
Loucamente Amor
Capítulo 3
Minha irmã levantou, enfim. Ela olhou para mim com o que poderia se ler em seu rosto: " só não te mato agora porque posso ser presa ", e estendeu a blusa. Eu peguei.
— A senhorita está bem? — Um dos policiais perguntou. — E por que você está pelada?
O outro policial, o de óculos, deu um passo à frente e mostrou o rosto. Ele parecia uma pessoa que conheci há algum tempo… mas não pude me convencer até colocar as mãos nos quadris e fazer pose de super herói. Arregalei os olhos, e aos gritos, apontei na direção dele.
— É ele! É ele! É ele! — Por alguns segundos esqueci que estava pelada, e deixei meus peitos à mostra.
— Senhorita… — o primeiro policial disse. Eu olhei para baixo e percebi que estava mostrando mais do que devia. — Eu lamento, mas vou ter que prendê-la por atentado ao pudor. — Ele rapidamente passou por mim, e eu, sem reação, gritei:
— O que pensa que está fazendo? — Eu o empurrei, e o outro homem virou o rosto. Ele tirou os óculos escuros e tive que me segurar para não voar em cima dele. Era Ethan Handler! Ethan! Empolgada, me aproximei dele nas pontas dos pés. — Ethan?! — Ele contraiu os lábios e olhou para o lado.
— Você está enganada. Não sou o Ethan. — Ele disse. De repente, o primeiro policial pegou meu braço e eu girei. Com a testa franzida, eu acertei um tapa na cara dele.
— Senhorita! — Ele gritou. Charlotte estava me observando, parada no mesmo lugar. — Agora vou ter que prendê-la por desacato à autoridade. Ethan, faça alguma coisa… — Estreitei os olhos.
— Eu disse que você era o Ethan! — Eu gritei.
— É claro… — ele disse. Ethan passou por mim enquanto o outro homem me observava como se eu fosse uma louca. — Desculpe, mas parece que não tem outro jeito. — Ele continuou.
— Você vai me prender? — Perguntei. — Por quê?
— Por desacato à autoridade e atentado ao pudor. — Ethan tirou as algemas e me pegou pelo braço. Eu girei e choquei minhas costas contra seu corpo quentinho.
Me arrepiei.
— Ui… eu aceito… contanto que você me leve para bem longe desse babaca. — Disse. Coloquei a língua para fora e fiz uma careta quando olhei para o outro cara. Ethan colocou uma argola da algema no meu pulso e eu cochichei: — Temos um probleminha…
— Qual? — Ele perguntou. Eu balancei meus peitos e ele deixou um som escapar de sua boca.
Repentinamente Ethan tirou alguns dos aparelhos que tinha sobre a camisa e colocou-a em mim.
— Problema resolvido. — Eu sorri.
— Olha… — eu disse, observando o corpo malhado debaixo da regata apertada. — Você tá mais gostoso que a última vez que nos vimos…
— Margot… — ele sussurrou no meu ouvido.
— Handler — o homem disse — aonde pensa que vai? — Ethan e eu estávamos quase saindo do bar quando o chatonildo disse.
— Williams, me dê cobertura. — Ele disse. Eu não entendi exatamente o que Ethan quis dizer com aquilo, mas apontou para mim com o queixo e me empurrou para fora.
Nós caminhamos até o meio fio e ele chamou um táxi.
Chegamos à sua casa às dez horas e meia da noite. Eu, completamente bêbada, brincando com o distintivo dele. Ethan sumiu por 8 anos. Por 8 anos!
Eu não fazia ideia de que minha vida poderia ser tão interessante. Ele, anos atrás, depois de nos encontrarmos numa festa de sua ex-namorada, revelou o que sentia por mim. Quer dizer… depois de eu acordar e vê-lo do meu lado, me olhando dormir. Foi o meu primeiro dia com ele como uma amiga não tão amiga.
Chacoalhando no táxi e recostada no ombro dele, me senti como anos atrás. Ele me deixou para trás, traiu o que um dia eu acreditei que seria para sempre. Era como as histórias de contos de fadas que líamos quando crianças, mas ao invés de "felizes para sempre", tivemos um " deixa pra lá".
— Queria que estivesse aqui antes — sussurrei. Ele não me olhou. Apenas apertou minha mão e como se eu fosse uma estranha, chegou mais para o lado, afastando-se de mim.
Eu não sentia ódio, na verdade, eu sentia saudade. Eu queria que nós fôssemos novamente o que éramos anos atrás. E estava bêbada, então, a melhor explicação que posso dizer é: não estava pensando direito. Eu deveria esmurrá-lo por ter me deixado igual uma pata choca. Deveria me zangar por quebrar nosso trato, e ainda mais por eu ter me deixado levar por ele.
— Desculpa, Margot — ouvi a respiração pesada. Ele me aconchegou em seu peito novamente e eu o abracei. Vi um sorriso no lábios dele. — Eu não deveria ter feito aquilo, mas nós sabemos porque fiz o que fiz.
Sabíamos exatamente o que havia acontecido, e por isso mesmo acho que deveria estar uma fera! Ele era o meu melhor amigo, e como se eu não passasse de uma boa lembrança, ele pede desculpas?
— É… — minha voz saiu anasalada, como se afogasse no meu choro interno. Eu estava triste por fora e por dentro, mas não queria que Ethan visse isso.
Quando finalmente chegamos em sua casa, Ethan pagou o táxi e quando perguntei por que ele não me deixou ir para a minha, explicou que eu estava muito bêbada.
— É melhor assim. — Ele disse — Você está mesmo muito bêbada para ir para casa. Charlotte, pelo que vi, estava furiosa com você. — Ele estava certo. Quando olhei pela última vez para ela, percebi que Charlotte não estava muito feliz. Talvez eu tenha me descontrolado um pouco… só um pouquinho…
Eu apertei a camisa de Ethan no meu corpo, e senti uma onda de frio me congelar. Ele virou para mim e encostou a mão nas minhas costas. — Está com frio?
Eu assenti levemente com a cabeça.
— Devo achar que o que aconteceu no bar foi ideia sua? Margot… eu… parece que você continua igual! — Ele disse, olhei para seus olhos e notei o castanho brilhante atravessando minha alma. Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas era como se eu estivesse entregue. Ethan me conduziu até a porta de sua casa e entramos.
— Não é tão ruim. — Eu disse. Ergui uma sobrancelha e Ethan sorriu, passando por mim. — Bom… é mais organizada que a minha. — Estava surpresa. Pelo que me lembrava, ele não era um exímio faxineiro.
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