Capa do romance Entre o dever e o desejo: O Guarda-costas da CEO

Entre o dever e o desejo: O Guarda-costas da CEO

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Ângelo foi contratado para proteger a CEO Leyla após um atentado contra sua vida. Para quitar dívidas, ele aceita um casamento de conveniência que garantiria a permanência dela no país. Contudo, o dever profissional logo se confunde com uma paixão avassaladora. Quando Leyla pede o divórcio e planeja se casar com um bilionário estando grávida, Ângelo se recusa a assinar os papéis. Determinado, ele invade o noivado para reivindicar sua esposa e seu filho.

Entre o dever e o desejo: O Guarda-costas da CEO Capítulo 1

Ponto de Vista de Leyla

— Vamos nos atrasar, — avisei ao fitar a hora no celular sobre a mesa.

Sultan ergueu o rosto, colocou a mão sobre o aparelho de telefone móvel e puxou, encarando-me.

— Sairei daqui a pouco — ele respondeu determinado.

Naquela altura da vida, eu era esperta, queria evitar confusão. Saindo da mesa, recolhi os pratos e voltei para a cozinha. Em plena manhã, eu já estava tão cansada.

Na época, eu tinha apenas vinte e três anos e os meus ossos já doíam. Fiz um grande esforço para não demonstrar o que sentia, mas em certo momento, eu parei por um instante, sentindo uma intensa dor pela extensão das minhas costas.

— Está tudo bem, senhora? — Nadiye, a governanta, parou ao meu lado.

— Estou bem! — Menti, estava dolorida, mas não pretendia demonstrar.

— Perdoe a minha intromissão, mas não deveria aceitar isso, querida. Eu ouvi o seu choro durante a noite.

— Você sabe que o meu avô tem um acordo com a família do Sultan.

Sim, o meu avô era o culpado por todo horror que eu vivia naquela maldita mansão. Aquele turco, obtuso, entregou-me para o filho de um amigo há pouco mais de um ano. Mesmo sem amar o meu pretendente, eu aceitei a proposta com a condição de que Sultan não se intrometesse em meu trabalho na administração da empresa.

— Eu ouvi o que ele fez com você pela madrugada! — Nadiye continuou. — A senhora não deveria aceitar isso. — Tocou em minhas costas.

— Ai! — Afastei-me quando a dor aumentou.

— Precisa fugir, Leyla, — sussurrou ao tirar a mão.

— Ele está desesperado porque dei entrada nos papéis do divórcio.

A governanta era a única pessoa que sempre esteve ao meu lado. Nadiye entrou na minha vida desde que a minha mãe me abandonou. Eu era recém-nascida quando ela foi contratada para cuidar de mim. Inclusive, ela aceitou vir para o Brasil com a intenção de ficar ao meu lado e me auxiliar em casa.

O tropel de passos sobre o chão de mármore fez com que Nadiye pegasse os pratos das minhas mãos e levasse a louça para a pia.

Olhei diretamente para o rosto sombrio de meu marido. Os olhos cor de âmbar costumavam ficar verdes quando ele estava zangado.

— Posso saber qual era o assunto? — Sultan levantou a voz ao perguntar.

Apesar de seus traços britânicos por parte de sua mãe, Sultan Kiran carregava consigo as atitudes grotescas de seu pai.

Em silêncio, eu continuei sustentando o olhar frio no instante em que ele ergueu o braço. — Slapt! — Senti a força do dorso da mão de Sultan se chocando em meu rosto.

— Senhor Kiran! — Nadiye sobressaltou-se, chocada.

— Não se meta, insolente.

— Por que fez isso? — Projetei o queixo ao questioná-lo.

— Isso é para você nunca espiar o meu celular.

— Eu queria ver a hora.

— Não me desrespeite na frente da empregada.

Desta vez, Sultan tocou em meu queixo e me deu o habitual beijo na marca avermelhada da palma de sua mão em minha bochecha. Os olhos examinaram-me com frieza.

— Coloque um pouco de maquiagem nesse rosto, querida. — Um sulco vertical esboçou-se entre as sobrancelhas castanhas. — Aproveite para trocar essa roupa preta. Você fica horrível quando aparece desse jeito na empresa. — Senti a aspereza de seu dedo acarinhando o meu rosto.

Sim, eu sou uma CEO!

Apesar dos problemas em minha vida pessoal, eu administrava a filial da empresa no Brasil ao lado de Sultan. A união da corporação Kiran Aydin foi realizada no dia em que assinei aqueles malditos papéis a pedido do meu avô em Bebek, Turquia. Não tinha os meus pais para me defender. O meu pai bebia demais, meu avô sempre o chamava de fraco. Ele se envolveu num misterioso acidente de barco quando eu tinha doze anos. Segundo o meu avô, tudo isso era culpa da minha mãe que me deixou para trás quando era bebê e fugiu com o amante.

— Você deveria tirar o dia de folga para comprar roupas mais femininas, querida.

— Não, hoje é o dia de assinarmos os papéis do divórcio — disse eu, direcionando meus olhos para Sultan.

— Já disse que não vou assinar nada, Leyla! — Ele se agigantou. — O seu avô chegou ontem ao Rio de Janeiro. Contei a ele sobre essa sua decisão absurda. Se continuar com isso, perderá o seu cargo na empresa.

