
Laura: Esposa Desprezada, Vingança
Capítulo 3
Quando Lucas finalmente chegou em casa, horas depois, eu o esperava na sala de estar.
As luzes estavam apagadas, exceto por um pequeno abajur que lançava sombras longas e dançantes pelas paredes.
Ele entrou em silêncio, tirando o paletó e afrouxando a gravata.
"A reunião de emergência foi produtiva?", perguntei, minha voz cortando o silêncio.
Ele se assustou ao me ver ali, sentada no escuro.
"Laura... o que você ainda está fazendo acordada?"
"Esperando por você. Queria saber os detalhes da sua grande noite. Foi inspirador?"
O sarcasmo pingava de cada palavra.
Ele suspirou, um som cansado e irritado.
"Não vamos começar com isso de novo. Eu não sei o que você pensa que viu, mas..."
"Eu vi exatamente o que aconteceu, Lucas. Não tente me fazer de idiota."
Ele não respondeu, apenas ficou parado ali, a silhueta escura contra a porta.
Sua falta de negação, seu silêncio, era uma confissão.
Ele não ia nem se dar ao trabalho de mentir mais.
Uma onda de exaustão me invadiu.
Eu não tinha mais forças para brigar, para gritar, para exigir a verdade que já estava estampada em seu rosto.
"Quer saber? Esquece", eu disse, levantando-me. "Não me importa mais."
Fui para o nosso quarto, o santuário da nossa vida juntos, que agora parecia um mausoléu.
Fechei a porta e a tranquei.
Foi só então que me permiti desabar.
Caí no chão, o corpo tremendo, os soluços rasgando minha garganta.
A imagem dele beijando a mão dela, o olhar de adoração, a humilhação pública.
Tudo voltou com uma força brutal.
Era uma dor física, uma pressão no peito que me impedia de respirar.
Eu, Laura, uma arquiteta premiada, uma mulher que sempre se orgulhou de sua força e independência, estava ali, reduzida a um farrapo humano no chão do próprio quarto.
Passei a noite em claro, alternando entre crises de choro e uma raiva fria e calculista.
Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela, minha decisão estava tomada.
Eu ia embora.
Levantei-me, o corpo dolorido, e comecei a fazer minhas malas.
Peguei apenas o essencial: roupas, meus documentos, meus projetos de arquitetura.
Deixei para trás os vestidos de festa, as joias, as fotos de nós dois felizes.
Deixei para trás a vida que construímos juntos.
Ouvi a porta do quarto de hóspedes se abrir e passos apressados no corredor.
Lucas estava saindo.
Correndo, provavelmente, para os braços de Sofia.
A porta da frente bateu, e o silêncio voltou a reinar na casa.
Um silêncio pesado, cheio de palavras não ditas e promessas quebradas.
Lembrei-me de todas as vezes nos últimos meses que ele chegou tarde, com cheiro de um perfume que não era o meu.
Todas as viagens de negócios de fim de semana.
Todas as desculpas esfarrapadas.
Eu tinha me enganado por tanto tempo, escolhendo acreditar em suas mentiras porque a verdade era dolorosa demais para encarar.
Mas não mais.
A venda tinha caído dos meus olhos, e a realidade era feia e cruel.
Terminei de fazer minhas malas e liguei para um táxi.
Quando o carro chegou, dei uma última olhada para a casa que eu mesma projetei, cada canto pensado com amor e cuidado.
Agora, ela parecia apenas uma casca vazia.
Fui para o meu antigo apartamento, um lugar pequeno e simples que mantive desde antes de me casar.
Era meu refúgio, meu porto seguro.
O lugar onde eu podia ser apenas Laura, sem o título de "esposa de Lucas".
Passei o dia arrumando minhas coisas, tentando criar uma nova ordem no meio do caos da minha vida.
À tarde, meu advogado me ligou.
Os papéis do divórcio estavam prontos.
Tudo o que precisávamos era da assinatura de Lucas.
Marcamos um encontro no escritório dele para as cinco da tarde.
Às cinco e quinze, Lucas ainda não tinha aparecido.
Às cinco e meia, meu advogado começou a ficar impaciente.
"Vou tentar ligar para ele", disse, pegando o telefone.
Eu esperei, o coração batendo forte no peito.
Eu só queria acabar com isso, virar a página, seguir em frente.
Mas Lucas, como sempre, estava tornando tudo mais difícil.
Meu advogado franziu a testa.
"Está chamando... Alguém atendeu."
Ele fez uma pausa, ouvindo a pessoa do outro lado da linha.
"Alô? Quem fala? Eu gostaria de falar com o Sr. Lucas."
Outra pausa.
O rosto do meu advogado mudou, uma expressão de surpresa e constrangimento.
"Ah, entendo. Sim, claro. Você poderia dizer a ele que o advogado de Laura ligou? Obrigado."
Ele desligou o telefone e me encarou, sem saber o que dizer.
"O que foi?", perguntei, a voz trêmula. "Quem atendeu?"
Ele hesitou.
"Era uma mulher. Ela disse que se chama Sofia."
O nome dela soou como um tapa na minha cara.
"E o que ela disse? Onde ele está?"
"Ela disse que o Lucas não podia atender agora. Eles estão em uma viagem. Em Paris."
Paris.
A cidade do amor.
A cidade para onde planejamos ir no nosso próximo aniversário de casamento.
A raiva que eu sentia se transformou em um ódio gelado.
Ele não só estava com ela, como a levou para o nosso lugar.
A ousadia, o desrespeito, a crueldade.
Era demais.
Peguei meu telefone.
"Advogado, pode me dar o número que você ligou?"
Ele me deu o número.
Eu disquei, as mãos firmes.
Eu ia acabar com aquilo.
Ali e agora.
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