
Lotus: Pecado e Prazer
Capítulo 2
Megan Phelpps
Depois de dois dias ouvindo, sem descanso, o quanto a festa seria boa, Hillary definitivamente me convenceu de que seria melhor estar na festa do que estar no trabalho, mas como a vida não é feita do que a gente quer fazer, e sim, do que a gente precisa fazer. Estou me arrumando para o trabalho, devo dizer, contrariada.
Coloco a última peça do uniforme e prendo o cabelo em um coque firme. Tenho quarenta minutos para chegar lá, então preciso sair agora para pegar o ônibus.
Mal vejo a hora que vai chegar meu momento de brilhar e eu vou bater por aí de carrão.
Saio do meu apartamento, que é bem pequeno, sala e cozinha, um quarto e um banheiro, e me apresso para pegar o elevador. Chego no ponto de ônibus junto com ele, um minuto de atraso e eu teria que esperar o próximo e com certeza chegaria atrasada. Hoje o chefe deixou bem claro que não quer nenhum atraso.
Ao chegar no restaurante entro pelas portas dos fundos, próprias para funcionários, e me apresso em pegar o meu crachá. Hoje é um evento fechado e vai estar lotado de gente rica, se tudo não sair perfeito, tenho certeza que vai ter encheção de saco. Devan é um chefe legal quando quer, e vive me contratando para cobrir folgas, ou em dias mais cheios, ou em dias como hoje, que tem evento, mas isso não muda o fato que quando ele quer, é o próprio demônio encarnado. Me arrepio de nervoso só de lembrar como ele fica quando está irritado.
— Oi, você está com uma cara péssima hoje — Ouço, e me viro me deparando com a Mônica, ela trabalha ali a quase um ano — Aconteceu algo?
— Oi, não aconteceu nada, só queria estar em uma festa e não aqui trabalhando — Faço bico e ela ri.
— Você parece uma criancinha às vezes — Ela brinca. Mônica não é muito mais velha que eu, ela deve ter uns vinte e sei ou sete, mas já tem uma filhinha pequena e por isso é sempre muito maternal ao falar com todo mundo — Mas eu já soube que o Devan está soltando fogo pelas ventas.
— E quando ele não está? — Pergunto em um tom divertido, e ela ri. Mas escutamos o som de alguém limpando a garganta para chamar atenção, e quando eu olho, Devan está bem atrás de nós. Puta merda, estamos ferradas se ele ouviu isso.
— Se estão com tempo de falar mal de mim, estão com tempo para ir trabalhar. — Ele fala sério. Eu olho rapidamente para a Mônica e aceno, começando a sair para ir trabalhar.
— Eu preciso conversar com o Devan, depois nos vemos pelo salão — Mônica diz me olhando e eu me despeço com um aceno e saio.
Será que os boatos de que existe algo entre eles é real? Não importa, isso não é nenhum pouco da minha conta. Cuidar da minha vida já me dá trabalho o suficiente para eu ficar me preocupando com a vida dos outros. Dou de ombros e caminho até o gerente que está organizando os garçons.
— Boa noite Adam — Cumprimento assim que me aproximo — Eu vou ficar em qual posição hoje?
— Boa noite Megan, hoje quero que você sirva champanhes, não quero ver nenhum convidado com a taça vazia — Ele instrui com calma.
— Certo, estou indo — Respondo.
Me afasto para pegar a bandeja, e vou até a mesa de bebidas pegando as taças cheias e começo a andar pelo salão para servir e trocar as taças vazias.
Só passou umas duas horas e meu pé já está dormente. Definitivamente prefiro quando o restaurante está funcionando como restaurante e não como um espaço de festa para gente rica, eu ando menos de um lado para outro. Troco as taças vazias por cheias e volto a caminhar pelo salão entregando as bebidas.
Um rapaz me chama, eu vou até ele. Assim que ele coloca sua taça vazia e tira a cheia, eu peço licença para continuar meu trabalho, mas sinto uma mão segurando meu braço e me prendendo no lugar.
— O senhor está me atrapalhando a continuar meu serviço, poderia por favor me soltar — Peço educadamente.
— Espera um pouco — Ele bebe o líquido na taça de uma vez — O que acha de fazer hora extra na minha cama? Eu pago bem.
— Eu acho que o senhor pode enfiar essa proposta no meio do seu… — Interrompo minha frase respirando fundo — Agora pode me soltar por favor.
— Que boquinha afiada, será que faz outras coisas também? — Ele pega outra taça cheia.
— No seu pau milimétrico ela não faz nada, com licença — Puxo meu braço torcendo para não desequilibrar nada na bandeja, mas ele me empurra e tudo cai, atraindo a atenção de todo mundo. Eu fecho os olhos por um segundo sabendo que isso vai me dar muito problema.
— Tudo teria sido mais simples se você apenas tivesse concordado, sua vagabunda — Ele diz baixo, me olhando com superioridade, e eu vejo Adam vindo em minha direção muito irritado
— Prefiro a humilhação pública, perder meu emprego do que encostar em você, seu assediador nojento — Digo firme me abaixando para limpar a bagunça de taças quebradas pedindo desculpas aos outros convidados. Quando de repente sinto o champanhe frio caindo na minha cabeça e vejo o babaca se afastando em seguida.
— O que aconteceu aqui? — Adam pergunta e eu escuto algumas vozes tentando abafar a confusão. Na minha garganta tem um nó entalado, mas eu não vou chorar por isso. Não vou, não aqui pelos menos, diante toda essa gente. — Vai lá para dentro, Megan, se limpa e então vamos conversar direito.
— Eu vou juntar isso aqui — Minha voz saí arranhada.
— Não precisa, já vão vir limpar — Ele fala, e eu sei que ele está muito irritado — Não me estressa mais do que eu já estou. Por favor.
— Ok — Dico seca e me levanto indo para a parte atrás da cozinha, onde ficam os armários dos funcionários e começo a lavar meu rosto várias vezes, como se isso fosse me impedir de ficar menos mal. Odeio esses homens que acham que podem tudo com qualquer garota que veem pela frente. Eu odeio, odeio, odeio.
Ouço a porta abrir, enquanto estou secando meu rosto. Olho em direção a entrada e vejo Devan com uma expressão de poucos amigos. Eu vou ser muito enxotada daqui.
— Me conta exatamente o que aconteceu lá — Ele pede respirando fundo. Sei que ele está usando toda sua força interior para se manter o mais calmo possível, mas não tenho certeza se está indo, não quando seu rosto está tão vermelho e ele parece prestes a explodir a qualquer momento.
— Eu fui servir ele, como fiz com todas as outras pessoas, mas ele me assediou, me segurou lá e depois me empurrou, a cereja do bolo foi o champanhe no meu cabelo — Falo rápido, cruzando os braços, enquanto encostava no ármario.
— Vai para casa e eu vou no salão resolver isso — Devan diz, com o maxilar inferior travado.
— Vai fazer o que? Expulsar ele? — Pergunto arqueando a sobrancelha — Ele é convidado do dono da festa, chefe.
— E esse é meu restaurante e eu não aceito esse tipo de comportamento com os meus funcionários, vai para casa — Ele manda.
— Tudo bem, eu só preciso de mais um minuto antes de ir — Peço.
— Tenha uma boa noite — Ele diz e sai antes que eu consiga responder.
Eu me sento no banco que tem ali, passando a mão no meu cabelo e percebendo que ele está muito grudento. Preciso mesmo ir pra casa e desidratar de chorar. Porque tudo bem chorar sozinha, mas na frente dos outros não, nunca.
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