— Sou diretora-executiva da Kiran Aydin. A advogada disse que tenho direito a metade dos bens; portanto, parte da empresa é minha!

As mãos de Sultan pousaram em minha cintura, os dedos pressionaram o hematoma causado durante a madrugada vigorosa. Cerrei os meus olhos, aguentando o cheiro enjoativo do perfume que ele usava.

— Posso te auxiliar a comprar roupas mais femininas e coloridas, senhora! — Nadiye falou no intuito de me ajudar.

Sultan virou o rosto para a governanta, ele estava visivelmente incomodado com a intromissão.

— Que ideia excelente! — Mostrou um sorriso cavernoso, as mãos afrouxaram em minha cintura. — Talvez a Leyla se anime um pouco. — Havia um leve sorriso de desdém nos lábios carnudos. — Estou farto de vê-la perambulando por esta casa com essas roupas negras como se estivesse de luto.

Tinha mais de um ano que passei a cumprir a promessa que fiz ao meu avô. Usava roupas pretas desde o dia em que casei, pois para mim, o meu avô Osman Aydin morreu quando me entregou para a um membro da família Kiran.

— Sultan, quero que você saia da minha casa após o divórcio — pedi quando ele se virou.

— Compre um vestido novo, querida! — Sultan desviou do assunto, fingindo não ouvir o meu pedido.

Troquei olhares com Nadiye que balançou a cabeça como se estivesse dizendo para eu concordar.

— Vou comprar, querido.

— Que bom que está encenando com destreza o seu papel de esposa.

Engoli em seco ao abrir as pálpebras. Essa alusão me incomodava. Com apenas um olhar, eu fuzilei as costas de Sultan enquanto ele saia da cozinha.

— Até mais, Nadiye! — resmunguei.

— Aonde vai, Leyla? — Ela me seguiu. — O seu marido pediu para não usar roupas pretas. Devia experimentar um vestido com uma cor mais viva, querida! Que tal um magenta?

— Não vou deixar o Sultan dizer o que devo ou não devo vestir, ele nunca mais vai me dar ordens.

Eu ouvi uma voz carregada vindo do escritório, estava cochichando com alguém ao telefone.

— Isso, está tudo certo para hoje, — ele falou. — Já te mandei o dinheiro.

— Idiota! — falei baixinho.

Devia estar enviando o dinheiro para a amante. A britânica que o Sultan namorava desempenhava o papel de amante desde o nosso casamento. Em nosso quarto, ele sempre enfatizava que acabei com a vida dele e que Florence deveria estar em meu lugar.

Subi as escadas e fui até o quarto para pegar a bolsa, pois eu não queria chegar atrasada. Querendo ou não, Sultan teria que aceitar o divórcio e aceitar a minha presença na reunião do conselho. Ao entrar no quarto, vasculhei a bolsa para pegar o celular e em seguida, eu fechei o zíper.

Apressada, eu me equilibrei no salto, estava atravessando o corredor a caminho da escada quando Nadiye apareceu.

— Senhora, por favor, assine os papéis do divórcio e não vá para a reunião do conselho. A senhora sabe que o senhor Osman estará na reunião.

Segurando o corrimão, parei no primeiro degrau da escada quando Sultan apareceu.

— Vai às compras, querida?

— Claro, a Nadiye vai me acompanhar. — Encarei a mulher com o rosto marcado pelo tempo. — Vamos!

— Sim, senhora.

Sultan voltou os olhos para o celular, digitando na tela. Aproveitei que ele estava trocando mensagens com a amante e dei o braço para Nadiye.

— Que bom que mudou de ideia! — Nadiye disse quando entrou no carro.

Liguei o motor do meu Porsche vermelho e sai da garagem. Estava firme no propósito de me livrar daquele homem e nada e nem ninguém me impediria.

— Tem algumas lojas com vestidos e sandálias lindas em Copacabana.

Soltei um suspiro pesado ao verificar a hora no relógio do meu pulso e buzinei para o carro da frente depois que o sinal abriu.

— Vá logo, o sinal já está verde, — cochichei quando o veículo preto não se moveu.

— Mantenha a calma, querida! — As linhas em sua testa acentuaram quando Nadiye franziu o rosto.

Naquele instante, eu não ouvia mais nada, só queria que o automóvel da frente me desse passagem. Apertei a buzina uma, duas, três vezes…

Pelo retrovisor, vi um homem de capacete descendo da moto parada bem atrás do meu Porsche.

— Abre a fivela do cinto e se abaixe devagar.

— Por quê?

— Não faça movimentos bruscos, Nadiye — movi os lábios.

Mantive a minha mão no volante, procurando um modo de fugir. Dois homens, usando touca ninja preta, saíram do carro parado na frente. Subitamente, o motoqueiro parou do meu lado, enquanto os outros dois homens encapuzados estagnaram na frente do Porsche.

— Abaixe, Nadiye.

E agachei e me joguei embaixo do volante quando o vidro blindado foi atingido inúmeras vezes. Pus as mãos nos meus ouvidos, os meus batimentos cardíacos aceleraram.

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