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Capa do romance Jogando para o CEO

Jogando para o CEO

Iskra é uma funcionária audaciosa que jamais recua perante seu chefe frio e prepotente. O que deveria ser apenas um erro de uma noite entre os dois desperta um desejo insaciável e perigoso. Enquanto ele tenta mantê-la sob controle e longe de seus sentimentos, ela luta contra a atração que a consome. Em um jogo de poder e vingança onde as regras são voláteis, ambos se enfrentam em uma disputa intensa. Quem cederá primeiro quando a paixão ignora qualquer lógica?
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Capítulo 3

Desde que saí da sua sala, senti que todos os olhares da empresa estavam sobre mim. Como se eu estivesse com a palavra escrita na testa: "mandou uma foto de lingerie para o chefe e sobreviveu para contar."

Voltei para minha mesa com dignidade fingida, o coque ainda intacto, e mergulhei no meu trabalho com uma intensidade quase olímpica. Mas não consegui evitar... toda vez que ouvia a porta da sala dele se abrir, meu corpo inteiro se tensionava como uma corda de violino.

O resto do dia foi uma tortura emocional. Não, sério. Não há outra forma de chamar. Sabia que Leandro tinha visto a foto - aquela foto - e que ele sabia que eu sabia que ele tinha visto. Mas ninguém falava nada. Nada. E essa tensão era pior que uma bomba com um temporizador invisível.

Tentei me concentrar nos relatórios, nas ordens, nos e-mails. Mas toda vez que ele saía da sala dele, toda vez que caminhava pela empresa, eu sentia que me faltava o ar. E não era precisamente porque a beleza dele fosse impressionante, que era, vamos admitir, mas porque aquele homem me desestabilizava. Ele não falava muito, mas quando falava, deixava uma marca.

Lucía:

Sobreviveu? O que o mojoncio disse?

Eu:

Ainda não me demitiu. Mas disse que eu o entretenho. Literalmente.

Lucía:

HAHAHA! Você o deixou louco!

Eu:

Lucía, por favor. Me dá medo. E se ele achar que foi de propósito? E se ele achar que eu estou louca?

Lucía:

E se ele achar que você está boa e misteriosa? Porque você está.

Suspirei, fechei o chat e decidi que a melhor coisa que eu poderia fazer era terminar o meu expediente e desaparecer.

Mas claro, Leandro Vólkov não conhece a palavra "normalidade".

Horas depois...

Eu estava quase terminando um relatório quando a porta de vidro se abriu... e ele saiu de novo. A sombra dele se projetou sobre a minha mesa como um eclipse de autoridade.

-Iskra - disse, com aquele tom neutro que me fazia suar as mãos -. Venha comigo.

Levantei-me como um ressort.

-Aonde vamos?

-A uma reunião externa. Você levará os documentos. Sabe dirigir?

-Eu? Dirigir o seu carro?

-Você acha que vou deixar o meu McLaren nas suas mãos? Vamos no meu, mas você dirige o seu. Me siga.

Peguei minha bolsa, a pasta... e minha dignidade (meia), e o segui até o elevador.

O trajeto foi um caos emocional: eu repetindo mentalmente "é só trabalho", "isso não é um encontro", "não vai corar", enquanto ele dirigia à frente como se fosse o dono do planeta. O que, basicamente, era.

A cidade brilhava com aquele brilho dourado do entardecer, e meus pensamentos ficavam mais desordenados a cada minuto. Por que ele me levou para essa reunião? Por que não a Karina, sua outra assistente? E por que, diabos, eu não conseguia parar de lembrar como ele me olhou hoje pela manhã?

Desci do carro com os calcanhares trêmulos - e não era só pelos saltos. O lugar parecia saído de um filme: mármore, candelabros modernos, garçons com luvas brancas.

-Uma reunião... aqui?

Era o restaurante mais elegante da cidade.

Leandro abriu a porta para mim como se fosse a coisa mais normal do mundo.

-O cliente escolheu o local.

Mas quando entramos, fomos guiados a uma mesa... para dois.

-Onde está o cliente? - perguntei.

-Cancelou - disse ele, sem um pingo de incômodo -. Mas já tínhamos reserva.

Olhei para ele com ceticismo. Ele manteve o olhar, tão tranquilo, tão dono de tudo.

-Vamos almoçar. Você e eu.

Engoli seco. Não, não podia ser real.

-Isso é uma armadilha? - perguntei, enquanto me sentava lentamente.

