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Capa do romance Loucamente Amor

Loucamente Amor

Após um sumiço de oito anos e sem deixar rastros, Ethan Handler ressurge inesperadamente na vida de Margot Clarke. O choque é total quando ela descobre que o vínculo entre eles ainda é o de marido e mulher. Agora, para superarem as mágoas do passado e redescobrirem o amor, ambos precisarão se entregar a uma honestidade profunda. Entre incertezas e reencontros, eles buscam entender se o que sentem é forte o bastante para um novo recomeço.
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Capítulo 2

Eu decidi alguns dias atrás que não deixaria me comover por tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Na verdade, eu quis esquecer o babaca do meu ex-namorado por ter me traído. Me arrependi de ter começado qualquer coisa com aquele babaca miserável. Me arrependi de ter mudado do meu antigo apartamento por causa dele, e principalmente de ter acreditado que tínhamos alguma coisa de especial.

Bufei.

— Você não pode se culpar por isso. Margot, você é a pessoa mais sensacional que alguém pode conhecer, e se alguém tiver culpa, é ele. — Olhei para Charlotte e deixei bem claro com a minha cara inchada de tanto chorar que não queria estar na situação em que me encontrava. Eu quem deveria estar consolando ela, não o contrário! Ela tinha acabado de terminar um noivado e eu quem estava lá, chorando em seu colo. Minha mente tinha parado de funcionar há muito tempo, e aquele bar era ideal para alguém como eu: uma condenada a ser esquecida. — E, além do mais, o Josh não era uma boa pessoa.

Afundei a cabeça em meus braços apoiados no balcão do bar e funguei o nariz. Charlotte, minha irmãzinha, afagou meus cabelos enquanto continuava ridiculamente triste.

— Eu não sei o que fiz de errado! Ele simplesmente me deixou de lado e foi… foi dormir com aquela vadia! — Levantei a cabeça e voltei os olhos na direção dela. — Ele… eu… eu odeio ele! — Minha voz era uma mistura de estridente e arranhada. Estava muito fora de mim para perceber que todos olhavam de relance, e na verdade, não ligava. Queria que todos vissem — e não me pergunte o porquê —, que estava triste. Muito triste!

Namorei um ano inteirinho com o maldito. Ele me fez acreditar que eu era a pessoa mais especial do mundo, que somente eu importava e que nada mais tinha valor. Somente eu. E uma semana atrás, quando voltei do trabalho, percebi que a porta da frente — a qual nós escolhemos há um mês — estava aberta. Enlouqueci achando que alguém tinha invadido, e então entrei, peguei o taco de beisebol e nas pontas dos pés, andei até o quarto, tentando não fazer barulho. Com o taco de beisebol empunhado, me aproximei, havia barulho, um barulho alto. Abri a porta do quarto e, para minha surpresa, dei de cara com Josh e uma vagabunda qualquer! Deus sabe o quanto quis correr atrás da vadia com o taco de beisebol. Mas minha reação foi a mais natural possível:

Eu cruzei os braços e fiquei vendo, até que ele pulou de cima dela e disse que eu estava enganada, como se tudo aquilo não passasse de uma miragem. No mesmo dia ele foi embora.

— Você deveria rever os caras com que sai. — Charlotte disse. Eu contraí os lábios e uma onda avassaladora de tristeza me afundou. Senti meu estômago revirar mil vezes, e eu queria, naquele instante, me esfregar no primeiro cara que me desse na telha! — Não… não… — ela disse, Charlotte passou os braços em volta do meu corpo e encostei a cabeça no peito dela. — Não queria que se sentisse mal de novo… — minha mãe estava certa. De suas quatro filhas, eu sou a pior. Fui eu quem jurou perseguir o certeiro quando ele acidentalmente atropelou Pulo, meu coelhinho. Uma semana depois montei um plano para infernizar a vida dele, e minha mãe, na Páscoa, seis dias depois da morte de Pulo, o "ressuscitou". Ela comprou outro coelho idêntico ao meu Pulo, e disse que o carteiro não teve culpa. Ela disse que ele havia dormido por um tempo e acabado de acordar, e como as borboletas, transformou-se em algo muito mais belo. — A mamãe sempre dizia que a melhor coisa para curar um coração partido é um abraço. — O abraço apertado de Charlotte era confortável, mas lembrar que tudo o que eu sentia naquele instante não iria passar após aquele abraço fazia tudo piorar.

