
Lady Red - Assassina da Máfia
Capítulo 2
Clara Tommaso
Itália, 20 de abril de 2023.
Dias atuais.
Com certeza você não me conhece, ou quem saiba já tenha ouvido o meu nome, embora nunca tenha se aprofundado realmente na minha história. Sinta-se honrado, pois irei te contar todos os detalhes, dos mais leves ao mais obscuro do motivo que me tornei Lady Red, a assassina mais implacável de toda a Itália. Antes de tudo, eu adoro vermelho, isso me lembra o sangue dos meus inimigos manchados em minhas roupas sempre que tomo a frente de um crime.
Ganhei um poder inigualável durante três anos, hoje posso dizer que esse poder duplicou, mas estou infeliz em frente ao túmulo da pessoa mais importante na minha vida, o meu pai. Dias de luto as pessoas costumam desejar paz ao familiar e usar preto pela dor, porém, comigo difere, estou de vermelho, essa cor me traz a lembrança de que em breve matarei quem o matou. Não sou vingadora, entretanto, quando se trata de quem amo, torno-me uma.
Com os olhos repletos de lágrimas eu os fecho para que nenhuma caia, estou cercada de homens e não posso demonstrar fraqueza. Infelizmente na máfia ser líder ou ter destaque feminino chega a ser uma afronta aos machos alfas, e no que lhe concerne tem um penetrando meus pensamentos, o homem que é meu próximo alvo: Marco Cesare.
Meu pai estava com câncer terminal e deveria ter morrido disso, mas os seus aparelhos respiratórios foram desligados por culpa de alguém. O engraçado dessa história foi o Marco Cesare viver em reuniões com meu pai em seu leito de morte, tornando-o assim o maior suspeito. Abro os olhos e observo os homens ao meu redor e mais uma mulher se destacando, Valentina, amante do meu pai. Tornou-se uma assassina poderosa, embora não chegue aos meus pés; Valentina luta muito melhor, porém sou mais estrategista e uso o poder da mente para sair de zonas proibidas. Ela é alta, parda e seu cabelo ondulado vive preso em um rabo de cavalo, uma mulher que exala beleza. Com o passar dos anos, virou a minha melhor amiga. Com ela posso contar e confiar toda a minha vida.
— Clara, precisamos ir — Rocco sussurra em meu ouvido e viro-me em sua direção com os olhos semicerrados por ele ter me chamado pelo nome.
— Eu te dei autorização para me chamar de Clara? — indago com a voz firme, não posso permitir que eles se aproveitem da situação para montar em cima da minha honra.
— Não, perdão — responde, cabisbaixo.
— Perdão? — Solto uma risada amarga. — Você me pede perdão? Levante a porra da cabeça e me encare! — Vocifero.
— Sim, senhora, eu estou lhe pedindo perdão — envergonhado, afirma.
— Não sussurre comigo, e nem sequer ouse me chamar de Clara, estamos entendidos?
— Sim, senhora.
— Senhora está no céu, me chame de Lady Red, e que isso sirva de exemplo para todos! — Aponto na direção dos outros homens. — Assumo a liderança dos Tommaso hoje e não aceito desrespeito. Sou a nova rainha de nosso território e Valentina será meu braço direito. Sendo assim, todos devem respeito a ela também.
— Obrigada, Lady Red, prometo fazer o meu melhor para chegar à sua altura. — Ela se aproxima e olha para Rocco.
— E se eu ouvir qualquer murmurinho, irei matá-los e dizimar todas as suas gerações futuras. — Examino a multidão ao meu lado em silêncio. — Meu pai foi um líder exemplar e eu prometo ser como ele, passei os últimos anos da minha vida lutando por essa conquista, fui treinada, ganhei respeito. Como vocês sabem, sou ótima no que faço.
— Sim, Lady Red é temida por todo o Continente Europeu — Valentina me interrompe para engrandecer o meu ego.
— Não queiram me enganar, sou muito gentil com os mentirosos, arranco suas línguas e dou para os cachorros saborearem. Meu corpinho perfeito é uma arma letal, não confunda minha aparência para criar um estereótipo de princesa loirinha, pois isso é algo que não sou e já provei para todos que se meteram em meu caminho.
— Não é à toa que grandes mafiosos da Itália querem a Lady Red próxima ou morta. — Valentina exibe mais uma vez minha grandeza.
— Lady Red não significa rainha, mas de hoje em diante a dona dos Tommaso sou eu! E se vocês estão comigo, se preparem para uma guerra, pois vingaremos a perda do nosso líder.
“ — Viva, Lady Red! Viva a rainha da Sicília! Viva!” — a multidão de homens grita ao meu redor com uma euforia digna de confiança.
Olho para Valentina e sorrio sem expressar alegria, e ela sorri de volta concordando com a cabeça. Olho mais uma vez para a lápide do meu pai e faço uma promessa mentalmente: Prometo que irei destruir Marco Cesare! Fecho o meu punho com tanta força, que chega a doer, e não sei como não quebro uma unha. Volto a minha atenção aos meus homens e firmo minhas palavras:
— A Sicília será nossa! Agora, vamos para casa.
“ — Viva!” — gritam mais uma vez e finalmente voltamos para os carros.
Quando entramos nos veículos, sento perto da janela e observo o céu nublado, seguido do retrovisor, que reflete o meu rosto. Pela primeira vez noto o quanto estou destruída, cheia de maquiagem para esconder as lágrimas que mancharam a minha face. A vermelhidão da esclera se mistura com a minha íris azul, deixando o meu olhar frio e morto, com a pupila dilatada. Desço o olhar até meus lábios notando o batom vermelho que desperta confiança e poder, enviando uma mensagem mental de que posso tudo, inclusive ser a maior líder feminina na Itália.
Eu nem percebo o tempo passar na viagem até o meu território, só me dou conta quando abro a porta para que eu desça, nem imaginando o quanto será difícil entrar naquela casa e não recordar do meu pai. Respiro fundo e entro fingindo superioridade à dor. Luto é para os fracos e isso é algo que não sou.
— Valentina, venha comigo até o escritório do meu pai. E quanto aos demais, assumam suas posições e fiquem com os olhos bem abertos. — Subo as escadas, enquanto ela me segue em silêncio.
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