
Lady Red - Assassina da Máfia
Capítulo 3
Clara Tommaso
Quando entramos no escritório do meu pai, a calmaria quase me deixa surda, soa tão barulhenta que me incomoda, porque dentro de mim os gritos que meu espírito dá ecoam por toda a sala. É como se eu estivesse o vendo sentado, trabalhando em planilhas dos negócios da nossa família. Eu vejo uma menininha loirinha correndo e pulando nele, que sorri ao ver sua filha. O homem de cabelos grisalhos beija a sua testa, as bochechas dela ruborizam quando ele faz isso. Essa lembrança foi suficiente para me fazer desabar, porém, mais uma vez engulo as lágrimas e a dor chega a me cortar por dentro.
— Você quer ficar sozinha? — Desperto do meu pesadelo interno no segundo que Valentina fala. Olho para ela e sorrio fraco, no entanto, eu sei que preciso esquecer essa perda no momento.
— Não, proponho falarmos de negócios. — Nego com a cabeça, afastando qualquer pensamento negativo. Caminho até a mesa e sento na cadeira de couro velha do meu pai e Valentina se encosta em uma estante de livros.
— Alfonso teria orgulho do seu pulso firme, posso afirmar que serás uma rainha à altura do grande Tommaso, talvez até melhor que ele — Valentina fala com um sorriso leve nos lábios.
— Obrigada, Valentina, eu não queria que fosse assim, mas infelizmente meu pai não poderá ver minha conquista como líder dos Tommaso.
— Não esqueça que do céu ele acompanhará seus passos, Alfonso matou muitas pessoas, mas ele ajudou milhares e acredito na redenção, Lady Red.
— Você é a única pessoa em quem confio de verdade, pode me chamar de Clara.
— Clara, já tem algum suspeito sobre o desligamento dos aparelhos respiratórios de Alfonso?
— Minha amiga, eu estou convicta que Marco Cesare tem algo a ver, ele teve várias reuniões com meu pai há cerca de meses e algo pode ter saído errado, você sabe que os Tommaso e os Cesare se odeiam desde a época do meu avô. Meu único suspeito é esse homem.
— Pensei o mesmo, descobriremos se Marco tem algo a ver com isso e abateremos ele.
— Mexer com Marco requer tempo e aproximação, ele é impenetrável. — Suspiro ao pegar o livro de contabilidade da máfia do meu pai.
— Desculpe a invasão, Lady Red, mas a senhora tem visitas. — Rocco abre brevemente a porta com o rosto pálido.
— Fala logo, Rocco, parece que viu um fantasma — agoniada, ordeno grosseiramente.
Imediatamente um homem termina de empurrar a porta e entra desviando de Rocco. Ele tem um sorriso presunçoso. Seus olhos verdes têm um brilho predatório, o cabelo castanho define bem seu rosto, é bem alinhado, um corte perfeito para destacar sua beleza, o rosto contornado por uma leve barba de três dias. Posso dizer que tem um metro e oitenta. A camisa social preta é fina e transparece seu peitoral definido. Além de toda a beleza, exala mistério. Os olhos com um brilho de indecência e os lábios em uma leve expressão de sorriso. Eu o reconheceria a quilômetros de distância.
— Marco Cesare — sussurro seu nome, e no mesmo momento, Valentina aponta sua arma em direção a ele —, está pisando em território inimigo, meu caro — debocho de sua audácia, e ele apenas sorri para mim.
Levanto-me da cadeira de meu pai e ando em sua direção para desafiá-lo. O homem me olha de cima a baixo.
— Cesare, meus olhos então aqui. — Chamo a sua atenção em tom de flerte.
— Estão mesmo, Clara. — Destaca meu nome lentamente.
— Ah, você fala, e ainda não tem medo da morte. — Mais uma vez o provoco.
— Por que ter medo da morte se sou o próprio fim? Pelo menos ninguém sobreviveu a um encontro comigo. — Ele dá mais um passo em minha direção, sinto sua respiração lamber meu rosto.
— Bem, pelo visto você só entrou aqui por um bom motivo, caso contrário, meus homens já o teriam matado. — Inclino minha cabeça para cima, tentando intimidá-lo, quando, na verdade, o motivo real é poder encarar Marco nos olhos.
— Com certeza, minhas condolências pela morte de seu pai. Agora, mande sua amiga abaixar a droga desse revólver e leia esse documento.
— Fale diretamente com ela — respondo sorrindo.
— Vejo que não me conhece, filho da puta, permita me apresentar! — Valentina grita do outro lado do escritório ainda com a arma em punho.
— Valentina, acalme os ânimos, vejamos o que o escrito tem — falo enquanto pego o papel das mãos de Marco, nossos dedos roçam e eu sinto um choque de excitação, mas rapidamente finjo controle.
— Ah, você é a Valentina, mulher de Tommaso, ouvi muito sobre você, agora abaixa a arma. — Ele olha diretamente para ela, que não cede.
Analiso o impresso em minhas mãos, reconhecendo de imediato que se trata de um papel timbrado de uso exclusivo dos Tommaso.
— Reconhece o papel, Clara? — Marco pergunta com a voz baixa.
O mesmo documento tem no final a assinatura de meu pai e o símbolo dos Tommaso, isso já desperta minha curiosidade acerca do conteúdo. Leio em voz alta e observo imediatamente Valentina ter um choque e abaixar a arma.
“Eu, Alfonso Tommaso, chefe supremo dos Tommaso, declaro, por meio deste tratado de paz com o Don da Itália uma união, um casamento entre Marco Cesare e Clara Tommaso, minha filha e herdeira de todo Meu trono.”
Sinto meu coração bater em minha garganta, apoio-me da borda da grande mesa de madeira e olho para o documento em minhas mãos.
— É, Clara, vamos nos casar em algumas semanas. Leve isso na boa, como uma herança. — Marco sorri provocativamente enquanto fala.
— Só se for uma herança indesejada. Não conte com esse casamento — respondo com ignorância.
Meu corpo entra em choque, e meu único pensamento é em como meu pai pôde fazer isso comigo. Jogo o papel na direção de Marco, que, sorrindo prepotente, volta a ler o resto do tratado.
— Se minha filha Clara se negar ao casamento, os Tommaso pertencerão ao Marco e Clara será rebaixada a apenas soldado. — Ele me fita com vitória, e a minha cabeça trabalha nessa possibilidade surpreendentemente idiota.
Como meu pai foi capaz?
Por que ele fez isso?
Eu estava preparada para esse momento, mas não entendo o motivo disso.
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