
Libertação Dolorosa
Capítulo 2
O casamento de cinco anos foi baseado em um contrato, uma transação fria e sem emoção, Ana e Lucas eram como estranhos vivendo sob o mesmo teto, mantendo uma harmonia superficial que enganava a todos, menos a eles mesmos.
Nos jantares de família, eles desempenhavam seus papéis com perfeição, Lucas segurava a mão dela, um toque que não transmitia calor, Ana sorria, um sorriso que não alcançava seus olhos, eles eram o casal perfeito para o mundo exterior, mas no silêncio de sua enorme casa, a distância entre eles era um abismo.
Cada um tinha seu próprio quarto, seus próprios horários, suas próprias vidas, o único elo que os unia era o pedaço de papel que haviam assinado cinco anos atrás, um acordo que beneficiava a ambos em seus negócios, mas que aprisionava suas almas.
Lucas não escondia seu amor por Leo, seu verdadeiro parceiro, ele passava noites fora, voltava com o cheiro de outro perfume em suas roupas, e Ana nunca questionava, ela não tinha o direito, e, para ser sincera, não se importava, seu coração pertencia a uma memória, a um fantasma chamado Marco, seu amor falecido, a razão pela qual ela concordou com aquele casamento de fachada em primeiro lugar.
A memória de Marco era seu santuário, o lugar para onde ela fugia quando a realidade se tornava insuportável, ela conversava com ele em seus pensamentos, imaginava seu rosto, seu sorriso, e isso a mantinha sã.
O prazo do contrato estava se esgotando, faltavam apenas alguns dias, Ana já havia começado a planejar seu futuro, um futuro sem Lucas, um futuro onde ela poderia finalmente tentar seguir em frente, ou pelo menos encontrar uma nova maneira de viver com sua dor. Ela já estava procurando apartamentos em outra cidade, sonhando com um recomeço.
Naquela manhã, o advogado de Lucas enviou o acordo de divórcio, o documento estava sobre a mesa da sala de jantar, uma promessa de liberdade em papel timbrado.
Ana pegou uma caneta, sua mão não tremeu.
Ela folheou as páginas, os termos eram generosos, Lucas não estava sendo mesquinho, ela não esperava menos dele, afinal, ele estava tão ansioso quanto ela para acabar com aquilo.
Ela assinou seu nome na linha pontilhada sem um pingo de hesitação, um simples rabisco que selava o fim de uma era.
Ela empurrou os papéis para o outro lado da mesa, sentindo um peso sair de seus ombros.
"Está feito" , ela pensou, um suspiro de alívio escapando de seus lábios.
Seu plano era simples, ela encontraria alguém, um substituto, alguém que se parecesse com Marco, que pudesse preencher o vazio que ele deixou, era um plano desesperado, talvez até cruel com o futuro pretendente, mas era a única forma que ela conseguia imaginar para sobreviver. Ela já tinha até mesmo um nome em mente, um jovem que vira em um site de agência, cuja semelhança com Marco era assustadora.
Naquele exato momento, o telefone de Lucas tocou, Ana reconheceu o toque personalizado, era Leo.
Lucas atendeu imediatamente, sua voz mudando de fria e distante para calorosa e cheia de preocupação. "Leo? O que aconteceu? Estou indo para aí agora."
Ele nem olhou para Ana, nem para os papéis do divórcio assinados sobre a mesa.
Ele simplesmente pegou as chaves do carro e correu para a porta, correndo em direção ao seu verdadeiro amor, deixando Ana para trás na casa silenciosa, com o contrato encerrado e a promessa de um futuro incerto.
Para Ana, aquele ato final de indiferença era a confirmação de que ela estava fazendo a coisa certa, a liberdade estava finalmente ao seu alcance.
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