
JOGO DE SEDUÇÃO...
Capítulo 3
NARRAÇÃO DANIEL
Ela realmente está indo embora e me deixando na frente de todo mundo? Isso só pode ser alguma piada de muito mau gosto. Que porra ela acha que está fazendo? Levanto rápido da cadeira, sem me importar com quem olha, fala ou repara no que está acontecendo. Sou Daniel Brandão e ninguém me larga assim.
- Senhor!
Um dos garçons corre atrás de mim, enquanto ela já está do lado de fora do restaurante.
- O senhor não pagou!
Paro de andar e tiro minha carteira do bolso. Arranco algumas notas que podem muito bem pagar o que pedimos e não consumimos pelo menos três vezes.
- Fique com o troco.
Volto a andar rápido e assim que saio do restaurante, entro em choque.
- O que está fazendo?
Pergunto à louca da Melissa, que simplesmente está rasgando o vestido longo na parte dos joelhos.
- Customizando! Esse vestido longo não combina comigo.
- Esse vestido vale doze mil.
- Agora esta valendo seis mil, porque só tem metade do vestido.
Ela está rindo? Sério mesmo que está achando graça disso tudo?
- Eu sei que você quer rir.
- Rir? Estou furioso! Nunca ninguém foi tão grosseira, atrevida, sem educação e sem respeito por mim assim.
Segurando o resto do vestido em sua mão, vem andando até mim, agora com um vestido curto.
- Por isso me quer!
Espalma as mãos em meu peito e suavemente brinca com as pontas dos dedos no tecido da camisa, me fazendo prender o ar.
- Você não me quer como falsa amante.
- Quero sim!
- Não...
Desce a mão direita em direção ao meu membro e a esquerda pela minha nuca. Agarra meu cabelo ao mesmo tempo que encontra meu membro duro, o acariciando por cima da calça.
- Você está excitado comigo, com aquilo que não controla e não pode ter.
Cola o corpo no meu e posso sentir seus seios. Sua boca está perto do meu ouvido.
- Você me quer, deseja me foder forte e duro pra me mostrar quão poderoso e dono da porra toda é.
Segura forte minha ereção e seus lábios deslizam pelo meu maxilar até o canto da minha boca. Ela consegue me fazer parar de respirar muito facilmente e isso não é bom. Ninguém mexe comigo assim, ninguém me tira da minha zona de segurança.
- Sou aquilo que você nunca vai controlar, porque não possuo dono, ninguém me controla.
Solta meu membro e meu cabelo, se afastando de mim.
- Sou dona de mim.
Vira me dando as costas, tira seus saltos e vai andando descalça pela calçada.
- Seu carro, senhor!
Vejo o garoto manobrista e percebo que meu carro está pronto para partir. Entro no carro, fecho a porta um pouco irritado e acelero, saindo com ele. Paro de acelerar quando a vejo andando. Abaixo meu vidro e respiro fundo.
- Entra no carro!
- Não!
- Te deixo na sua casa.
- Não vou pra minha casa, vou usar meu vestido novo.
- Melissa, entra no carro!
- Sr. Brandão, volte para o meio das pernas da sua esposa e foda com ela pensando em mim. Vai se sentir mais calmo.
Praticamente jogo o carro em cima da calçada, fechando sua passagem. Melissa apenas ergue a sobrancelha e com um ar atrevido, sobe no capô do meu carro e passa por cima, conseguindo voltar a caminhar.
- Caralho! Você é... é...
- Para de ser um idiota!
Grita de volta.
- Se quiser vir se divertir, saia da sua bolha de ouro, deixe esse carro e vem andar comigo.
Enfio meu rosto no volante e respiro fundo. Devia desistir dessa louca e procurar alguém mais controlável. Essa mulher nunca vai aceitar ser minha falsa amante e se aceitar, vai me dar uma dor de cabeça absurda. Tiro meu rosto do volante e vejo que ela já está bem longe. Não sei o que estou fazendo, só sei que puxo o carro pra estacionar direito e assim que arrumo saio dele, correndo em direção Melissa.
- Espera!
Grito correndo bastante e ela não para de andar.
- Disse pra me esperar!
- O mundo não para, Sr. Brandão! Seja mais rápido para viver a vida.
Assim que a alcanço, percebo que está com um enorme sorriso. Que merda eu fiz? Agora está se achando as minhas custas.
- Tire o paletó!
- Pra que?
- Apenas tire.
Paramos de andar e tiro paletó. Imagino que esteja com frio, já que seu vestido é bem decotado. Coloco em seus ombros ela sorri.
