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Capa do romance KELSON'S - NO RITMO DA DANÇA

KELSON'S - NO RITMO DA DANÇA

Karen Souza, professora de balé no Rio de Janeiro, sonha em criar uma escola de artes na comunidade Kelson's. Sua vida vira um caos ao enfrentar o vitiligo e uma gravidez do herdeiro do crime local. Sem apoio, ela aposta tudo em um concurso na Escola Latitude. Para vencer e salvar seu futuro, Karen deve dominar o street dance, estilo que desconhece. Ao conhecer Kayo Castro, ela descobre que superar desafios exige coragem para seguir um novo compasso.
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Capítulo 2

"A dança é a mais bela forma de contar uma história sem dizer sequer uma só palavra."

Dançar... O que é a dança? Qual é o seu significado?

Há diversos conceitos sobre o verdadeiro significado da dança. Uns acreditam que dançar é a arte de mover o corpo através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria. Outros tem como entendimento que não é somente através do som de música que se pode dançar. Pois, os movimentos podem acontecer independente do som que se ouve e até mesmo sem ele.

Mas, para mim dançar, os movimentos e as batidas são como um badalar de sinos, um movimento continuo como a batida de um coração. Podendo se expandir e quebrar fronteiras.

Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando: que graça teria a vida sem música e sem a dança? Sem elas não há paz, não há beleza. Nos dias de festa e nas madrugadas de pranto, nas trilhas dos filmes e nas corridas no parque, o que seria de nós sem as canções que enfeitam o cotidiano com ritmo e verso?

Quem nunca curou uma dor de cotovelo dançando lambada ou terminou de se afundar ouvindo sertanejo sofrência? Quantos já criticaram funk e fecharam a noite descendo até o chão? Que atire o primeiro vinil quem jamais caiu na contradição de dizer que odeia rock e cantarolar "We are the champions" no chuveiro após ser promovido. Tudo bem... Raul nos ensinou que é preferível ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. Ao menos com a música não tenhamos amarras - porque ela salva. Tem hora que a gente desanima. Há momentos que são como um bandolim desafinado e aí é um chorinho atrás do outro. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, coração despedaçado, sociedade em frangalhos e vem o pensamento: "inútil, a gente somos inútil". Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade. Na sarjeta da emoção dá vontade de gritar: "eu não sou cachorro, não!" Mas como um sopro, da janela do vizinho, entra o samba que reanima a mente. Floresce do fundo do nosso quintal a batida que ressuscita o ânimo, sintoniza a alegria e equaliza o fôlego. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Recupera a fé e diz: "I will survive".

Ouça-me bem, preste atenção: o mundo é um moinho. É roda viva que nos leva do chão ao topo em um segundo. Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Em outros, baila "Macarena" com quadril e riso frouxos. Nos poemas mais refinados e nas coreografias extravagantes, aprendamos com a música que viver é alternar leveza e vigor. É saber mesclar a astúcia dos repentes improvisados com a minúcia das peças eruditas. É se ver no olho do furacão e segurar o Tchan pra não sucumbir. É ajustar o passo na cadência do tempo que voa, amor, escorre pelas mãos. Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não para.

Então vem, vamos embora que esperar não é saber. Vamos viver tudo que há pra viver, amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Corra. Afeto não é como o trem das onze que oferece aos descuidados, na manhã do dia seguinte, uma chance de voltar a Jaçanã. Pegue logo o Calhambeque ou o Camaro amarelo e acelere para não perder nenhum pedaço do trajeto. A vida tem pressa para acontecer. E acontece num piscar de olhos. Dá vontade de pedir que espere um pouco para a gente respirar. Por favor, vá devagar! Devagar, devagarinho. Despacito.

Mas nadar contra a corrente não é pedido que se faça. A rota segue, sem pausa, pra mim, pra você, pras preparadas, as popozudas, o baile todo. Não adianta ir negando as aparências, disfarçando as evidências... burrice viver entre tapas e beijos com o calendário. Passei anos apaixonada pelo passado, mas não era amor. Era cilada. No fim das contas estou cansada de saber que o tempo é mais aliado que inimigo. Eu reclamo só pra contrariar. Faz parte do meu show. Depois de décadas ampliando o repertório e desbravando melodias, cada nota me ensinou de tudo um pouco. Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar... mas vou resumir. Da vitrola da casa da minha avó aos fones de última geração do meu aparelho portátil, aprendi que a gente tem que olhar pra frente. Caminhando e cantando e seguindo a canção.

Pois, na dança e na música não acontecem somente os movimentos, acontece o amor, a paixão, a libertação.

Dançar significa viver... Viver sem limites... sem regras... Aproveitar cada movimento como se fosse o último.

Só que nem sempre é assim. A dança é reconhecida de diversas formas e o preconceito também.

Para ser um dançarino não basta só saber dançar. Não no gueto, na favela, na periferia e nas comunidades. Lá a dança é vista com outros olhos.

E é a partir daí que surgem todas as dificuldades.

Se você sonha em mostrar para o mundo a sua dança, a sua arte precisa primeiramente aperfeiçoar uma nova dança, um novo ritmo e para tudo isso acontecer, você precisa ir em busca de seus sonhos e embarcar no Ritmo da Dança.

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