— Lembra quando o papai se entalou na lareira? — Ela assentiu. — Ele disse que era o papai noel e eu te prometi que iria deixá-lo em casa só para nós. — Ela sorriu.

— Lembro que você conseguiu. Você ficou a noite toda acordada, e quando o papai deixou os presentes debaixo da árvore, correu na direção dele e desesperado, ele se enfiou debaixo da lareira. Ainda bem que estava apagada, porque além de sequestrar o papai noel, você iria cometer papaicídio. — Eu ri, percebi que os olhos de Charlotte brilhavam. Ela parecia bem mais feliz do que nos últimos meses. Daniel, o irmão de um amigo, foi internado às pressas por causa de um ataque cardíaco. Como alguém com 23 anos tem um ataque cardíaco?

— É…

Voltei os olhos na direção da minha bebida. A música suave que tocava ao fundo ressoava como um sussurro ao amanhecer. O cheiro de bebida e perfume enchiam meus pulmões. Bebi o resto do meu Dry Martini e quase caí da banqueta. Charlotte apoiou as mãos nas minhas costas, e gargalhando, me agarrei à mesa. O barman arregalou os olhos. Minha irmã pegou meu braço com força e eu assisti quando ela levantou e me puxou para fazer o mesmo.

— Margot… acho que isso é um sinal. — Ela disse. Eu revirei os olhos.

— Essa foi a coisa mais divertida que me aconteceu nos últimos cinco meses! — Respondi. Eu sempre vivi as mesmas coisas durante a semana. Sempre saía com minhas amigas, voltava para casa, tomava um bom banho e lia alguma coisa e enfim ia dormir. Minha vida se resumia a isso: trabalho, sair com as amigas num programinha chato e dormir! Eu estava cansada daquilo! — Não seja chata!

O barman me olhou com seus olhos castanhos. Ele sorriu e eu gritei:

— Viu? Ele tá me paquerando! Eu nunca sou paquerada! — Charlotte cobriu a cara com uma mão e eu sorri. O barman levantou as duas sobrancelhas e enrugou a testa.

— Você é sempre tão direta? — Ele perguntou. Me atirei sobre o balcão novamente e apoiei os braços. — Jesus! — Ele disse. Aproximei meu rosto do dele e Charlotte me puxou pela blusa.

— Que diabos, Margot!

— Eu posso ser o que você quiser, anjinho! — Disse, crendo que estava fazendo minha melhor cara de safada prontinha para transar no meio do bar. — Só falta saber o que quer que eu seja.

— Eita… tá… ok… — ele disse, olhando nas duas direções. Eu peguei seu colarinho e o puxei para perto de mim.

— Você sabia? Eu fui traída! O canalha era um desgraçado! — Ele assentiu.

— Ai, que vergonha… — Charlotte disse.

— Moça… pode parar de fazer isso…? — Ele praticamente me implorou. Encostei meu rosto no dele e em seguida parei de agarrar seu colarinho. Passei os braços ao redor de seu pescoço e o abracei com força. — Eu não sou pago pra isso… — ele disse baixinho.

— Margot! Sai daí! — Charlotte voltou a puxar minha blusa. Uma blusa de alcinha, a minha preferida. Eu costumava usá-la como um talismã. Todas as vezes que me sentia mal, a vestia e deitava em posição fetal.

— Me abraça, por favor! — Eu gritei. Ele simplesmente bateu três vezes nas minhas costas com delicadeza. — Jura? — Apertei meu abraço. — Ele arfou enquanto o alertava como um bichinho de pelúcia.

Ela puxou minha blusa mais uma vez, mas dessa vez eu fui junto. Quando percebi, senti um arzinho frio passear pelos meus peitos. Todos estavam nos olhando e Charlotte estava debaixo de mim.

Eu pulei tão agilmente que caí de pé. Charlotte estava estatelada no chão como uma boneca inflável.

Cobri meus seios rapidamente e passei os olhos nos rostos que me olhavam.

— Que bagunça é essa? — Alguém disse. De repente, entre os gemidos dolorosos de Charlotte, que ainda se recuperava, um homem apareceu, saindo do meio da multidão que passou a me assistir. Eu estava tão envergonhada que encolhi um metro. Todos tomaram proporções imensas e eu fiquei do tamanho de uma formiga. — O que está havendo? — Um outro homem acompanhava o homem, e os dois estavam vestidos com uniformes de policiais. Um cara alto e com óculos escuros olhou para mim de relance. O outro ficou me observando com confusão. — Ouvimos barulho lá de fora. Está acontecendo alguma coisa?

Eu pigarreei.

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