concordar facilmente."
"É por isso que preciso da sua ajuda."
O Sr. Alves acenou com a cabeça.
"Farei o meu melhor. Primeiro, precisamos de reunir mais provas da negligência dele para com a família."
Provas.
O meu coração sentiu-se pesado.
A vida dos últimos três anos passou pela minha mente como um filme.
As noites solitárias, as festas de aniversário perdidas, as promessas por cumprir.
Tudo isso eram provas.
Quando saí do escritório do advogado, o sol estava forte.
Senti-me um pouco tonta.
Peguei no meu telemóvel e vi dezenas de chamadas não atendidas do Miguel e da minha sogra.
Eu ignorei-as.
Fui buscar o Leo ao jardim de infância.
Ele correu para mim, o seu pequeno rosto cheio de sorrisos.
"Mãe!"
Eu abracei-o com força, sentindo um calor raro no meu coração.
"Leo, a mãe vai levar-te a um lugar divertido, ok?"
"Onde?"
"Um lugar muito, muito longe. Só nós os dois."
O Leo aplaudiu alegremente.
"Viva!"
Levei o Leo ao meu antigo estúdio de dança.
A proprietária, a Sra. Helena, era a minha antiga professora.
Ela ficou surpreendida por me ver.
"Ana! Há quanto tempo. Pensei que nunca mais voltarias a dançar."
Eu sorri amargamente.
"Sra. Helena, preciso da sua ajuda. Quero alugar um estúdio."
"Para quê? Queres voltar a dançar?"
"Não. Quero dar aulas."
Eu precisava de ganhar dinheiro, de ter a minha própria carreira.
Eu não podia mais depender do Miguel.
A Sra. Helena olhou para mim por um longo tempo, depois suspirou.
"Claro. O estúdio está sempre aqui para ti."
Naquela noite, recebi uma chamada do Miguel.
A sua voz estava fria como gelo.
"Ana, onde estás? Fui a casa e vocês não estavam lá."
"Estou fora."
"Fora onde? Foste a um advogado?"
Parece que a sua agente, Sofia, é muito eficiente.
"Sim."
"Tu queres mesmo divorciar-te? Por minha causa, por não ter ido ao aniversário do Leo?"
A sua voz estava cheia de incredulidade.
"Não é só por isso, Miguel. Tu sabes disso."
"O que é que eu sei? Eu trabalho tanto por esta família, e é assim que me retribuis? Com um pedido de divórcio?"
"Família?" Eu ri-me. "Que família? Uma família que só existe nos media?"
"Ana, não sejas irracional. Pensa no Leo. Queres que ele venha de uma família desfeita?"
"É melhor do que uma família fria e sem amor."
Houve um longo silêncio do outro lado da linha.
Então, ele disse, "Eu não vou concordar com o divórcio. Nem penses nisso."
Ele desligou.
Eu olhei para o telemóvel escuro.
Eu sabia que esta seria uma batalha difícil.
Mas eu não ia desistir.
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