-Para quê? Não se iluda, você não dá para muito Motel.

Você queria muito, maldito mojoncio!

-Não sei. Para ver se eu derreto? Para me avaliar emocionalmente?

Ele riu baixinho. Quase imperceptível.

-É só almoço, Morel. A menos que você esteja nervosa demais para comer comigo.

-Não estou nervosa. Estou... confusa. Surpresa. Cautelosa.

-Gosto quando você fala muitas palavras seguidas. Você perde o controle por um momento.

Olhei-o fixamente. O que ele estava jogando?

-E você é muito estranho, chefe.

Ele se inclinou um pouco sobre a mesa.

-Você realmente acha que sou estranho?

-Não. Na verdade, acho que você é... intensamente irritante. Mas tem estilo.

Ele sorriu novamente. Por que ele sorria tanto hoje? E por que meu estômago revirava cada vez que ele o fazia?

Quando nos levantamos, ele recebeu uma ligação. Falou em um idioma que eu não reconheci, talvez russo, e desligou com uma expressão sombria.

-Mudança de planos - disse ele, se virando para mim -. Tenho um evento esta noite. Jantar beneficente.

-E?

-Você vai me acompanhar.

-Desculpe?

-Vou levar alguém da equipe. E prefiro levar alguém com personalidade. Me poupa as conversas superficiais.

-E eu o que tenho a ver com isso?

-O seu sarcasmo me relaxa.

Ele disse isso como se fosse razão suficiente para me levar para um evento. Um evento, meu Deus.

-Não tenho vestido para esse tipo de evento - falei rapidamente, procurando uma desculpa.

-Já cuidei disso. Vai ser enviado para sua casa. Te pego às oito.

-A minha casa?

Ele me olhou com um sorriso nos lábios.

-Claro. Você achou que eu não saberia onde mora? Trabalho com dados, Iskra. Sei tudo.

Congelei. Ele disse isso sem traço de brincadeira.

-Isso está ficando muito Black Mirror.

-É só um jantar. Você se diverte, me ajuda, toma uma taça e vai para casa com a mesma reputação que tinha quando chegou.

-E se eu não quiser ir?

-Então... você vai perder. Mas não parece o tipo de pessoa que diz não para um desafio.

Dito isso, entrou no carro e desapareceu, me deixando com uma mistura de raiva, nervosismo e um estranho formigamento no estômago.

Cheguei em casa, tirei os saltos como se tivesse acabado de escalar o Everest, joguei a bolsa no sofá e me agachei para acariciar Chico, que saltou animado.

-¡Chicooo! - chamei ao entrar -. Vem me salvar dos homens bonitos e psicóticos!

Meu cachorro correu até mim, pulando. Eu o peguei, o abracei forte e me deixei cair no sofá.

-Hoje quase me demitiram, quase me seduziram e agora vão me vestir de Barbie de gala! - falei enquanto ele me lambia o rosto.

-Você não vai acreditar no que aconteceu. Eu mandei uma foto de lingerie e agora... ele me convidou para um evento! Isso é punição ou recompensa?

-Preciso de um banho. Um longo. Com música triste de fundo.

Entrei no banheiro, acendi as velas de lavanda, soltei o coque e deixei a roupa cair no chão.

A água quente me envolveu como um abraço que eu precisava há anos. Fechei os olhos, deixei o vapor levar o estresse, e por alguns minutos, eu não era a assistente desastrada, nem a mulher sem família, nem a que mandou a foto por engano. Eu era só eu.

Iskra Morel. Silêncio. Calma. Pele molhada. E música de fundo. A espuma da água, o cheiro de lavanda... por cinco minutos fui feliz.

Até que tocou a campainha.

Saí enrolada na capa e abri.

Um assistente de Vólkov me entregou uma caixa preta com um laço dourado.

-Isso é...?

-O vestido. Complementos incluídos. De parte do senhor Vólkov. Boa noite.

Fechei a porta com a caixa nos braços e coloquei sobre a mesa como se fosse dinamite.

A abri.

E minha boca se abriu sozinha.

Um vestido preto, longo, com uma fenda lateral até a coxa. Saltos finos. Uma clutch brilhante. E um pequeno envelope.

Abri com mãos trêmulas.

"Faça todos se perguntarem por que te trouxe."

-L.V.

Fiquei olhando aquela nota como se fosse uma bomba nuclear.

-Estou tão ferrada.

Maldito mojoncio!

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