Capa do romance Meu Ponto de Impacto

Meu Ponto de Impacto

8.6 / 10.0
Felippe de Luca Pierce rompeu com a máfia italiana e reconstruiu sua vida em Manhattan como um empresário de sucesso no ramo das boates. Longe da influência do pai e em paz com seu passado, ele prospera com a rede Rumore até que antigos inimigos ressurgem. O sequestro de Kim Kotler, uma jovem obstinada, dentro de seu estabelecimento, força Felippe a confrontar perigosos fantasmas. Agora, ele deve mergulhar no submundo que abandonou para resgatá-la.

Meu Ponto de Impacto Capítulo 1

A vida é boa. É a conclusão que eu chego depois de olhar para todos do camarote particular onde estou. Depois que eu sai da Itália para tentar viver pelas minhas próprias pernas, não teve um dia em que eu posso dizer que foi fácil, mas eu venci. Eu finalmente venci e não preciso mais viver com medo do amanhã, com medo de precisar voltar para a máfia e consequentemente para debaixo das ordens do meu pai. Olho para as pessoas que dançam como se não houvesse amanhã na pista de dança e penso no que pretendo para o meu futuro enquanto abro e fecho o meu isqueiro.

Ouço meu celular tocar e atendo ao ver que o Mike.

– Eles estão na cidade. – Era tudo que eu precisava ouvir para alegrar ainda mais o meu dia. Um sorriso se espalha lentamente pelo meu rosto e eu quero pular de alegria.

– É mesmo? Em que lugar? – Pergunto inocentemente.

– Acabaram de sair do aeroporto, pelo caminho que estão pegando tudo indica que eles estão indo para o apartamento de Dylan.

– Amadores. – Murmuro baixinho.

– Precisa de ajuda?

– Não, eu resolvo tudo sozinho. Obrigada, logo seu pagamento estará em sua conta.

– As ordens, Capo. – Mesmo que eu tenha deixado a máfia, a máfia nunca me deixou. Eu não sou um capo e mesmo assim ele insiste em me chamar de Capo depois que eu o tirei de uma pequena enrascada.

Passo pelo meu escritório, pego a minha Glock para ocasiões especiais na gaveta e confiro se está carregada, puxo uma submetralhadora 5 que gosto muito do fundo da mesma gaveta e sorrio olhando as duas. Guardo o silenciador e algumas balas no bolso, nunca se sabe o dia de amanhã. Pego o meu isqueiro favorito, minha carteira de cigarros, a chave do meu SUV e desço a escada privativa que me leva até a rua. Na escada da boate, paro um pouco e dou um sorriso aproveitando a brisa fria da movimentada Manhattan numa noite de sábado.

Depois de alguns segundos, volto ao meu ritmo e parto em direção ao apartamento de Dylan. Eu só estive lá uma vez, mas foi mais que suficiente para memorizar onde fica. Fiz uma estimativa de tempo que demoraria até que eles chegassem e percebi que a minha estimativa estava certa quando cheguei ao seu apartamento, invadi e vi que ainda estava vazio.

– Está exatamente igual desde que vim a última vez. – Digo olhando para a banana apodrecida no prato na bancada. – Eles devem ter tido um tempo bem ruim fugindo da polícia.

Com as luzes apagadas e admirando a cidade lá fora, eu me sento na poltrona confortável que tem em sua sala com vista panorâmica para Manhattan e acendo um cigarro. Trago e fecho os olhos aproveitando a sensação de calma que o cigarro me dá.

Fico assim em silêncio, tragando o meu cigarro e olhando a vista. Quando ouço um barulho na fechadura, apago o cigarro no sofá e puxo meu silenciador com calma e encaixo na Glock, virando-me na poltrona e ficando diretamente de frente para a porta.

– … bastardos acabaram com a minha fechadura. – Ouço a voz de Dylan abafada pela porta e dou um risinho.

Quando a porta finalmente se abre, no escuro, eles entram e arrastam as malas.

– Que cheiro horrível de cigarro dentro desse apartamento. – A voz inconfundível de Anna ressoa no ambiente e eu sorrio um pouco mais, um sorriso silencioso. Quero ver quanto tempo vai demorar até eles perceberem que estou aqui.

Vê-los andar pelo apartamento, ignorantes a minha presença é altamente animador.

– Acenda as luzes, não consigo ver nada nesse escuro. – Dylan diz. – Precisamos ser rápidos.

Assim que a luz é acesa, estou com uma arma apontada para a cabeça de cada um, ainda sentado de pernas cruzadas na poltrona confortável.

– Sorpresa. Bentornato. É um prazer revê-los. – Saudei em italiano, feliz da vida. Anna parece apavorada e Dylan parece uma estátua de sal de tão branco que está. – Finalmente nos reencontramos. Nossa, que mal educados. Vim pessoalmente lhes dar as boas vindas e vocês nem me respondem. A hospitalidade de Manhattan ainda me assusta as vezes.

– O que você quer conosco? – Anna pergunta.

– Preciso dizer quando você sabe a resposta?

– Por que se mete em assuntos que não lhes diz respeito. – Olho para Dylan e arqueio uma sobrancelha.

– Tem muita coragem de dizer isso quando estou com uma submetralhadora apontada para a sua cabeça. Você mexeu com a máfia italiana e achou que sairia impune? Somos primos, família e honramos o nosso sangue. Se você mexe com um, todos se doem.

– Eu não sabia que ela fazia parte da máfia italiana.

– É esse o argumento que vai usar? É bem fraco, sabe. – Digo balançando a arma e fazendo uma careta. Olho para Anna, que parece tremer no lugar. – Apenas aprenda a aceitar a derrota, não lute batalhas que não pode ganhar.

– Quem é você para me dar lição? – Ela diz corajosa e eu me levanto. Os dois recuam e eu suspiro.

– Eu sou Felippe de Luca Pierce. – Digo sorrindo. – Chegou a hora de pagar pelo que fizeram. Fine del gioco.

Não espero responderem e atiro nos dois ao mesmo tempo. Me aproximo para conferir o meu trabalho e há um tiro limpo no meio da testa de cada um e eu sorrio.

Meu objetivo aqui já está cumprido, minha prima está vingada.

Ando entre os dois corpos e puxo meu celular ligando para Mike.

– Mike, trabalho finalizado. Por favor, venha e limpe a bagunça. Estou te esperando.

– Estarei ai em cinco minutos.

Desligo e volto a me sentar na poltrona, guardando as armas dentro do paletó. Acendo um segundo cigarro enquanto espero Mike chegar. Silenciosamente como um gato, ele entra no apartamento acompanhado de alguns homens.

– Pelo visto você foi bem rápido desta vez, chefe. – Ele diz olhando para os dois corpos sem vida.

Eu me levanto e ando até ele com as mãos no bolso e tiro o meu isqueiro, abrindo e fechando-o sequencialmente.

– Eu não gasto balas com quem não merece. Uma foi suficiente para cada um. Deixe tudo impecável. – Ele assente e eu saio.

Hora de voltar a vida normal.

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