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Capa do romance Kendra - O Destino da Fênix

Kendra - O Destino da Fênix

Após a reconstrução de Rowena, o surgimento de figuras lendárias traz esperança e alertas sombrios que confirmam os temores da Rainha. Entre aventuras e traições, Aidan e Rowena vivem um jogo de provocações perigosas. Mesmo ferido por uma adaga lançada por ela, ele percebe que o sentimento entre ambos persiste. Em meio ao caos que ameaça o reino, será que o casal superará o orgulho? Descubra os segredos e o destino reservado a eles em Kendra - O Destino da Fênix.
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Capítulo 2

Eles chegam em centenas. Para não dizer milhares. São muitos e estão por toda parte, tomando o acampamento. Estou os aguardando no centro, com Elanor ao meu lado esquerdo, Aurora empoleirada em meu ombro direito e minhas de sangue ao redor. Aidan Kenom se recusou a sair de perto também.

- Não estou gostando nada disso - Celeste grunhe, os dentes à mostra.

- Até ontem eles não passavam de uma lenda, e agora...

- Estão pousando no nosso quintal - Misty completa a frase de Lana.

Uma águia gigantesca, acredito que a maior delas, pousa à minha frente - suas garras são do tamanho da minha cabeça, e deve ter pelo menos cinco metros de altura e, nesse momento, está grasnando em minha cara. Queria estar ofendida como a pequena bebê dragão que está cravando as próprias garras em meu ombro, mas estou só... maravilhada. O clã dos pássaros do céu não passava de uma lenda sobre guerreiros que atiram flechas montados em águias gigantes.

Aurora solta um pequeno rosnado e Elanor se coloca em posição de ataque no momento em que um homem muito alto desce da ave. Quando se aproxima, percebo que é muito, muito alto mesmo. Bem maior que a maioria.

Uau.

Ele parece uma montanha de músculos, diferente de Aidan, que é esguio. Esse homem tem uma densidade natural. Sua estrutura é grande. Esse deve ser o Rei.

Cosmo. - Os ventos sussurram em meus ouvidos.

Seus cabelos pretos, um pouco grisalhos, balançam com a brisa. Ele abre um sorriso travesso. Seu dente é levemente entortado para a esquerda, o que poderia ser considerado um pequeno defeito. Algo que a natureza deve ter colocado ali para não criar algo perfeito. Um charme.

- Eles sussurraram para você, não é? - sua voz é grossa e grave, exatamente como o esperado.

Ele escuta os ventos também? Responde a eles? Ele pisca para mim – como se soubesse exatamente em que estou pensando, antes de se voltar para a águia e estender a mão para ajudar uma mulher – sua Rainha, a desmontar.

Não que ela precise, mas aceita o cavalheirismo como a dama que é. A mulher também é alta e musculosa, mas seu corpo é magro e atlético, diferente do dele. Seus cabelos são brancos como a neve, e ela usa uma coroa simples e ornamentada, remetendo a asas de águia.

Quando finalmente encontro seus rostos, dois pares de olhos azuis-prateados me encaram de volta. A semelhança entre os dois é assustadora, mas quando olho ao redor, fora os meus, todos têm cabelos escuros, cinza ou branco, e os característicos olhos.

Paro de encará-los quando os monarcas inclinam levemente a cabeça em uma reverência a mim. Repito a formalidade.

- Majestade – a Rainha cumprimenta, sua voz é melodiosa, canto para meus ouvidos. - É um prazer para nós estarmos em sua presença, sou Lua - ela parece sincera. Abro um sorriso para eles.

- O prazer é meu, não é sempre que bilhetes caem do céu - não consegui evitar soltar essa pra quebrar o gelo. Há uma onda de tensão às minhas costas.

Seu sorriso simpático chega aos olhos, bem como aos do rei.

- Que belas criaturas têm aqui, em? - ele maneou a cabeça em direção aos meus "animaizinhos de estimação".

