
Libertação Dolorosa
Capítulo 3
Na manhã seguinte, Ana acordou sentindo uma leveza que não sentia há anos, o sol entrava pela janela, e pela primeira vez, não parecia zombar dela, parecia uma promessa, um convite para a nova vida que estava prestes a começar.
Ela se sentou na cama, o sorriso em seu rosto era genuíno, ela estava livre, o divórcio estava assinado, e em breve, Lucas seria apenas uma memória distante, uma nota de rodapé em sua história.
Ela desceu as escadas, cantarolando uma melodia esquecida, pronta para tomar seu café da manhã em paz, mas a cena que a esperava na sala de estar congelou o sorriso em seus lábios.
Lucas estava lá, e não estava sozinho, ao seu lado, com um ar de posse, estava Leo, e atrás deles, vários empregados carregavam malas e caixas, como se estivessem se mudando.
"O que está acontecendo aqui?" , Ana perguntou, sua voz fria cortando o ar.
Lucas se virou, seu rosto exibia uma calma irritante. "Leo vai ficar aqui por um tempo, a casa dele está em reforma."
Leo sorriu, um sorriso venenoso que Ana conhecia muito bem. "Espero que não se importe, Ana, afinal, em breve esta casa não será mais sua, não é mesmo?"
"E isto é para você" , continuou Lucas, apontando para uma pilha de caixas de grife no canto da sala, "Considere um presente de compensação, pelos cinco anos."
Compensação, a palavra ecoou na mente de Ana, ele estava pagando a ela por seu tempo, como se ela fosse uma funcionária, a indiferença dele era uma bofetada na cara, mas ela se recusou a dar a ele a satisfação de ver sua dor.
Leo se aproximou dela, seu olhar percorrendo Ana de cima a baixo com desdém. "Sabe, Ana, eu nunca entendi por que o Lucas se casou com você, você é tão... sem graça, lembro-me de todas as vezes que tentei te provocar em eventos sociais, e você nunca reagia, sempre com essa cara de paisagem, é irritante."
Ele estava tentando instigar uma briga, como sempre fazia, mas Ana não morderia a isca.
Enquanto Leo falava, Lucas o observava com uma adoração que revirava o estômago de Ana, ele ajeitou o colarinho de Leo, ofereceu-lhe um copo de suco, ignorando completamente a presença de Ana, como se ela fosse invisível.
A disparidade no tratamento era gritante, Lucas tratava Leo como um tesouro precioso e a ela como um incômodo que logo seria descartado.
"Eu vou para o meu quarto arrumar minhas coisas" , disse Ana, sua voz controlada, ela se virou e subiu as escadas, sentindo os olhos de Leo queimando em suas costas.
Ela se trancou em seu quarto, a alegria da manhã substituída por uma raiva fria, ela não deixaria que eles a afetassem, ela focaria em sua partida, em seu futuro, em Gabriel, o substituto de Marco.
Mais tarde naquela noite, enquanto passava pelo quarto de hóspedes onde Leo estava instalado, a porta estava entreaberta, e ela ouviu vozes.
"Você não pode simplesmente deixá-la aqui, Lucas!" , a voz de Leo era petulante e exigente, "Eu não a quero por perto, e quanto a ele? Você ainda não superou?"
"Leo, acalme-se" , a voz de Lucas era cansada, quase suplicante, "É só por mais alguns dias, o contrato está quase no fim, depois disso, ela irá embora e nunca mais a veremos."
Ana franziu a testa, sem entender a quem eles se referiam com "ele", ela presumiu que estivessem falando de algum antigo caso de Lucas, mal sabia ela que a conversa tinha um significado muito mais profundo, um significado que mudaria tudo.
Ela se afastou da porta, escolhendo a ignorância, ela não queria saber dos segredos de Lucas, tudo o que ela queria era sair daquela casa e nunca mais olhar para trás.
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