- Muito gentil! Obrigada!
- De nada!
Tira o paletó do ombro e anda até um homem que dorme na calçada. O cobre e ele sorri pra ela.
- Obrigado!
- Agradeça a ele!
Aponta com a cabeça pra mim e não acredito que acabei de perder meu paletó Armani para um mendigo. Essa merda custou caro demais pra ser usado por um senhor sujo.
- Obrigado! Que Deus lhe recompense por isso.
Dou um pequeno sorriso e voltamos a caminhar.
- Está calado demais.
Melissa diz me observando.
- Apenas contabilizando o quanto já me fez jogar fora de dinheiro. Vestido, paletó, um jantar onde eu não comi nada.
Sua risada alta me faz querer rir também, mas me seguro.
- Imagino que o valor gasto comigo hoje, seja o valor gasto por sua mulher em um dia comum no shopping.
- Quase isso!
- Então pare de reclamar. Esse vestido vai se divertir muito essa noite, aquele homem vai ter uma noite aquecida depois de passar frio.
- Como resolverá minha fome?
- Vai ver daqui a pouco.
Segura meu braço e paramos de andar. Vira e suas mãos desfazem o nó da minha gravata.
- Vai dar minha gravata pra alguém?
Sorri e puxa ela pelo meu pescoço, até sair toda.
- Quer me amarrar com ela, jogar meu corpo em seu ombro e me levar pra onde quiser?
- Quero!
Revira os olhos e enrola a gravada na mão, colocando ela em meu bolso em seguida.
- Não terá seu desejo realizado hoje, Sr. Brandão!
Seus dedos abrem os primeiros botões da minha camisa.
- Pronto! Agora parece um homem de trinta e poucos anos, indo curtir a noite.
Olho para baixo e vejo um Daniel Brandão parecendo um estagiário saindo de seu trabalho pra ir beber.
- Vamos pra que bar de esquina?
Não responde e volta a andar.
- Não é um bar.
Fala após cinco minutos e entramos em um beco.
- Mas um local de tradição e cultura. Um local onde você pode ver um povo livre, apenas celebrando a vida.
Começo a ouvir uma música e ao fundo do beco vejo luzes iluminando algumas pessoas dançando. Não é uma musica que reconheça e tão pouco já vi essa dança antes.
- Quem são?
- Alguns amigos cubanos!
- Cubanos em São Paulo?
- Você acha que em São Paulo só tem brasileiros? Acha que só tem gente como você?
- Não! Sei que tem pessoas diferentes de mim, mas não cubanos.
- Pois temos vários lugares onde alguns povos vivem sem serem notados.
- Estão aqui de forma ilegal?
- Não! Estão a trabalho e sempre estão próximos para não se esquecerem de suas tradições. É como carregar Cuba em seu coração.
- Mel!
Um homem se aproxima e a toma em seus braços, erguendo seu corpo e a rodando. Isso me incomoda muito.
- José!
Ele coloca Melissa no chão.
- Você está!
Olha todo radiante pra ela e segurando sua mão, a roda somente para seus olhos devorarem.
- Uau!
- Gostou do meu vestido novo?
- É lindo e realça seu belo corpo e olhos.
- Obrigada!
Meu maxilar e meus dedos doem de tanto que os aperto. Isso é estranho e irritante demais pra mim.
- Esse é meu amigo, Daniel!
- Prazer!
Estica a mão pra mim e a pego, apertando forte.
- Fiquem a vontade, já sabe onde tem tudo, Mel.
- Pode deixar!
Solta da minha mão e some em meio as pessoas dançando.
- Mel?
Pergunto a encarando com os olhos estreitos.
- Algumas pessoas muito próximas e queridas por mim, me chamam assim.
- Entendi, Mel!
Se aproxima e sussurra perto dos meus lábios.
- Pra você é Melissa!
Agarra minha camisa e me puxa para o meio da dança.
- Dança comigo!
- Não sou bom com danças que não conheço.
- Só acompanha o meu corpo.
Paramos de andar e sua perna direita se encaixa entra as minhas. Leva a minha mão para a parte superior de sua bunda, meus dedos bem no limite. Uma mão se apóia em meu braço e a outra em minha nuca, puxando meu rosto pra perto do dela. O ar quente que sai de sua boca bate em meus lábios de tão próximos que estão. Sua bunda se afasta e então volta, batendo seu sexo em minha coxa, no ritmo da musica que é muito sensual. Esfrega seu sexo em minha perna e geme. Seu nariz desliza no meu e então seu peito bate em meu tórax.
- Pronto pra ficar mais excitado por mim?
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