- Posso dizer o mesmo sobre as suas, senhor.

- Elas são incríveis, sim - ele responde.

- Podemos entrar? - convido, fazendo um gesto em direção à minha tenda.

- Como quiser - Cosmo inclina a cabeça em concordância.

Começo a me virar quando um grasnado chama minha atenção. Me viro a tempo de ver uma águia imperial - muito diferente e menor do que as outras - dando um rasante no acampamento. Em um ágil e rápido movimento, um homem de cabelos brancos se materializa exatamente à minha frente.

- Majestade - ele toma minha mão rapidamente e deposita um beijo ali.

Fico sem fôlego, e pego Aidan olhando de cara feia.

O moço olha para a própria mãe e leva uma mão ao coração.

- Não acredito que começariam sem mim - seu tom de voz me faz abrir um pequeno e discreto sorriso. A rainha revira os olhos.

- Você não tem jeito mesmo, não é moleque?

- Moleque? - ele dá uma risada deliciosa. - Poucos me chamariam de moleque - ele desvia o olhar para mim. - Pela idade sabe? - dá uma piscada.

- E quantos anos você tem? - Misty questiona.

Ele a ignora. Me olhando de cima à baixo e diz:

- Você é mais bonita de perto.

O que isso quer dizer?

- Meu Deus, é demais pra mim! - a rainha levanta as duas mãos em sinal de rendição. - Vamos entrar antes que sejamos expulsos ou pior.

O homem cai na risada e me olha com expectativa – esperando que eu entre.

- Vamos lá, então - digo e adentro a tenda.

Tudo foi arrumado para recebê-los. Desde a melhor comida até a decoração. Tudo remetendo ao fogo. Nos acomodamos em volta de uma mesa improvisada, o homem de cabelos brancos se senta ao meu lado, o Rei à minha frente e Kenom... do meu outro lado. Me viro para o rei:

- E então? Você pediu uma audiência, cá estamos.

- Direta ao ponto, gostei disso – o príncipe fala.

Aidan bufa, o que rende um olhar mortal vindo de mim, e um de curiosidade do homem águia.

- Pediu não, exigiu - Lana pontua, ela é sempre tão calma, firme. E seu tom de voz revela desconfiança.

- Sim... peço perdão por isso, Vossa Majestade - o Rei diz. - Tive que usar de qualquer meio para ser recebido.

- E por quê? - pergunto.

- Acredito que... bom. Nós vimos o que o rei dos humanos fez com vocês - ele lança um olhar igualmente desconfiado a Kenom. - Sky, meu filho aqui, estava agora mesmo dando uma olhada na região para ter certeza de que estamos seguros.

Sky, esse nome combina muito com ele. Não digo nada, e o rei continua:

- Acredito que a Senhora não saiba exatamente com o que está lidando.

Isso chama minha atenção.

- Ah é? - sinto a seriedade do assunto pairar no ar. O que ele quer exatamente dizer com isso?

- Sinto muito, Majestade, mas sim - Sky complementa a fala do pai. - Nós assistimos tudo de cima, e acreditamos que há uma chance para todos nós dessa vez, se trabalharmos juntos.

Celeste bufa e dá uma risada sarcástica.

- Quem disse que vamos trabalhar com vocês? Que podemos confiar em vocês?

Até que demorou pra ela se meter... Rei Cosmo a analisa por alguns segundos antes de apontar um dedo para mim.

- Ela.

- Como assim? - Misty questiona.

- Ao que reza a lenda, os pássaros do céu também respondem a Treze.

- De fato - diz a rainha deles. - Se eles assim desejarem.

- E nós desejamos, Majestade - Sky completa, sério pela primeira vez desde que chegou.

- É difícil acreditar, visto que não podem existir duas rainhas - Kenom comenta. Sua voz soa inofensiva, mas sabemos que não é o caso.

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